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o largo.

#informação #entretenimento #rádio

08.09.19

Negócio Cofina/TVI: nada pode parar a compra

Jornal SOL diz que vários jornalistas estão na porta de saída e que a TVI 24 é para encerrar


Bruno Micael Fernandes

Divulgação

A capa do jornal Sol deste sábado é taxativa: pouco ou nada pode impedir a compra do grupo Media Capital (que controla a TVI ou a Rádio Comercial) por parte da Cofina

Apesar da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ou a Autoridade da Concorrência (AdC) terem referido, na semana passada, não terem sido notificadas sobre uma eventual compra do grupo de media pela dona do Correio da Manhã, o jornal Sol diz que Paulo Fernandes, dono e presidente da Cofina, reuniu informalmente com as duas entidades e com o primeiro-ministro António Costa. O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa também foi posto ao corrente do negócio.

Mas vamos por partes. 

Alterações editoriais a caminho

Segundo o jornal SOL, caso o negócio avance, haverá alterações de fundo em Queluz de Baixo. A Cofina fez uma série de exigências como a saída de algumas figuras de proa da estação.

Um dos casos é o de José Alberto Carvalho, apesar deste não estar nos quadros da estação mas sim numa empresa prestadora de serviços. O pivô do "Jornal das 8" referiu ao jornal não saber "de onde veio a informação" mas acrescentou que o trabalho realizado por si é "público e fala por si". Judite de Sousa, atual diretora adjunta de informação, e Joaquim Sousa Martins, editor-chefe da TVI 24, estão também na berlinda pois pertencem ao grupo dos elementos "mais caros" da estação. 

Outra das saídas será de José Eduardo Moniz, atual consultor de conteúdos de Entretenimento e Ficção da estação. O segmento do "Jornal das 8" "Deus e o Diabo", que foi de "férias" no passado mês de junho, ainda não regressou à antena... e pode mesmo não regressar. Segundo o Sol, este segmento não faz parte da nova grelha de programação já sob a "batuta" de Filipa Garnel. 

Mas outra grande alteração é o encerramento da TVI 24. Ao contrário do que o jornal digital Observador avançava a 14 de agosto, a venda da CMTV não é equacionada nem deverá haver fusão entre o canal do Correio da Manhã  e a estação de informação da "Quatro": o canal que ocupa a posição 7 em todos os operadores desaparece, favorecendo assim a marca "Correio da Manhã" no segmento "informação", que se torna a marca principal de todo o grupo de media. 

Correio da Manhã/Direitos reservados

Valores em negociação abaixo dos oferecidos pela Altice 

O negócio é simples de explicar: a Cofina está a negociar com a Prisa a compra da Vertix. É nesta empresa que estão concentrados 94,69% do capital social da Media Capital.

O negócio foi confirmado depois de uma notícia do Expresso, a 14 de agosto, ter feito soar os alarmes da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e esta, ter suspendido a negociação das ações da Cofina e da Media Capital. Na altura, o semanário dava conta que havia sido assinado um "Memorandum of Understanding" ("memorando de entendimento") para uma negociação exclusiva. O acordo entre Paulo Fernandes e a Prisa havia sido assinado há três semanas, afastando outros interessados como o empresário Mário Ferreira, dono da DouroAzul. 

A 15 de agosto, a Prisa confirma as negociações. A 16 de agosto, a Cofina faz o mesmo, adiantando que poderia ser lançada uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para conseguir reunir os 5,31% da Media Capital e que estão dispersos, sendo que as negociações decorrem ao longo de um período de trinta dias passível de ser alargado por vontade das partes. 

É preciso lembrar o preço "em cima da mesa" aquando o negócio fracassado entre a Media Capitale a Altice. Na altura, a compra não foi avante pois a AdC não aceitou os "remédios" que a operadora propôs, tendo o gigante espanhol de media desistido de vender. Os valores não eram pequenos: cerca de 440 milhões de euros. 

Aquando a sua saída da Media Capital, Rosa Cullel, ex-CEO do grupo português, referiu, em entrevista à Rádio Observador, que o negócio não se fez devido a "vários motivos: a AdC não pôs as coisas fáceis", sendo que a entidade "impôs condições que a Altice não quis avaliar".

No entanto, os valores que estão em negociação neste negócio com a Cofina são bem inferiores. O Sol refere que a venda, a acontecer, terá um valor quase 30% inferior do que foi proposto pela Altice. O Sol diz que o negócio passa por aumentar o capital da Cofina. Para isso, os vários acionistas de referência acompanharão o aumento de capital mas também deverá ser permitida a entrada novos acionistas no grupo. "No setor, 

TDT: um desejo antigo 

A confirmar-se o negócio, a Cofina consegue concretizar um desejo antigo: ter um canal na Televisão Digital Terrestre (TDT).  

Em 2007, à Meios & Publicidade, Luís Santana, administrador da holding Cofina Media, referia que havia "um projeto de televisão generalista preparado para arrancar logo que tal seja possível, preferencialmente antes da TDT". 

O projeto arrancou... em março de 2013. Era a CMTV.

Passados seis meses do aparecimento do "canal 8", Paulo Fernandes voltava a manifestar o desejo da Cofina em marcar a presença na rede numa missiva dirigida à ERC. Na carta, o empresário sustentava que o grupo estava preparado para desenvolver um projeto credível e sustentado" na TDT, "quer a nível de conteúdos, quer a nível da ‘expertise’ tecnológica", comprometendo-se a apresentar "um projeto de interesse nacional, com qualidade técnica, privilegiando a produção nacional e a língua portuguesa".

Na mesma altura, numa conferência de imprensa de balanço de seis meses de emissões do canal do Correio da Manhã,  o empresário queixava-se do "duopólio" dos grupos Impresa Media Capital. "Nós temos sido sistematicamente discriminados no acesso à televisão em sinal aberto. A televisão representa 75% das receitas publicitárias", referia Paulo Fernandesm acrescentando que o duopólio impedia "o acesso dos operadores". 

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