Pretendia mostrar "o país por inteiro". Agora, está à beira de fechar portas.
O canal português Conta Lá está a ser alvo de um pedido de insolvência por parte de um grupo de 50 colaboradores. Em causa, está o facto de não receberem salários há mais vários meses.
Foi nas redes sociais que o antigo jornalista do canal Luís Varela de Almeida anunciou o fim do projeto, frisando que este desfecho só aconteceu porque o projeto "não soube ser bem gerido": "Muitos aguentaram o barco com 5 meses de ordenados em atraso", acrescenta o profissional.
O objetivo da ação é que os trabalhadores possam recorrer ao fundo de garantia salarial.
Uma sucessão de recuos
Os problemas no Conta Lá já não são de agora.
O canal, presente na MEO, NOS, Vodafone, tem já um longo historial de trabalhadores que saíram da equipa, com o jornalista português Paulo Salvador a "bater com a porta" de forma pública em maio passado. Ao jornal Correio da Manhã, o antigo colaborador do canal frisou que "não podia estar a trabalhar mais meses sem receber", mas que não se sentiu "enganado" pelo projeto: "Não me desiludiu o projeto em si, mas sim o desfecho financeiro do mesmo". Nas mesmas declarações, Salvador acrescentou que o canal, com uma equipa de cem pessoas, tinha "uma estrutura demasiado pesada".
Em julho, o canal anunciou a saída do diretor executivo e fundador do canal Sérgio Figueiredo, enquanto enviava os trabalhadores para lay-off. Contudo arevista Meios & Publicidade avança que nenhum colaborador foi abrangido por este regime. A 12 de agosto, a assembleia-geral do canal elegeu uma Comissão de Gestão que, passados mais de dois meses, nunca tomou posse.
Ao todo, o canal precisa de uma injeção de cinco milhões de euros, mas que ainda não se concretizou.
Surgido em 2025 e com presença no cabo desde o início de 2026, o Conta Lá afirma-se como um canal de proximidade. Rita Ferro Rodrigues, Júlio Magalhães, Ana Sofia Vinhas, Margarida Pinto Correia, Rui Maria Pêgo ou Marcos Pinto são algumas das caras do canal.
Este documento revela também que a maioria dos pedidos de patentes nacionais foi realizada por instituições de ensino superior e nas regiões Norte, Centro e Lisboa.
Este artigo foi publicado há, pelo menos, 10 meses, pelo que o seu conteúdo pode estar desatualizado
A Universidade do Minho é a instituição nacional com mais pedidos de “famílias de patentes”, segundo o “Barómetro Inventa 2023 – Patentes Made in Portugal”.
Os 69 registos desta academia incluem inovações médicas, biotecnológicas, de condução autónoma, de fabrico, de produção e de construção, entre outras. Os resultados reforçam o papel da UMinho como um dos motores de inovação do país e na sua ligação ao tecido económico-social.
Neste ranking anual elaborado pela consultora Inventa International segue-se a Bosch Portugal (55 patentes), que na última década tem tido intensa atividade conjunta de I&D com a UMinho. O top 5 da lista inclui ainda as universidades do Porto (25), de Aveiro (25) e de Lisboa (23).
O Barómetro Inventa agrega os registos que deram entrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, no Instituto Europeu de Patentes, na Organização Mundial da Propriedade Intelectual, no Instituto Norte-Americano de Marcas e Patentes, no Instituto Chinês de Patentes, no Instituto de Propriedade Intelectual do Canadá e no INPI do Brasil. O ranking adota nesta quarta edição uma metodologia assente nos pedidos depositados (e já não em pedidos publicados), pois um pedido de patente fica em sigilo durante 18 meses, logo o ano 2021 é o mais recente para consulta pública nesse âmbito.
Este documento revela também que a maioria dos pedidos de patentes nacionais foi realizada por instituições de ensino superior e nas regiões Norte, Centro e Lisboa. Quanto a Portugal, apesar do notável desenvolvimento recente, apresenta um desempenho baixo em termos absolutos (18.353 patentes de 2010 a 2021) quando comparado por exemplo com França, Países Baixos ou Espanha, que tiveram respetivamente 45, 23 e 7 vezes mais pedidos de patentes nesse período.
Este texto é publicado n‘o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa.
A investigação internacional envolveu cerca de 400 investigadores.
Este artigo foi publicado há, pelo menos, 10 meses, pelo que o seu conteúdo pode estar desatualizado
Um estudo internacional, em que participa Aristides Machado-Rodrigues, investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e Luísa Macieira, docente da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), publicado na Nature Medicine, desenvolveu equações que preveem e podem ajudar no diagnóstico precoce e mais preciso da diabetes.
Este artigo científico vem mostrar ainda que a utilização de um único bio marcador no rastreio da diabetes, a glicose em jejum, subestima o seu impacto na saúde das nossas populações.
A diabetes, sendo uma doença crónica, pode causar inúmeras complicações de natureza cardio-metabólica, tanto ao nível das complicações microvasculares como macrovasculares. O diagnóstico precoce pode permitir um tratamento menos invasivo e capaz de evitar o seu desenvolvimento ou agravamento.
Segundo Aristides Machado-Rodrigues, também docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (FCDEF-UC), atendendo a que ambos os marcadores de rastreio, glicose em jejum e a hemoglobina glicada (HbA1c), são preditores do risco de diversas complicações de saúde e da mortalidade, «a confiança em apenas um bio marcador pode subestimar ou atrasar o diagnóstico da diabetes em algumas populações e, consequentemente, aumentar o risco das complicações de natureza metabólica e cardiovascular».
«Os dados da presente investigação mostram que este assunto é especialmente relevante em países de estatuto socioeconómico baixo e médio, onde as dificuldades de recursos tornam a glicose em jejum como a metodologia mais comum de diagnóstico, possivelmente porque a avaliação da hemoglobina glicada nos remete para equipamentos e reagentes mais dispendiosos e, até, porque a normalização do processo laboratorial da HbA1c requer técnicos especializados e nem sempre estão amplamente disponíveis», revela Aristides Machado-Rodrigues, coautor do estudo.
Luísa Macieira, chama a atenção para o facto de «cerca de 12% dos participantes terem diagnóstico prévio de diabetes ou este ter ocorrido durante os estudos, demonstrando assim a dimensão do problema à escala global com impacto aos mais diversos níveis, desde o individual, ao familiar, social, político e económico entre outros». Adicionalmente, constatou-se, uma vez mais, que «um índice de massa corporal (IMC) aumentado está ligado ao diagnóstico prévio de diabetes e àqueles que foram diagnosticados com diabetes durante os estudos», refere a docente da FMUC.
Os investigadores que representam a UC neste estudo dão ainda enfoque à necessidade de rastreios com início ainda em idade pediátrica, sobretudo aos indivíduos de risco (IMC e perímetro da cintura aumentados, bem como a massa gorda aumentada), o que possibilitaria a deteção precoce do problema que é a diabetes e o qual pode estar presente no individuo durante longo período antes de ser diagnosticado.
A investigação, realizada por um consórcio liderado pelo Imperial College London e que envolveu cerca de 400 investigadores, analisou dados de 2000 a 2021 relativos ao diagnóstico da diabetes de 117 estudos internacionais, correspondendo a 601.307 adultos (56% mulheres), com uma idade média de 50 anos, dos quais 327.554 possuíam dados completos da glicose em jejum e da HbA1c.
Este texto é publicado n‘o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa.
O ator e encenador português Carlos Avilez morreu esta quarta-feira em Cascais. A notícia foi avançada pela Agência Lusa e, entretanto, confirmada por outros órgãos de comunicação social junto de fontes do Teatro Experimental de Cascais.
Avilez deu entrada esta terça-feira no hospital devido a uma indisposição, tendo morrido durante a madrugada após uma paragem cardiorrespiratória.
Nascido em 1935, estreou-se como ator profissional em 1956. Em 1965, torna-se um dos fundadores do Teatro Experimental de Cascais, uma das principais escolas de teatro e formação de atores do país. Além disso, foi diretor do Teatro Nacional D. Maria II, e presidente do Instituto de Artes Cénicas. Atualmente, ainda estava a trabalhar, tendo encenado a peça "Electra", que estreou no passado dia 18 de novembro.
Há mais uma alteração a caminho na grelha da MEO. A marca para consumo doméstico da Altice Portugal anunciou a saída do canal Deutsche Welle na sua edição em alemão. A informação está a ser comunicada aos clientes através da fatura mensal de novembro.
Na nota, a operadora esclarece que o canal "deixará de estar disponível na oferta de canais da MEO a partir de 31-12-2023", não adiantando, no entanto, quaisquer motivos para essa decisão.
O canal mantém-se, no entanto, disponível em Portugal através da grelha da NOS.
Pedro Pina/RTP/EBUO nosso país é representado por Júlia Machado com o tema "Where I Belong".
A cerimónia de abertura da edição 2023 do Festival Eurovisão Junior da Canção decorreu na tarde desta segunda-feira em Nice, França.
A cerimónia serviu para dar as boas-vindas oficiais às comitivas dos 16 países em competição.
Portugal estará representado no festival por Júlia Machado com o tema "Where I Belong". A representante portuguesa será a 11.ª a subir a palco, antes da anfitriã, a França, e depois da Geórgia. O sorteio, que decorreu durante a cerimónia, determinou que a Espanha abrirá a competição e os Países Baixos encerram as atuações em 16.º.
A final decorre este domingo, dia 26, a partir das 15h, e terá transmissão nos canais RTP, assim como através da emissão internacional no YouTube.
Espanha Sandra Valero - "Loviu"
Malta Yulan - "Stronger"
Ucrânia Anastasia Dymyd - "Kvitka"
Irlanda Jessica McKean - "Aisling"
Reino Unido STAND UNIQU3 - "Back To Life"
Macedónia do Norte Tamara Grujeska - "Kaži Mi, Kaži Mi Koj"
Sarah Louise Bennett/EBUArtista de origem tártara da Crimeia venceu a Eurovisão em 2016.
Este artigo é uma tradução para português de Portugal de dois artigos, um em russo e outro em inglês, da Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).
O Ministério da Administração Interna da Rússia colocou Jamala (Susanaa Jamaladinova), cantora ucraniana nascida na Crimeia, na lista dos mais procurados, noticia o site Mediazona.
Segundo a publicação, a cantora tártara crimeana foi colocada na lista em meados de outurbo de 2023 acusada de divulgar "mentiras" sobre o exército russo envolvido na invasão em curso à Ucrânia por parte de Moscovo.
No início deste mês, um tribunal russo emitiu um mandado para a prisão de Jamala, diz o site.
Em 2016, Jamala venceu o Festival Eurovisão da Canção com uma balada que descrevia a deportação brutal dos tártaros crimeanos para a Ásia Central por parte dos Soviéticos em 1944.
A cantora portuguesa Sara Taves morreu este domingo, em Lisboa. A notícia está a ser avançada pela edição online da SIC Notícias.
A artista estava esta internada na unidade de cuidados paliativos do Hospital da Luz. Há mais de dez anos que lhe foi diagnosticado um tumor cerebral.
Nascida em 1978 em Lisboa, Tavares foi representante de Portugal na edição de 1994 do Festival Eurovisão da Canção com o tema "Chamar A Música", alcançando o oitavo lugar. Antes, participou no programa "Chuva de Estrelas", da SIC, com uma interpretação de um tema de Whitney Houston. Em 2009, fez uma pausa na carreira, regressando em 2018, tendo mesmo sido nomeada para um Grammy Latino.
_Tempus_/Envato Elements"Face à eternidade do tempo que falta cumprir a este nosso planeta, estimado em cinco a seis milhares de milhões de anos, a presença do Homem na Natureza é ainda extraordinariamente curta e insignificante à escala da evolução biológica".
O nosso Planeta, velho de cerca de quatro mil quinhentos e quarenta milhões de anos, lar da biodiversidade, incluindo a humanidade inteira, não foi sempre como hoje o conhecemos. Esta nossa Terra, um ponto azul na imensidade do espaço cósmico, é o resultado de uma longa e complexa evolução, e o Homem é o fruto mais jovem dessa mesma evolução, numa cadeia imensa de inter-relações em que participaram as rochas, os solos, a água, o ar e os seres vivos. Assim, interessa ao cidadão em geral, como criatura consciente que é no quadro da Natureza, conhecê-la melhor, a fim de bem avaliar os problemas que se lhe põem no seu relacionamento com o ambiente natural.
Na evolução da matéria, segundo Teilhard de Chardin (1881-1955), o grau de complexidade que esta assumiu foi crescente desde o início do tempo deste nosso Universo, isto é, nos treze mil e oitocentos milhões (13 800 000) de anos da sua existência. Das partículas subatómicas primordiais passou-se aos átomos e, só depois, às moléculas, cada vez mais complexas. A partir destas, a evolução caminhou no sentido das células mais primitivas que fizeram a sua aparição na Terra há mais de três mil e oitocentos milhões de anos (3 800 000 000 anos), pensa-se que através de uma cadeia abiótica de estádios progressivamente mais elaborados, onde o ensaio e erro e o sucesso ou insucesso das soluções encontradas, isto é, os produtos sucessivamente sintetizados, tiveram a seu favor tal imensidade de tempo, da ordem de 75% ou mais da idade do Universo. Dos seres unicelulares, rudimentares, aos primeiros organismos pluricelulares, surgidos há setecentos a oitocentos milhões de anos, foi consumido apenas cerca de 20% desse mesmo tempo. Restou, pois, pouco mais de 5% para que, numa nova cadeia de complexidade, sempre crescente e a ritmo cada vez mais acelerado, se caminhasse dos invertebrados primitivos ao Homem. Do nosso aparecimento na Natureza, há cerca de 2,3 a 2,5 milhões de anos, como Homo habilis, onde representamos o passo mais recente da escala evolutiva, aos dias de hoje, foi um passo de apenas 0,0001% do tempo universal da criação.
Face à eternidade do tempo que falta cumprir a este nosso planeta, estimado em cinco a seis milhares de milhões de anos, a presença do Homem na Natureza é ainda extraordinariamente curta e insignificante à escala da evolução biológica e, portanto, passível de erro, como aconteceu com inúmeras espécies no decurso dessa mesma evolução.
O Homem, feito dos mesmos átomos de que são feitas as estrelas, os minerais, as plantas, os outros animais e tudo o mais que existe, é matéria que adquiriu complexidade tal que se assumiu com capacidade de se interrogar, de se explicar e de intervir no seu próprio curso e no do ambiente onde foi “fabricado”. Ele é o estado mais avançado de combinação dessa mesma matéria, capaz de fazer aquilo a que chamamos Ciência, isto é, observar, descrever, relacionar, explicar, induzir, prever. O Homem, na sua possibilidade de adquirir conhecimento e de o transmitir, é a manifestação mais elaborada da realidade física do mundo que conhecemos, na qual foi consumida a totalidade do tempo do universo. Assim, a Ciência, através do Homem, pode ser entendida também como expoente máximo da matéria que se questiona a si própria. Pode dizer-se que a Natureza “pensa” através do cérebro humano e, com igual razão, pode aceitar-se que o Homem deu voz à Natureza. Tais capacidades colocam-nos a nós, humanos, numa posição de grande vantagem entre os nossos pares no todo natural. Mas teremos nós o direito de gerir a Natureza apenas em nosso proveito, agredindo-a como tem sido regra, sobretudo, a partir da Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, e em crescimento exponencial nos tempos que se seguiram?
A Terra, no quadro em que se nos apresenta hoje, é o resultado de um sem número de agressões sofridas ao longo da sua velhíssima história. Contudo, e em consonância com James Lovelock (1919-2022), na sua hipótese “Gaia”, a Terra é um corpo que se autorregula e, como tal, sempre soube encontrar resposta a todas essas agressões e vai, sem dúvida, continuar a fazê-lo. Os danos que lhe podemos causar, no mau uso que dela fizermos, é mudar-lhe as condições que nos são favoráveis e que bem conhecemos, dando origem a outras, ainda desconhecidas, que nos poderão ser altamente adversas. Assim, ao atentar contra a Natureza, o Homem está, certamente, a atentar também contra si próprio, contra a humanidade. Acaso deixou de existir mundo natural aquando das grandes extinções em massa, como a que se verificou há cerca de 65 milhões de anos que, entre muitíssimos outros grupos biológicos, levou ao desaparecimento dos dinossáurios não avianos?
Numa ânsia desenfreada de lucro e de prazer, a civilização industrial incontrolada pode desencadear uma nova extinção em massa que, certamente, a vitimará a ela também. Porém, o planeta – e os geólogos têm consciência disso – irá prosseguir, mesmo sem a inteligência do Homem, e acabará por encontrar novos caminhos, em obediência apenas às leis da física, incluindo as do acaso, podendo voltar a ensaiar um outro ser inteligente ou, até, mais inteligente do que esta versão moderna do Homo sapiens, que somos nós. Para tal só necessita de tempo, de muito tempo, e isso não lhe irá faltar, uma vez que como se disse atrás, estimamos em mais cinco a seis mil milhões de anos a sua existência como planeta, até que o Sol, na sua evolução como estrela, o envolva num imenso brasido.
Perante quem deve o Homem prestar contas da maneira como decide articular-se com a Natureza? É, sem dúvida, aos outros Homens, ou seja, à Sociedade, que cada um de nós tem de responder pelo poder de decisão e pela liberdade de acção que as nossas imensas capacidades nos conferem. Se o Homem deu voz à Natureza, a Sociedade deu-lhe ética e assume-se no direito de estabelecer regras entre os seus pares no usufruto deste vasto condomínio. Sendo certo que a capacidade de intervenção de cada indivíduo, como elemento consciente desta mesma Sociedade, está na razão directa das suas convenientes informação e formação, importa, pois, incrementá-las. E incrementá-las é facultar-lhe o acesso aos conhecimentos que, desde sempre, a Ciência nos vem revelando.
DivulgaçãoEstão em competição 30 curtas-metragens de documentário, animação e ficção.
A primeira edição do Braga Science Film Fest – Festival Internacional de Curtas-metragens de Ciência realiza-se de 18 a 26 de novembro, em formato online e totalmente gratuito (inscrições em bragasciencefilmfest.com). O cartaz propõe 43 películas de 14 países – como EUA, Alemanha, África do Sul, Índia e Micronésia –, a par de masterclasses e mesas redondas com oradores mundiais. A iniciativa é organizada pelo mestrado de Comunicação de Ciência da Universidade do Minho, com apoio da Escola de Ciências e do Instituto de Ciências Sociais desta academia.
O festival apresenta em competição 30 curtas-metragens de documentário, animação e ficção (houve inicialmente 239 obras candidatas de 37 países). Dez das películas vão ter estreia nacional e há ainda uma em estreia mundial, no caso a animação “Earth-human connections”, de Katia Jasbinschek Pinheiro. As obras abordam temas como as alterações climáticas, as novas tecnologias, o espaço e os desafios societais.
O programa contempla igualmente 13 filmes que passaram em eventos parceiros, como no catalão ROS, primeiro festival de curtas-metragens sobre robótica, e no suíço CineGlobe, da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN). Estão igualmente previstas duas mesas redondas e quatro masterclasses, oferecendo ferramentas para os participantes compreenderem e explorarem o potencial do audiovisual na ciência, como storytelling, produção low cost, edição com telemóvel e conteúdo eficaz nas redes sociais.
A sessão de abertura do festival é no sábado, dia 18, às 9h45, incluindo uma conversa que reúne o premiado cineasta neozelandês Lloyd Spencer Davis, o explorador greco-canadiano George Kourounis, que apresenta a série televisiva “Angry Planet”, e tem a moderação da professora Anabela Carvalho, do Instituto de Ciências Sociais da UMinho.
O júri do Braga Science Film Fest conta com a produtora da NASA Joy Ng, a académica norte-americana Dominique Brossard, o realizador Daniel Pinheiro, o jornalista Vasco Matos Trigo e o programador cultural Luís Fernandes. O evento visa promover a comunicação de ciência através do cinema, focando o diálogo entre ideias e conceitos científicos e as narrativas audiovisuais de conteúdo criativo, acessíveis a diversos públicos.
Iuri/BarcelosA violência contra palestinianos na Cisjordânia escalou com o novo ciclo do conflito Israel-Palestina.
Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo da autoria de Iuri Barcelos e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.
O dia começa cedo para os palestinos de Masafer-Yatta, extremo sul da Cisjordânia, que faz fronteira com a Jordânia e o mar Morto ao leste e com Israel ao sul, oeste e norte. Quando o sol nasce sobre as colinas do deserto de Negev, os primeiros raios de luz que invadem as cavernas — morada para muitos ali — dão a deixa para que todos se lancem às tarefas do dia. Uns partem para as terras onde cultivam oliveiras ou pequenas árvores frutíferas. Outros plantam grãos e vegetais, ou criam rebanhos de ovelhas e carneiros. Há mais de um século, os palestinos desta região mantêm um modo de vida único. Encontram na terra um sustento simples e suficiente.
Desde o início da ocupação militar israelense em 1967, o que também une esses palestinos, além da conexão com a terra, é a angústia de viver na incerteza. A incerteza sobre quando o Exército chegará para demolir suas moradas. A dúvida se a madrugada será de incursões militares, uma noite em claro; ou se na manhã haverá blitz no caminho do trabalho. Mas um dos maiores tormentos desses povos é o temor dos ataques dos novos vizinhos que colonizam a região.
Foi o que aconteceu no dia 13 de outubro de 2023, quando a apreensão para os palestinos de At-Tuwani se materializou cedo pela manhã. Há um mês, um jovem israelense desceu lentamente o pavimento de concreto de acesso à comunidade, carregando um rifle de grosso calibre nas mãos.
Com quase 60 anos de ocupação militar, a ameaça das demolições, remoções e violência já virou rotina para os palestinos. O que varia é a frequência e magnitude desses episódios, que parecem oscilar conforme a conjuntura do conflito como um todo.
Naquela sexta-feira, quando a mais recente escalada de violência na região já havia causado 3.200 mortes, os colonos israelenses de um assentamento no sul de Hebron decidiram entrar na onda de hostilidades. Invadiram a vila de At-Tuwani e balearam o jovem Zacarias Adra com um tiro à queima-roupa no estômago.
Zacarias não é do Hamas, não é terrorista e não estava armado. Ele é primo de outro rapaz que está no epicentro do conflito nas colinas de Masafer-Yatta, fundador de um grupo de jovens palestinos que se juntaram para incentivar famílias a retomar, de maneira pacífica, as terras das quais foram expulsas. E para os palestinos dessas comunidades isso significa voltar para a vida nas cavernas.
Iuri Barcelos/Agência PúblicaJuventude de Sumud ocupa cavernas na Cisjordânia para resistir à ocupação militar de Israel _ Iuri Barcelos/Agência Pública
As cavernas de Masafer-Yatta
MARÇO 2018. O intenso ronco do motor do quadriciclo era perceptível mesmo na ventania implacável que varria as colinas de Hebron naquela manhã de inverno. O som denunciava que o piloto acelerava mesmo no declive da montanha, proporcionando uma velocidade vertiginosa à dupla a bordo do veículo. Observando a aproximação de longe, Sami Hureini e Ali Awad não conseguiam identificá-los. Mas, aos 20 anos, os jovens palestinos já tinham idade suficiente para saber que estavam em grande perigo.
Os israelenses que colonizam a região muitas vezes atuam com brutalidade — e não foi a primeira vez que Sami e Ali se viram ameaçados pelos novos vizinhos. Os jovens se tornaram alvos frequentes dos ataques de colonos depois que criaram a “Juventude de Sumud”, movimento de retorno às cavernas de Masafer-Yatta, numa tentativa de enfrentar a ocupação militar, que tenta remover os palestinos da região.
Acompanhado apenas do amigo no inóspito vale que beira a vila de At-Tuwani, Sami sabia que era preza fácil. O quadriciclo já estava a menos de 15 metros quando ele percebeu que o piloto não iria desacelerar, e Sami estava na rota de colisão. O jovem viu quando seu amigo Ali se arremessou ao chão em fuga para a direita, então Sami percebeu que o veículo arrancou em sua direção, mas não conseguiu se safar. Ele enxergou quando o homem que conduzia o quad torceu o guidão para acertá-lo. O ruído do motor deu lugar a um longo grito de dor. Sami estava ferido.
Foi trabalhando nas cavernas das vilas de Masafer-Yatta que Sami e Ali foram surpreendidos pelos colonos no quadriciclo naquele 30 de março de 2018. O atropelamento quebrou a perna direita de Sami ao meio, e o jovem teve que passar por uma operação delicada. Ficou internado por uma semana em recuperação até receber alta. “Nem por um segundo eu pensei em abandonar nosso movimento. Fui direto para Yatta dar um abraço nos meninos”, conta Sami, quando nos conhecemos em 2019, um ano depois do atropelamento, na mesma caverna.
O abrigo passaria despercebido na vasta colina, não fosse pela bandeira palestina fincada em frente à pequena brecha no solo que dá acesso à nova morada dos jovens. A caverna fica na antiga vila de Sarura, que Israel começou a esvaziar nos anos 2000. Ao entrar, a sensação é de silêncio absoluto. Protegidos da ventania de fora, aos poucos os pequenos sons tornam-se perceptíveis — como o ferver da água na chaleira de metal, para o chá que Ali preparava para nós.
Bandeira palestiniana fincada em frente à entrada da caverna. Ao entrar, a sensação é de silêncio absoluto _ Iuri Barcelos/Agência Pública
Os colchões, mantas, utensílios de cozinha e um banheiro improvisado são o essencial — e suficiente — para o convívio do grupo. Os jovens ainda adaptaram uma pequena lareira e um fogão a lenha com um sistema de exaustão para conduzir a fumaça até a superfície, alguns metros acima. “Como não podíamos ter qualquer maquinário, fizemos tudo só com ferramentas de mão mesmo. Foram três meses para construir isso”, conta Ali.
O jovem palestiniano Sami enquanto prepara um chá com um dos poucos utensílios disponíveis no local _ Iuri Barcelos/Agência Pública
As vilas em torno dessas cavernas formam um aglomerado de 12 comunidades-satélites de Masafer-Yatta, cidade mais populosa da região. Alguns chegaram como refugiados da guerra que levou à criação de Israel, em 1948 — ocasião em que mais de 700 mil palestinos fugiram ou foram expulsos de onde moravam. No entanto, os palestinos habitavam as mais de 400 cavernas de Masafer-Yatta há quase dois séculos, principalmente durante o período de colheita ou para estar perto dos rebanhos, sustento da maioria ali.
Hoje, viver nas cavernas é também um ato de resistência. Desde o início da ocupação militar, em 1967, Israel tem proibido palestinos de construir numa porção de aproximadamente 60% do território da Cisjordânia. E as cavernas das comunidades Masafer-Yatta estão justamente nesta região.
Há mais de um século, os palestinianos desta região encontram na terra um sustento simples e suficiente. Essa é a vila de Tuba, da família Awad _ Iuri Barcelos/Agência Pública
No povoado de Tuba, a maioria dos moradores é da família Awad, pequenos agricultores que há cinco gerações vivem na região. Ali Awad, 24 anos, é um dos mais jovens e o primeiro da família a terminar o colégio. Ele tem um estilo moderno. Gosta da barba sempre rala. O cabelo raspado e com linhas bem definidas fica parcialmente escondido pelo boné Nike. Ali aprendeu inglês cedo: além do sonho de ser tradutor, o idioma é importante para se comunicar com os jornalistas, ativistas e agentes humanitários que visitam a região.
Ele fala com orgulho sobre a origem de seu movimento. “A gente construiu algumas tendas, que seriam nossos ‘acampamentos da liberdade’. Mas um dia os militares chegaram e confiscaram tudo. Colchões, gerador de eletricidade, panelas… ficamos sem nada”, conta Ali, enquanto conversamos ao redor de um narguilé, um dos primeiros itens que os jovens trouxeram para a caverna. O rapaz dá um longo trago, solta a fumaça e continua. “Eles diziam que não podíamos construir, então naturalmente pensamos: ‘Nós temos as cavernas aqui. Vamos restaurá-las!’.”
Quem está no telemóvel e de casaco Nike, é Ali Awad. Os jovens tornaram-se alvos frequentes dos ataques de colonos israelitas ao criarem a “Juventude de Sumud”. _ Iuri Barcelos/Agência Pública
Sami Hureini nasceu em At-Tuwani, no ano de 1999. É um rapaz alto e ruivo. Usa um agasalho de lã justo no corpo e veste a calça jeans com a barra cuidadosamente acomodada dentro de botas de couro. A keffiyeh, lenço tradicional palestino, está sempre envolvendo o pescoço do jovem. Filho de pais ativistas, Sami se lembra de quando assimilou que vivia sob ocupação militar. “Eu tinha 5 anos e ia nas manifestações com meu pai, entre as pernas dele”, ele conta. “E quando você vê o exército agredindo seus pais, tudo começa a ficar claro. Eu cresci vendo violência, importunação e ataques contra minha família, minha comunidade. E me deu uma vontade de ajudar. Temos a esperança de responsabilizar todos pelos crimes cometidos contra nosso povo.”
Foi com essa sede de justiça que Sami decide cursar direito na Universidade de Hebron e, em 2017, entrar para a militância junto aos jovens de Sumud. O que Sami talvez não imaginasse é que dali a poucos anos estaria no banco dos réus diante de um juiz militar, aguardando sua sentença.
O processo de paz
Um aperto de mãos entrava para a história em setembro de 1993, no jardim da Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos. O encontro entre o então primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin e o líder do Organização pela Libertação da Palestina, Yasser Arafat, inspirava esperança: pela primeira vez, autoridades dos dois povos reconheciam o direito do outro existir como país e se comprometiam com um processo de paz para a região. No ano seguinte, os dois receberiam o Prêmio Nobel da Paz pelos trabalhos realizados no que ficou conhecido como “Acordos de Oslo”.
Aperto de mão entre o então líder palestiniano Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelita Yitzahk Rabin, a 13 de setembro de 1993 _ Vince Musi / The White House (Domínio Público)
Apesar de ser um marco na história do conflito, o pacto foi questionado. Do lado de Israel, a crítica se dava pelo acordo prever a retirada gradual da Cisjordânia, onde finalmente um Estado palestino poderia ser consolidado. Do outro lado, muitos palestinos reprovaram a medida por concretizar a perda de todo o território dos quais foram expulsos — hoje Israel — durante a Guerra de 1948.
Aos poucos, o acordo foi sucumbindo. O assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, por um israelense de extrema direita abriu espaço para a ascensão de Benjamin Netanyahu, um ferrenho opositor do compromisso. E os desdobramentos da Segunda Intifada, que fez milhares de vítimas nos dois povos, também minaram a possibilidade de o acordo progredir. No entanto, uma parte determinante de Oslo — a classificação provisória das terras da Cisjordânia— segue em vigor até hoje, mais de 30 anos depois. Uma divisão que tem impacto direto na vida dos 3 milhões de palestinos que vivem na região.
O texto de Oslo estabelecia que as áreas “A” seriam comunidades controladas pelos palestinos. Nas áreas “B”, Israel e palestinos fariam uma administração conjunta. Por fim, nas áreas “C”, que correspondem a 60% da Cisjordânia e onde 150 mil palestinos vivem, Israel teria ingerência absoluta. Essa seria uma divisão transitória, para que o processo de paz pudesse avançar.
Ed Wanderley/Agência Pública
Na prática, o território onde o futuro Estado palestino poderia ser consolidado ficou completamente fragmentado pela presença israelense. Hoje as áreas C entremeiam as comunidades palestinas da Cisjordânia, isolando comunidades inteiras umas das outras e acabando com a contiguidade do território palestino.
São nessas regiões que Israel promove os assentamentos de colonização, movimento que transfere centenas de milhares de israelenses para a Cisjordânia. Um dos motivos que impulsionam a colonização está na religião. São terras bíblicas, com sítios sagrados para os judeus, que foram habitadas por esse povo há séculos. Mas há também o fator político-ideológico: habitar a região aumenta o poder de Israel sobre o território.
A colonização de um território ocupado é considerada um crime de guerra pela Corte Internacional de Justiça e, portanto, ilegal. Ao fragmentar a Cisjordânia e transferir israelenses para a região, a colonização praticamente impossibilita uma solução de dois Estados para o conflito. Por isso, é tida por muitos como o principal entrave à paz na região.
Em 2016, até mesmo os Estados Unidos, fiéis apoiadores de Israel nas Nações Unidas, deixaram de exercer seu poder de veto no Conselho de Segurança do órgão para passar uma das resoluções que exigiam o fim dos assentamentos. A medida demanda que “Israel encerre imediatamente todas as atividades de colonização” e declara que “os assentamentos são ilegais e constituem uma violação flagrante do direito internacional”. O texto foi aprovado por unanimidade, mas Israel nunca cumpriu a determinação. Desde 1967, ano de início da ocupação militar, foram construídos 279 assentamentos na Cisjordânia, para onde mais de 700 mil colonos israelenses já foram transferidos.
É o caso de Ma’on, criado em 1981 entre as vilas de At-Tuwani e Tuba, nas colinas Masafer-Yatta. Com estradas modernas que ligam Ma’on diretamente a Israel, o assentamento hoje é lar para 629 colonos israelenses. O outro lado dessa moeda é que para o colono entrar, frequentemente, o palestino é obrigado a sair.
Expulsões
Sami e Ali eram recém-nascidos quando Israel emitiu, em 1999, uma notificação para a remoção de mais de mil palestinos que viviam dentro do que declarava ser uma zona de treinamento do Exército, a “Firing Zone 918” – área equivalente a 3 mil campos de futebol. Tuba, At-Tuwani e outras dez comunidades de Masafer-Yatta estavam dentro dessa zona.
O promotor do caso apoiou a remoção das famílias argumentando que elas seriam nômades — ignorando o modo de vida e tradições daqueles povos. Os palestinos conseguiram travar as remoções na Justiça, mas foram proibidos de construir ou reparar qualquer edificação. Aos poucos, a presença palestina nas colinas de Hebron foi se tornando insustentável. “As pessoas foram forçadas a sair e foram removidas de suas vidas. De suas árvores, plantações, tudo. E tudo começou no ano em que a gente nasceu”, conta Ali.
Hoje, as casas de 215 famílias nas colinas de Hebron do Sul ainda estão em risco iminente de demolição, mas as incursões do exército miram quaisquer construções palestinas. Por conta desses movimentos, as vilas de Sarura e Kharoubeh já desapareceram completamente.
“As pessoas foram forçadas a sair e foram removidas de suas vidas”, conta Ali _ Iuri Barcelos/Agência Pública
Ainda em 2019, caminhando pelas colinas, Ali e Sami mostram os resquícios de uma tentativa de construir uma casa. Eles contam que a estrutura havia sido demolida três dias antes. “As pessoas passaram a morar em tendas porque é caro demais construir uma casa e tê-la demolida logo na sequência”, diz Sami, desviando dos escombros da obra. Foi o que aconteceu no início de dezembro de 2020 com a vila de Al-Arakiz, vizinha a Tuba e At-Tuwani, que foi palco de uma tragédia que mudaria a vida daquela comunidade e o futuro de Sami Huraini.
Naquele final de ano, o Exército israelense invadiu Al-Arakiz com escavadeiras para demolir quatro casas, uma delas a de um jovem chamado Harun Abu Aram. O lar onde ele morava com a esposa e o filho não tinha alvará da Autoridade Civil israelense — órgão que recusa 98,7% dos pedidos de construções palestinas nas áreas C.
Harun não aceitava abandonar sua vila. Sem teto, estava decidido a reconstruir, mas não demorou até que recebesse uma nova visita do Exército. Cinco soldados israelenses chegaram cedo em Al-Arakiz no primeiro dia de 2021 para confiscar as ferramentas do jovem. A mãe de Harun começa a filmar quando os soldados tentam alcançar o pequeno gerador de energia do filho.
A cena é agoniante. Harun se agarra ao aparelho e, com o auxílio de alguns familiares, entra num cabo de guerra com os militares pelo gerador. Aos berros, Harun implora para que os soldados os deixem em paz. Depois de dois minutos angustiantes, um soldado levanta seu rifle e decide acabar com o embate. Ele puxa o gatilho num disparo à queima-roupa, atingindo Harun no pescoço. O jovem é socorrido ainda com vida pelo pai, Rasmi, que parte em direção a Hebron em busca de atendimento médico para o filho.
Com Harun internado, os palestinos de Masafer-Yatta convocaram uma manifestação. Sami, que então já militava junto aos jovens de Sumud havia três anos, era presença certa. E acabou detido, acusado de insultar um oficial de segurança, perturbar a ordem pública e invadir uma zona militar. Depois de pagar uma fiança equivalente a R$ 10 mil, o jovem poderia aguardar o julgamento em liberdade, mas estaria proibido de frequentar manifestações.
Como todos os palestinos presos na Cisjordânia, Sami seria levado à corte militar, onde as taxas de condenação passam de 99%, e sua sentença sairia anos depois, justamente num dos períodos mais sangrentos da história do conflito.
O quebrar do silêncio
Estávamos estacionados a poucos metros do topo da colina onde o assentamento de Ma’on foi construído, quando quatro colonos começaram a chutar nossa van. Um deles empunhava uma pistola e desferia sucessivas coronhadas contra o vidro do veículo. Os quatro esbravejavam, mas pouco entendemos o que era dito. Uma coisa era certa: não estavam contentes com nossa presença ali.
Era 6 de fevereiro de 2019, poucos dias depois da minha ida à caverna habitada pelos jovens de Sumud. Eu voltava à região para acompanhar uma visita que um grupo de ex-militares israelenses organizava com jornalistas, ativistas e interessados no conflito. O objetivo deles era contar um lado inexplorado pela Assessoria de Comunicação do Exército: as violações de direitos humanos cometidas na Cisjordânia e em Gaza durante a ocupação militar.
“Não se preocupem. Eles são assim mesmo”, tranquilizou Ahya Shatz, um jovem que serviu na brigada de combate do Exército. Ele saiu para conversar com os colonos, e o clima era de apreensão. Em agosto do ano anterior, colonos dessa mesma região atacaram um grupo de seis ativistas, e quatro deles acabaram hospitalizados. “Eles chamaram o Exército para declarar uma ‘zona militar’ e interditar o local”, contou. Quando voltou, pediu ao motorista que desse a partida no motor, para que a gente seguisse para um local mais seguro.
A ONG da qual Shatz faz parte chama-se “Breaking the Silence” — uma alusão à quebra do pacto de silêncio entre militares israelenses sobre as incursões nos territórios palestinos. O grupo já colheu centenas de relatos que denunciam diversas formas de violência. “Frequentemente somos nós, soldados, que impedimos os palestinos de acessar suas terras e água. A gente é enviado aqui especificamente para isso”, explicou Shatz sobre as operações nas áreas C. Ele contou ainda que é comum que os militares sejam subordinados aos colonos. “Um dia eu estava vigiando um assentamento e cheguei a receber ordens diretamente de um colono que morava no local.”
A história contada por Shatz lembra um episódio ocorrido em 2014 com quatro garotas palestinas que, a mando de colonos de Ma’on, foram presas por roubar cerejas no caminho do colégio. Naquela tarde, Inshirah Jundiyeh, Randa e Noor Makhrameh e Dalal Zein — todas entre 11 e 15 anos — entrariam para as estatísticas de encarceramento que hoje Shatz denuncia: um em cada cinco palestinos já foram presos na Cisjordânia e em Gaza, mais de 1 milhão no total, segundo a ONU.
O relato se alinha com os depoimentos colhidos pelo grupo sobre a atuação do Exército na Cisjordânia. Como o de um sargento da artilharia que serviu em 2001 nas colinas de Masafer-Yatta. “Nossa missão era fazer a segurança dos colonos judeus. Criar espaço em torno dos assentamentos para que os palestinos não pudessem viver ali. E os colonos tornaram a vida desse povo algo miserável. Eles iam importuná-los, questioná-los, roubavam seus pertences. O ápice foi quando começaram a concretar os poços e as cavernas. Foi então que eles partiram.”
Mas há também relatos de violência direta das tropas do exército de Israel. “Os detidos eram levados para nossa base e lá eles tomavam muitos tapas. Um dia eu vigiava um preso, e ele estava algemado, vendado. A gente tirava fotos do garoto, brincando. Até que começaram a bater nele. Batiam pela risada, para se sentirem homens”, revela um sargento que atuou na região em 2010.
Foram essas práticas que levaram Shatz a começar a questionar a ocupação militar — algo que hoje lhe custa muitas críticas em Israel. “Eu percebi que havia uma discrepância enorme entre o que eu achei que faria no Exército — prevenir ataques terroristas, defender Israel etc. — e o que de fato acontecia, que era basicamente fazer nossa presença ser sentida”, diz. “Os palestinos estão deixando suas terras, deixando suas comunidades. Eles abandonam porque é um pesadelo. E é isso que Israel quer.”
Cavernas das vilas de Masafer-Yatta, no extremo sul da Cisjordânia. Ao fundo, no alto da colina, um colonato israelita _ Iuri Barcelos/Agência Pública
Novos colonos, mais violência
Se os anos 2000 marcam o início da remoção dos palestinos das vilas de Masafer-Yatta, a virada do milênio também anuncia a chegada de novos colonos na região. No entanto, diferentemente dos que migram para os assentamentos desenvolvidos pelo Estado, esses colonos invadem terras consideradas ilegais até mesmo por Israel. Conhecidos como outposts, esses acampamentos são erguidos em toda Cisjordânia por iniciativa de pequenos grupos, frequentemente extremistas e com disposição para a violência.
Havat Ma’on é um desses outposts, criado em 2002 como uma extensão de Ma’on. Ele cortou a conexão entre as vilas de At-Tuwani e Tuba e provocou uma escalada de violência que até hoje aterroriza os palestinos das colinas de Masafer-Yatta.
As crianças daquelas comunidades, como Ali e Sami, foram os primeiros a sentir. “Nós perdemos a estrada entre as duas vilas. Nós tínhamos que andar vinte minutos para ir para a escola. Depois que foi construído, o trajeto passou a ser de mais de uma hora”, lembrou Ali. “Em 2004 foi meu primeiro ano no colégio. No nosso segundo dia de aula fomos atacados.”
Episódios como esse se tornaram tão frequentes que Israel determinou que os próprios soldados escoltassem as crianças para o colégio. “Ficamos dependendo do bom humor da tropa. Eles atrasavam muito, às vezes sequer apareciam. Uma vez, depois de esperar por quatro horas — eu, meu primo e a irmã dele partimos sozinhos pelo trajeto de 10 km. Era para ser um caminho mais seguro, mas alguns colonos começaram a nos seguir e nos perturbar, então decidimos correr. A menina que estava com a gente tropeçou e quebrou a mão e o nariz. Foi desesperador”, lembrou Ali.
As recordações das experiências da época do colégio levaram jovens do Sumud a escoltar as crianças de suas comunidades. Passaram também a acompanhar as famílias nos rebanhos, nas plantações e na reestruturação das cavernas. “As pessoas têm medo de serem presas ou atacadas enquanto trabalham suas terras. Então nós as acompanhamos e acabamos as ajudando no trabalho também”, conta Sami.
Não demorou até que o grupo se tornasse alvo preferencial dos colonos da região. E os casos de violência vão se acumulando — foram dezenas de episódios de violência entre o atropelamento de Sami, em 2018, e o atentado a Zacarias Adra, baleado no estômago no início do mês passado.
A justiça também está na cola dos garotos. Em agosto de 2023, Sami foi condenado pela participação nos atos em Al-Arakiz, ocasião em que Harun foi baleado. A decisão saiu poucos meses depois do falecimento do jovem, que resistiu por dois anos às sequelas do tiro. Hoje, Sami ainda espera uma decisão sobre a pena que lhe será imposta.
A justiça está no encalço dos rapazes. Em agosto de 2023, Sami foi condenado pela participação nos atos em Al-Arakiz _ Iuri Barcelos/Agência Pública
“A gente fica se perguntando por que isso está acontecendo com a gente. Por que estão nos atacando, nos tirando das nossas terras? Você não precisa de um mestrado em direitos humanos para entender as violações que acontecem aqui”, provoca Sami. Se a angústia parece só aumentar, a convicção sobre o caminho a ser trilhado nunca esteve tão claro. Eles enxergam a resistência pacífica como a única maneira de seguir adiante. “Mesmo se a gente não conseguir acabar com a ocupação militar, que pelo menos a gente possa ajudar nosso povo a viver em condições melhores.”
nina_p_vUm tribunal da segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo, condenou Aleksandra Skochilenko, uma artista russa de 33 anos, a sete anos de prisão por ter usado etiquetas de preços numa loja da cidade para distribuir informações sobre a invasão total da Ucrânia por Moscovo.
Este artigo é uma tradução para português de Portugal dum artigo em inglês da Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).
Um tribunal de São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, condenou Aleksandra Skochilenko, uma artista russa de 33 anos, a sete anos de prisão por ter utilizado etiquetas de preço numa loja daquela cidade para divulgar informações sobre a invasão da Ucrânia por parte de Moscovo.
O tribunal distrital de Vasilyevsky Ostrov tomou a decisão a 16 de novembro, depois de ter considerado Skochilenko culpada de "divulgação de informações falsas sobre as forças armadas russas", nos termos do n.º 3 do artigo 207.º do código penal, que foi aprovado no ano passado pelas duas câmaras do parlamento e promulgado por Putin no mesmo dia.
Dezenas de jornalistas e pessoas que vieram apoiar Skochilenko gritaram "Vergonha! Vergonha! Vergonha!", depois da juíza Oksana Demyasheva ter anunciado a decisão na cidade natal do presidente Vladimir Putin.
Vários deputados municipais e o famoso realizador russo Aleksandr Sokurov estiveram entre os presentes para apoiar Skochilenko.
O deputado da oposição Boris Vishnevsky afirmou que a decisão do tribunal "não tem nada a ver com a lei, justiça ou humanismo".
"Isto não é justiça: é uma represália. Espero que aqueles que chamaram a isto de justiça sejam julgados um dia, embora eu não saiba quando isso vai acontecer. Espero sinceramente que a Sasha (Skochilenko) seja libertada rapidamente", afirmou Vishnevsky.
Skochilenko foi detida em abril de 2022, depois de, no final de março, ter substituído cinco etiquetas de preço num supermercado pedaços de papel que continham aquilo a que os investigadores chamaram de "informações conscientemente falsas sobre a intervenção das forças armadas russas".
Nas alegações finais, horas antes de ser conhecido a sentença, Skochilenko reiterou a sua declaração anterior de que as suas atitudes no supermercado eram para promover a paz.
Na semana passada, os procuradores pediram ao tribunal que condenasse Skochilenko a oito anos de prisão.
Skochilenko sofre de vários problemas de saúde, incluindo um problema cardíaco congénito, uma doença bipolar, intolerância ao glúten e stress pós-traumático. Desde a sua detenção, vários grupos de defesa dos direitos humanos têm apelado à sua libertação imediata.
Isto não é justiça: é uma represália.
Boris Vishnevsky, deputado russo
Semanas depois da Rússia ter iniciado a sua invasão não provocada à Ucrânia, em fevereiro de 2022, o presidente russo Vladimir Putin assinou uma lei que prevê longas penas de prisão longas para a distribuição de "informações propositadamente falsas" sobre as operações militares russas, numa altura em que o Kremlin procura controlar a narrativa sobre a sua guerra na Ucrânia.
O n.º 3 do artigo 207.º do código penal, que proíbe que se chame "guerra" à invasão (Moscovo chama-lhe oficialmente "operação militar especial"), representa uma nova fase significativa nos esforços do Kremlin para eliminar a oposição à invasão e reprimir a dissidência.
A lei prevê penas de até 10 anos de cadeia para os indivíduos condenados por alguma infração, enquanto a pena para a distribuição de "informações propositadamente falsas" sobre as forças armadas russas e que conduzam a "consequências graves" é de 15 anos de prisão.
A lei também considera ilegal "fazer apelos contra a utilização das tropas russas para proteger os interesses da Rússia" ou "para descredibilizar essa utilização", com uma possível pena de até três anos de prisão. A mesma disposição aplica-se aos apelos a sanções contra a Rússia.
DivulgaçãoSérie da SIC junta-se ao catálogo da plataforma que já conta com vários conteúdos portugueses.
A série da SIC "Lua Vermelha" vai ficar disponível na plataforma de streaming Amazon Prime Video já esta sexta-feira, dia 17.
Protagonizada por Mafalda Luís de Castro e Rui Porto Nunes, "Lua Vermelha" é a "história de um amor impossível que cruza dois mundos, o de Isabel, uma rapariga comum, e o de Afonso, um vampiro que esconde a identidade", refere a plataforma.
Além de Castro e Nunes, António Camelier, Catarina Mago e Tiago Teotónio Pereira também integram o elenco.
Atualmente em reposição no canal SIC K, a série juvenil junta-se a outros conteúdos como "Morangos Com Açúcar", "Operação Maté Negra", "Pôr do Sol" ou "PRAXX".
Trabalhos estarão expostos em vários locais do concelho.
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Está a chegar a décima primeira edição do concurso natalício “Reciclar e Enfeitar para Tondela Embelezar”, promovido pela autarquia de Tondela.
O objetivo é a construção de de presépios e árvore de Natal com materiais reciclados e serão expostos em vários locais do concelho: “Sensibilizar os alunos e a população em geral para as questões ambientais, através de uma atividade lúdica e de expressão artística; incentivar a criatividade e a originalidade recorrendo à reutilização de materiais reciclados na criação de novos objetos; embelezar o concelho na quadra natalícia; envolver a comunidade educativa/movimento associativo; reconhecer e premiar projetos inovadores são os restantes objetivos inerentes a esta atividade”, frisa a autarquia, que classifica o projeto de “aglutinador”.
Dirigido a alunos das escolhas do concelho, agrupamentos de escuteiros, associações e instituições particulares de solidariedade social, o concurso tem as inscrições abertas até dia 27 de novembro, sendo qeu os trabalhos devem estar concluídos até ao dia 10 de dezembro.
Os trabalhos poderão, depois, ser vistos até ao dia 07 de janeiro.
DivulgaçãoFilme de Vicente Alves do Ó chega pela primeira vez à televisão.
Depois de "Florbela" e "Al Berto", o filme de Vicente Alves do Ó "Amadeo" chega à televisão portuguesa. O filme sobre o artista modernista português estreia no TVCine Top no próximo domingo, dia 19.
A película debruça-se sobre a história de Amadeo de Souza-Cardoso, o pintor nascido em Manhufe, perto de Amarante, que se tornou próximo de Picasso, Apollinaire, ou Derain: "Vive-se um mundo em mudança, entre o estúdio em Manhufe e as festas em Paris; fazem-se as primeiras exposições, lançam-se planos para o futuro, e Amadeo pinta incessantemente", descreve o canal premium de cinema. E entre as mudanças de uma Europa fustigada pela Primeira Guerra Mundial e pela Gripe Espanhola e as inspirações no "quotidiano", com vista a "reter o futuro que sonha pintar", Amadeo vive uma "grande história de amor com Lucie.
Tudo isto é retratado no filme de uma "história de vida fascinante" com Rafael Morais a encarnar Amadeo de Souza-Cardoso. Para além de Morais, Ana Lopes, Raquel Rocha Vieira, José Pimentão, Rogério Samora, Lúcia Moniz, João Cachola, Sara Carinhas e Eunice Muñoz compõem o elenco.
O filme será exibido a partir das 21h30, ficando depois disponível no serviço de streaming TVCine+.
DivulgaçãoEspetáculo insere-se no ciclo “Concertos na Casa”.
A banda D.R.O.P. - Dark Reaction Over Power atua no próximo dia 24 de novembro na Casa da Juventude de Odivelas, anunciou a autarquia.
Numa nota enviada à imprensa, o município refere que o espetáculo se insere na iniciativa “Concertos na Casa”, em que se pretende “revelar jovens talentos musicais do concelho”.
A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. O concerto tem início às 21h30.
Surgidos em 2018, os D.R.O.P. assumem-se como uma banda de rock alternativo. Formados por Ana Baptista, Luís Borralho, Luís Revez e Tomás Salavessa, o grupo lançou em maio passado o EP de estreia "Get Out", que inclui os singles "Mr Socialite" e "Humanity Fading".
Município de TomarProjeto baseia-se na memória coletiva, evocando os "filhos mais diletos".
A Casa da Esquina de Tomar criou uma banda sonora para a cidade: é um percurso sonoro que, a partir de agora, vai poder ser acompanhado por quem visita e "para quem a vive".
É desta forma que o município nabantino descreve a ação "Diálogos em Dó Maior", que vai assim juntar referências a personalidades locais como Fernando Araújo Ferreira, Fernado Lopes-Graça ou José-Augusto França, a "testemunhos e arquivos sobre a memória, oficial e subjetiva, da cidade de Tomar". Esta "banda sonora" vai poder escutada através de QR-Codes, num percurso que se inicia no Cine-Teatro Paraíso e termina no café Paraíso, "percorrendo a cartografia cultural" e "contaminando o real com a ficção".
O lançamento deste audiowalk acontece já este sábado, dia 18, a partir das 15h, e é aberto à participação de todos, sendo necessária inscrição através do email museologia@cm-tomar.pt. A participação terá um custo de oito euros e é necessário também ter o telemóvel, sendo que a organização disponibiliza auscultadores, se necessário.
Lançado no passado dia 23 de setembro, o livro "Manta de Retalhos - Rostos do Alvarinho" vai ganhar duas exposições de fotografia no Porto e Lisboa e uma versão online.
Numa nota enviada às redações, a adega Soalheiro, promotora do projeto, indica que o livro é "um retrato do Clube de Viticultores do Soalheiro, partindo da ideia de que a grandeza do Alvarinho de Monção e Melgaço se faz localmente, por muitas mãos, numa manta de retalhos onde cada parcela tem o rosto de quem cuida". Da autoria de João Bernardino e Kitato (Luís Octávio Costa), "Manta de Retalhos" reúne uma série de fotografias de viticultores no ciclo da vinha, acompanhados de testemunhos sobre a sua ligação àquele tipo de vinho, tudo isto numa edição bilingue: "A singularidade de Monção e Melgaço deve-se às condições naturais, um vale rodeado de montanhas, e ao esforço coletivo das pessoas que cultivaram o Alvarinho", precisa a empresa.
Agora, o livro ganha agora a forma de exposição fotográfica que estará patente de 29 de novembro a 10 de dezembro na Galeria Fernando Santos, no Porto. A mostra vai reunir fotografias incluídas no livro, sendo que a publicação poderá ser consultada gratuitamente no espaço. No dia da inauguração da exposição, o livro será também disponibilizado gratuitamente no site mantaderetalhos.pt. Depois do Porto, a exposição vai para Lsiboa, ainda em data a divulgar.
A Soalheiro foi criada em 1982, tornando-se na primeira marca de Alvarinho em Melgaço.
Instituto Português do Mar e da AtmosferaTerceira edição do prémio foi dirigida aos jovens
A Cinemateca Portuguesa será o local que acolherá a cerimónia de entrega dos Prémios "Mário Ruivo" já no próximo dia 16 de novembro, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A iniciativa, dirigida a jovens entre os 14 e os 21 anos, consistia na realização de filmes "que expressem o papel fundamental do Oceano na vida humana", com o objetivo final de "transmitir à sociedade a importância do oceano como sistema de suporte de vida no Planeta Terra, responsável pela regulação do clima, pelo fornecimento de alimento, é meio de transporte e de lazer, além de providenciar muitos outros serviços e benefícios económicos, sociais, ambientais, culturais e emocionais", acrescenta.
A terceira edição do evento teve como tema "Gerações Oceânicas" e a entrega dos prémios acontece simbolicamente no Dia Nacional do Nacional do Mar. Os vencedores receberão um prémio de dois mil euros por cada vencedor em cada categoria.
A iniciativa homenageia o investigador Mário Ruivo, "personalidade de reconhecido mérito científico, político, diplomático e cultural, pioneiro na defesa do oceano e no lançamento das temáticas ambientais em Portugal", frisa o IPMA.
Universidade de CoimbraEstimativa é dada por um novo artigo científico de investigadores da Universidade de Coimbra.
Um estudo liderado por investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia das Universidade de Coimbra (FCTUC), concluiu que os serviços de dispersão de sementes na recuperação das florestas ardidas podem custar mais de 23 milhões de euros por ano.
O artigo científico “What is the value of biotic seed dispersal in post-fire forest regeneration?”, agora publicado na revista Conservation Letters, mostra o trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito do projeto “Life After Fire”, que surgiu na sequência dos incêndios de 2017, em Portugal, e que tem como principal objetivo estudar a importância da dispersão de sementes na recuperação das florestas após um incêndio.
«Com este estudo concluímos, além do valor económico dos serviços de dispersão de sementes, que apesar da esmagadora maioria das espécies não depender exclusivamente da dispersão de sementes por animais, para cerca de um terço dessas plantas a dispersão é uma forma de voltarem a colonizar estas zonas ardidas», revela Sérgio Timóteo, investigador do DCV e líder do projeto.
Segundo o artigo científico, a maioria das espécies possui múltiplas estratégias para enfrentarem o fogo, incluindo duas dezenas de espécies que possuem todas as estratégias, nomeadamente germinação a partir do banco de sementes após o incêndio florestal (78%), capacidade de rebrote (54%), adaptações bióticas (35%) ou abióticas (28%) de dispersão de sementes. Embora apenas oito espécies sejam exclusivamente dependentes da dispersão biótica, 166 espécies (cerca de um terço das avaliadas) possuem características que facilitam a dispersão animal. Assim, a importância relativa da dispersão biótica é estimada em 16%.
De acordo com o investigador da FCTUC, quando ocorrem incêndios florestais de grandes dimensões, como os de 2017, «é necessário fazer algum tipo de intervenções em algumas áreas, principalmente no que se refere à estabilização de solos, às vezes até evitar recolonização por espécies invasoras. Isto tudo são ações ativas, ou seja, implicam ações humanas», refere, ressalvando que os animais e própria natureza têm também um papel muito importante nessa recuperação.
Portanto, neste estudo, «estimamos o valor económico do serviço de dispersão de sementes biótica, ou seja, por animais, no restauro pós-fogo em Portugal. Combinamos os custos orçamentados dos Relatórios de Estabilização de Emergência governamentais com análises de redes que estimam a dependência da flora portuguesa da dispersão biótica de sementes e de estratégias alternativas de regeneração pós-fogo», explica.
«A substituição dos serviços prestados pelos dispersores de sementes durante a regeneração pós-incêndio das florestas portuguesas custaria mais de 23 milhões de euros por ano, destacando a necessidade de políticas integradoras que promovam florestas resilientes», conclui.
Já foi anunciada a primeira grande confirmação para a próxima edição do NOS ALive: Dua Lipa atua no dia 12 de julho, no palco NOS.
A estrela pop vai subir a palco no segundo dia do festival, estreando assim no Passeio Marítimo de Algés.
Com um novo single "Houdini", a artista vai trazer um "novo capítulo" no seu percurso ao festival. Aliás, a nova música "representa as partes mais leves e libertadoras de estar solteira", descreve a artista na nota partilhada pela promotora Everything Is New, acrescentando que o tema "é bastante irónico, explora a ideia de que ou uma pessoa pode fazer valer o meu tempo ou eu poderei desaparecer no final da noite".
Universidade do MinhoPublicação pretende facilitar a compreensão do sistema visual, clarificar dúvidas do quotidiano e explicar como se pode manter uma visão saudável.
Madalena Lira e Jorge Jorge, docentes do Departamento de Física da Escola de Ciências da Universidade do Minho, acabam de lançar o livro "Visão sem segredos" em braille, para promover a inclusão e sensibilizar neste âmbito. A obra transcreve a edição inicial dos autores publicada pela Contraponto e tem agora a chancela do Centro Professor Albuquerque e Castro (CPAC) – Imprensa Braille da Santa Casa da Misericórdia do Porto.
"Pretendemos ser agentes de promoção da inclusão e de consciencialização da comunidade sobre a importância do braille como meio de comunicação para a plena realização dos direitos humanos das pessoas cegas e com deficiências visuais", afirmam os autores e a direção do CPAC. O livro tem seis volumes, tendo contado com a transcrição de Laurinda Mota e a revisão de Álvaro Mateus, sob a coordenação de Nuno Malho.
"Visão sem segredos" visa facilitar a compreensão do sistema visual, clarificar dúvidas do quotidiano e explicar como se pode manter uma visão saudável. Através do recurso a imagens e esquemas simples, procura responder a temas e dúvidas relacionados com a visão, como a miopia, o astigmatismo, o uso correto de lentes de contacto ou o que devemos fazer para proteger os nossos olhos das agressões externas.
O CPAC atua no apoio à deficiência e tem na sua génese a produção de materiais em braille, para tornar acessível a invisuais a informação, a cultura e a literacia.
Madalena Lira e Jorge Jorge são licenciados em Física Aplicada – Ramo Ótica com especialização em Optometria e doutorados em Ciências pela UMinho, onde são professores associados e investigadores do Centro de Física.