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17.08.20

Vila Real: Barro Preto de Bisalhães precisa de promoção

Tese diz que oleiros veem classificação da UNESCO como "um processo de e para políticos"


por Bruno Micael Fernandes

Dourotur

Foi em 2016 que o processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, uma aldeia da freguesia de Mondrões, em Vila Real, foi classificado como Património Imaterial da Humanidade. Em 2020, pouco havia sido feito para divulgar, numa ótica turística, este processo ancestral.

Esta é a conclusão que se pode tirar da investigação "Patrimonialização e Turismo Cultural no Douro: o caso do barro de Bisalhães", feita pelo docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e bolseiro do projeto de investigação "Dourotur" Edgar Bernardo e que foi apresentada em junho passado na Universidade de Aveiro (UA). 

Segundo o comunicado da UTAD, a tese aponta baterias a vários intervenientes, chegando mesmo a dizer que há a "perceção" por parte dos oleiros e de alguns agentes locais de que "a patrimonialização está a ser capitalizada maioritariamente por novos empresários e produtores que recorrem à marca da UNESCO para vender produtos não tradicionais ou autênticos prejudicando os oleiros e a própria arte". Edgar Bernardo diz mesmo que o processo de certificação foi "um processo de e para políticos. As instituições públicas continuam a contribuir para a construção de um discurso patrimonial autorizado, e acabam por, não só impedir inovações e reconstruções da cultura local, aprisionando-a, como também, limitam os proveitos económicos dos oleiros face a essa patrimonialização ao consumir peças às novas empresas, para uso como lembranças institucionais, e não aos artesãos", sustenta o investigador. 

No entanto, os artesãos são também referidos na investigação: mostrando-se "alheios" ao processo de certificação, estes procuram "disputar pelo poder discursivo oficial fechando, sobre si mesmos, toda a legitimidade sobre o que era autêntico na interpretação, narração e produção da olaria". Além do acesso à matéria-prima, os oleiros não viram as melhorias que haviam proposto no plano de salvaguarda serem implementadas, levando a esta perceção negativa. 

Um "sucesso" sem eco

Mas o trabalho do investigador analisou também a perceção pública da certificação. E a verdade é que, turísticamente, a certificação não foi aproveitada. 

Edgar Bernardo sustenta que, apesar das peças estarem expostas em locais turísticos como o posto de turismo, os museus ou em restaurantes da cidade vilarealense, não existe um verdadeiro circuito ou, mesmo, uma "estrutura organizada" que direcione os visitantes para os locais de venda. Aliás, a venda das peças ainda é feita diretamente pelo artesão ao consumidor/turista. não havendo "estratégias adequadas para a promoção e consumo da olaria adaptadas à atividade turística". 

Aliado à perceção dos oleiros, está também a visão da comunidade que, de facto, não é nada positiva. Segundo o investigador, a visão de Bisalhães é que nem os oleiros nem a aldeia "estão a ser escutados e envolvidos no presente e no futuro da olaria" e que o plano de salvaguarda  "não trouxe efetivamente nenhuma alteração que permita potenciar o consumo da olaria por parte de turistas nacionais ou estrangeiros". 

Esta visão não encontra eco nas autoridades e instituições. O investigador diz que os representantes consideram o processo de certificação "um sucesso", mostrando-se satisfeitos com as metas atingidas, apesar de nem todos os objetivos estarem cumpridos. 

Com apenas quatro oleiros no ativo, o barro preto de Bisalhães é também produzido por duas empresas (uma alia a produção indústrial com artesanal e outra só produz industrialmente). O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães foi classificado como património imaterial da Humanidade em novembro de 2016. 

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