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08.07.21

"Rei dos Frangos" há só um: é a empresa de Leiria e mais nenhum

Cadeia de restaurantes queixa-se de estar constantemente a ser associada aos casos que envolvem o SL


por Redação o largo.

Rei dos Frangos Churrasqueiras

O país e os canais de informação em contínuo ficaram em suspenso: o presidente do Sport Lisboa e Benfica Luís Filipe Vieira e mais três pessoas foram detidas esta quarta-feira por serem suspeitos de desvio de dinheiro, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Mas, além de Vieira, outro dos detidos se destacou: José António Santos, amigo do presidente encarnado e designado pela imprensa por "Rei dos Frangos". Ora, é justamente aqui que uma empresa de Leiria, a Churrasqueiras Rei dos Frangos, vem tentar pôr alguma água na fervura, pois a empresa nada tem a ver com este imbroglio jurídico. Aliás, os gerentes "até são simpatizantes do Sporting".

Mas comecemos pelo início.

"Entre João e José vai todo um nome diferente" - comunicado

A "Churrasqueiras Rei dos Frangos, Lda." está sedeada em Leiria desde 1989, sendo que a sociedade, segundo o portal Racius, foi constituída em 1992 e registado a marca "Rei dos Frangos" junto do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual em 2010.

Então, como é que o "Rei" passou a ser José António Santos?

Uma rápida pesquisa no Google pareceu dar-nos a resposta: sem prejuízo de existirem ocorrências mais antigas e tendo como referência o comunicado da empresa leiriense, cruzando os termos "Rei dos Frangos" e "Benfica", a primeira referência num órgão de comunicação social é de uma notícia do Expresso, intitulada "Rei dos Frangos, dono de 12,7% da SAD do Benfica: “Só depois de a OPA sair é que decido se vendo”". O artigo, inserido na secção de economia e datado de 14 de novembro de 2019, falava da possibilidade de José António Santos vender os 12,7% que detinha da SAD benfiquista, podendo encaixar 14,6 milhões de euros numa oferta pública de aquisição que o clube havia anunciado um mês antes.

O título de "Rei dos Frangos" até podia assentar bem a José António Santos: na altura de atribuição do Prémio Personalidade do Prémio Nacional de Agricultural de 2020, o membro do júri Emídio Gomes sublinhava que Santos escreveu, ao longo da sua carreira de mais de sessenta anos de negócios, "uma história muito longa ligada ao setor da ciência animal, da agroalimentar", notava o Negócios a 04 de março passado. Em 1966, Santos, três irmãos e um primo abrem, na Marteleira, Lourinhã, o primeiro centro de abate de aves daquilo que hoje é o Grupo Valouro, um conglomerado demais de quarenta empresas ligadas ao setor agropecuário, mas também aos transportes, turismo e produção de energia, gerando uma faturação de 409,9 milhões de euros só em 2019

Jornal Económico/Direitos Reservados

José António Santos é, também, o maior acionista individual da SAD benfiquista. A sua ligação ao clube é de infância, recorda o jornal Inevitável, tendo-se tornado sócio aos 14 anos. A sua amizade com Luís Filipe Vieira começaria quando o presidente encarnado negociava no setor dos pneus e tem-se prolongado ao longo de quarenta anos.

"É de assar frango que nós percebemos, de ações e SADs… nem tanto" - comunicado

Depois de meio dia a chamar "Rei dos Frangos" a José Santos, a cadeia de churrasqueiras veio a terreiro. À primeira vista, até pode passar por ser um comunicado a aproveitar de toda a situação e trazer atenção para a empresa, mas não! Era a chamar a atenção para um facto simples: a empresa não estava relacionada com o "circo metafórico "do rei dos frangos" nem com nenhuma das pessoas envolvidas nesse grupo de pelas que se vêm noticiando desde 2019". Com o grupo detido por José António Santos, só há uma relação de fornecedor-cliente: "A Avibom, uma das empresas do Grupo Valouro, vende matéria-prima à Churrasqueiras Rei dos Frangos, concretamente, frango. Porque é de assar frango que nós percebemos, de ações e SADs… nem tanto".

A cadeia acrescenta que "um dos gerentes da empresa Churrasqueiras Rei dos Frangos, Lda. chama-se João Carlos Paiva Santos. EM NADA (sic) o nosso gerente está relacionado com o Sr. Luís Filipe Vieira nem com qualquer uma das empresas que dá origem aos negócios noticiados. (...) Entre João e José vai todo um nome diferente, que deveria servir para inúmeras peças jornalísticas o conseguirem discernir, mas inúmeras vezes deixaram de o fazer". Aliás, a empresa sustenta que "desde 2020, alertámos diversos elementos da imprensa sobre o enorme dano à reputação da empresa e dos graves mal-entendidos que estariam a gerar às diversas pessoas que aqui trabalham todos os dias". A rede de restauração diz que "clientes, fornecedores e amigos" estão "consecutivamente" a questionar sobre a situação "sem já conseguirem distinguir uma metáfora demasiadamente disseminada, estupefactos sobre o que (não) está a acontecer".

A "Rei dos Frangos" diz que se viu chamada "à baila" por toda a situação: "Perceba-se, desde já, a diferença de tratamento entre o indivíduo Luís Filipe Vieira, sempre tratado pelo nome, e o indivíduo José António dos Santos, que nunca é tratado pelo nome nem pelas empresas que gere, mas por uma metáfora bem mais curta e elegante, o “rei dos frangos”". E vai mais longe, questionando os métodos de trabalho dos jornalistas: "Nos dias que correm, nenhum jornal sequer se dá ao trabalho de falar em Valouro GSPS (sic) ou qualquer outra empresa devidamente detida e/ou administrada pelo senhor que é descrito como amigo do senhor Luís Filipe Vieira", sublinha.

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