Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

o largo.

#informação #entretenimento #rádio

04.09.19

Rádios transmontanas avançam com boicote à cobertura das eleições

Medida semelhante já havia sido tomada nas eleições europeias


Bruno Micael Fernandes

Alexey Ruban on Unsplash

A Cadeia de Informação Regional (CIR), que integra as rádios Brigantia, Terra Quente, Ansiães, Onda Livre, Universidade FM e Montalegre, não vai realizar a cobertura de quaisquer ações de campanha para as eleições legislativas de outubro. 

Num comunicado conjunto, a CIR diz que a decisão acontece após "diversos encontros formais a pedido de todas as forças políticas (...)". No entanto, "apesar de todos, de uma ou outra forma, se mostrarem solidários com a nossa causa, tais reuniões revelaram-se, afinal, inconsequentes, sem que na prática nenhuma das propostas de alteração às leis em causa tenham sido consideradas". 

Rádios queixam-se da lei da rádio

No longo comunicado, a CIR tenta referir todos os pontos que afetam atualmente o setor radiofónico.

A começar, desde logo, pela lei da rádio.

O grupo informativo lamenta que "nenhum dos pontos do nosso “caderno reivindicativo para o setor” tenha sido considerado, apesar de amplamente reconhecido, e há anos apresentado, a todas as bancadas parlamentares da Assembleia da República. Reunimos com todas e com cada uma das forças políticas a quem demos a conhecer os nossos reais problemas". Apesar do reconhecimento de que as leis aprovadas foram "altamente lesivas para as rádios em detrimento de outros interesses", elas não foram revogadas. 

A CIR frisa o facto de ser possível "a atribuição de Tempos de Antena, naturalmente pagos, a rádios temáticas musicais, que não têm quaisquer custos na cobertura jornalística deste ou de  qualquer outro ato eleitoral, por simplesmente não fazerem esse trabalho, deixando de fora as rádios locais generalistas, estas sim obrigadas a empenhar os seus já débeis meios e recursos ao serviço da democracia, sem obterem para isso qualquer receita proveniente dos referidos Tempos de Antena". 

Mas a CIR não esquece outras leis. A imposição da lei da cópia privada e dos direitos de autor e conexos também é um dos alvos da missiva, acusando estas leis de serem "altamente rentáveis para as entidades privadas que representam os interesses da indústria da música" mas também "altamente lesivas para as rádios", devido à imposição de "um valor de 5%" da faturação de cada rádio, sempre com um valor mínimo, "sem negociação, verba a reverter para uma empresa também ela privada". 

Apesar de ressalvar que o trabalho efetuado pelas rádios locais é reconhecido pelos ouvintes, a CIR diz que tem "a obrigação de informar com verdade, de por a par o país dos contínuos ataques de que somos alvo e que nos põe em risco a muito curto prazo", levando o grupo ao boicote à cobertura. 

Recorde-se que a CIR já havia boicotado a cobertura das ações de campanha das eleições europeias em março. Na altura, Fernando Sérgio, porta-voz da CIR, referia que as rádios locais não eram "de se queixar. Os problemas existem e vamos tentando resolvê-los "dentro de portas". O membro da CIR referia também que a rádios locais não "são apoiadas ou financiadas pelo Estado", vivendo "exclusivamente das receitas da publicidade", e que, a título da transparência, se exigia às rádios "uma carga burocrática maior do que a qualquer gigante  empresarial cotada na bolsa de valores. O Estado, em vez de apoiar as rádios, asfixia-as com exigências", sustentava.   

estamos no facebook e no twitter.
visita também a bilheteira do largo. e torna-te patrono.
publicidade