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        "name": "Bruno Micael Fernandes"
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            "title": "Vila Nova de Cerveira promove encontro de culturas com festival &quot;O Mundo a Dançar&quot;",
            "summary": "<p>Festival Internacional de Folclore traz grupos do Equador, Quénia, Sérvia e Taiwan. </p>\n",
            "content_html": "\n<p>É organizado pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo de Barbeita, Vila Nova de Cerveira, mas tem os olhos postos no mundo. <strong>O Festival Internacional de Folclore \"O Mundo a Dançar\" acontece já na próxima semana, a 4 de agosto.</strong> </p>\n<p>Numa nota enviada às redações, o município cerveirense refere que este evento trará \"espetáculos marcados pela autenticidade das suas expressões artísticas e culturais\" de quatro grupos internacionais. <strong>ÑUKANCHIK ECUADOR (Equador), Kikwetu Afrika (Quénia), TUCOVIC (Sérvia) e YiTzy Folk Dance Theatre (Taiwan) são os grupos convidados para este evento que pretende trazer ao público \"uma viagem pelos sons, ritmos, trajes e tradições de diferentes pontos do mundo</strong>, reforçando a importância do folclore como património cultural vivo e veículo de aproximação entre povos\", acrescenta a autarquia. </p>\n<p><strong>O festival \"Mundo a Dançar\" é de entrada livre e acontece na praça Alto Minho, a partir das 22h. </strong></p>",
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                   "Palcos",
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            "date_published": "2026-07-28T11:54:10+01:00",
            "date_modified": "2026-07-28T11:54:18+01:00"
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            "title": "o largo. renova plataforma digital com foco na curadoria de conteúdos e fluidez de leitura",
            "summary": "<p>Versão beta já está online com um novo sistema de gestão mais rápido e um design centrado na informação. Projeto prepara ainda o lançamento de um espaço digital autónomo para a rádio.</p>\n",
            "content_html": "\n<p data-path-to-node=\"3\"><strong>O blogue o largo. lançou esta segunda-feira, dia 27, em olargo.pt, uma nova versão do sua plataforma, assinalando uma revisão integral do design e uma alteração estrutural da sua infraestrutura tecnológica.</strong> Atualmente em fase beta, a atualização foi desenhada para oferecer uma experiência de navegação mais leve e rápida aos leitores.</p>\n<p data-path-to-node=\"4\">A principal transformação é visível na nova página inicial, que foi totalmente redesenhada para dar primazia aos conteúdos produzidos pelo blogue cultural. <strong>Esta reestruturação acompanha uma aposta mais vincada na seleção e curadoria editorial por parte da redação, privilegiando o acesso direto à informação.</strong></p>\n<p data-path-to-node=\"5\">Além da renovação estética,<strong> a transição para um novo sistema de gestão de conteúdos (CMS) assegura também uma maior agilidade no carregamento dos artigos. </strong>Durante os próximos dias, está previsto o lançamento de novas funcionalidades e integrações que virão completar todo o ecossistema </p>\n<p data-path-to-node=\"6\"><strong>\"Este é o primeiro passo da nova fase d'o largo.\", garante o diretor da publicação Bruno Micael Fernandes, frisando que a equipa quer \"acrescentar valor, dando foco à notícia e à informação e acreditamos que este redesenho reforça o nosso compromisso de mostrar tudo o que acontece\"</strong>. O blogue esteve presente em várias plataformas, tendo arrancado no serviço <em>SAPO Blogs</em> e transitado para uma plataforma própria há cinco anos. Ainda tentou um regresso à plataforma detida pelo portal da <em>MEO,</em> mas, com o encerramento anunciado no início de 2026, o projeto teve de regressar às origens e escolher uma nova plataforma para viver. \"Esta mudança para um novo CMS representa um comprometimento com um projeto que se quer mais ativo do que nunca\", assegura o responsável. </p>\n<p data-path-to-node=\"7\">A par do blogue, o projeto encontra-se em renovação noutras frentes. <strong>A rádio digital d'</strong>o largo.<strong>, a </strong>o largo. rádio<strong>, está em processo de reestruturação e passará a dispor de um espaço digital próprio muito em breve.</strong></p>",
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            "author": {
                "name": "o largo. redação"
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            "date_published": "2026-07-27T17:55:00+01:00",
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            "title": "Alice no país das (des)maravilhas",
            "summary": "\"Existe um paradoxo cruel na forma como a sociedade trata os sobreviventes de doenças graves: celebramos a sua coragem nas redes sociais, [...] mas, quando essa mesma pessoa aparece à nossa frente, [...] o aplauso silencia-se e o preconceito toma o seu lugar.\"\n",
            "content_html": "\n<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true,\"className\":\"\",\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451550\"} -->\n<p class=\"has-drop-cap\">Há histórias que deveriam inspirar e, em vez disso, transpiram rejeição. Este é o retrato de uma sociedade que ainda não aprendeu a olhar para além da superfície.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451557\"} -->\n<p>A Alice terminou a sua licenciatura. Lutou contra um cancro da pele, sobreviveu, estudou, cresceu. Tem currículo, tem determinação, tem tudo o que qualquer empregador deveria querer. Mas quando entrou num estabelecimento da sua cidade à procura de emprego, o que os potenciais empregadores viram foi outra coisa: as marcas visíveis do tratamento, o boné que protege a pele ainda frágil, uma aparência que foge ao padrão do que consideram “adequado”.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451564\"} -->\n<p>Resultado? Porta fechada.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451578\"} -->\n<p>Não por falta de competências. Não por falta de vontade. Mas por algo que Alice não pode controlar: as sequelas de uma batalha que venceu.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1782154531225\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Estigma que persiste depois da cura.</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154528156\"} -->\n<p>Existe um paradoxo cruel na forma como a sociedade trata os sobreviventes de doenças graves. Celebramos a sua coragem nas redes sociais, aplaudimos os testemunhos de superação, partilhamos vídeos emocionantes de pessoas que “venceram o cancro”. Mas quando essa mesma pessoa aparece à nossa frente, com as marcas físicas dessa luta, o aplauso silencia-se — e o preconceito toma o seu lugar.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451599\"} -->\n<p>O sociólogo Erving Goffman descreveu este mecanismo com precisão cirúrgica na sua obra Estigma: a sociedade tende a atribuir uma identidade “deteriorada” a quem apresenta características visíveis que fogem à norma. O estigma não é uma consequência da doença — é uma construção social. É fabricado pelo olhar alheio, pela ignorância, pelo medo daquilo que não se compreende.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451605\"} -->\n<p>E esse estigma não desaparece quando a pessoa recebe alta médica. Muitas vezes, é aí que começa.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451612\"} -->\n<p>Não é Só Alice</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451620\"} -->\n<p>Seria cómodo tratar o caso de Alice como uma exceção, um incidente isolado. Não é.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451627\"} -->\n<p>Em Portugal e no mundo, milhões de pessoas com sequelas de cancro, doenças autoimunes, esclerose múltipla, fibromialgia, lupus, ou qualquer condição que deixe marcas visíveis ou invisíveis, enfrentam diariamente barreiras no mercado de trabalho que nada têm a ver com a sua capacidade profissional. Enfrentam-nas nas entrevistas de emprego, nos comentários dos colegas, na condescendência dos superiores, na suposição de que “não vão aguentar o ritmo”.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451634\"} -->\n<p>O que é particularmente perverso nesta discriminação é que se manifesta, muita das vezes, de forma inconsciente. O empregador que recusou a Alice provavelmente não se considera uma pessoa preconceituosa. Talvez nem tenha percebido o que fez. Tomou uma decisão guiado por um desconforto que não soube nomear — e esse desconforto custou à Alice uma oportunidade que ela merecia.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1782154550231\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma falha Cultural, e não apenas individual.</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451648\"} -->\n<p>Seria fácil culpar o empregador e dar o assunto por encerrado. Mas isso seria uma leitura demasiado curta do problema.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451656\"} -->\n<p>A filósofa e teórica política Nancy Fraser argumenta que a verdadeira justiça social exige duas dimensões: a redistribuição de recursos económicos e o reconhecimento das identidades e experiências dos grupos marginalizados. Uma sociedade justa não é apenas aquela que distribui riqueza — é aquela que reconhece a dignidade de todos os seus membros, incluindo os que apresentam corpos que fogem ao ideal estético dominante.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451662\"} -->\n<p>A discriminação de Alice não é apenas a falha de um empregador. É o sintoma de uma cultura que continua a associar valor humano à aparência física, à saúde perfeita, à produtividade sem interrupções. Uma cultura que celebra a superação nos livros de autoajuda, mas pune os sobreviventes na vida real.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1782154566042\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que podemos fazer, e o que temos obrigação de fazer.</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451675\"} -->\n<p>A mudança começa no reconhecimento honesto do problema. E depois?</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451683\"} -->\n<p>Nas empresas, é fundamental implementar políticas de recrutamento verdadeiramente inclusivas, com formação dos recrutadores para identificar e combater preconceitos inconscientes. A aparência física, salvo raras exceções funcionais, não pode ser critério de seleção.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451688\"} -->\n<p>Nas escolas e universidades, é preciso educar as novas gerações para a diversidade corporal e de experiências de saúde. Naturalizar a diferença não é um exercício de tolerância — é um imperativo de justiça.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451700\"} -->\n<p>No plano legislativo, Portugal dispõe de mecanismos legais de proteção contra a discriminação, mas a sua aplicação ao contexto das sequelas de doenças é frequentemente vaga e insuficiente. É urgente clarificar e reforçar essas proteções.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451705\"} -->\n<p>E cada um de nós, enquanto colega, familiar, amigo, cliente ou simplesmente cidadão, tem o poder de normalizar o que hoje ainda causa estranheza. Um olhar sem julgamento, uma palavra de reconhecimento, a recusa em rir de uma piada sobre aparência — estes gestos pequenos constroem, aos poucos, uma sociedade menos cruel.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1782154573569\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclusão: O que a Alice merecia.</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451717\"} -->\n<p>A Alice merecia que a sua resiliência fosse vista como o ativo profissional que é. Merecia que a sua história — de doença, de luta, de regresso — fosse entendida como prova de carácter e não como motivo de suspeita.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451723\"} -->\n<p>Merecia, simplesmente, uma oportunidade.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451729\"} -->\n<p>A pergunta que devemos fazer não é apenas “Como podemos incluir pessoas como a Alice?”. A pergunta mais honesta será: que tipo de sociedade queremos ter? Uma que aplaudiu a sobrevivência e fechou a porta à sobrevivente? Ou uma capaz de reconhecer que a força de uma pessoa não se mede pela perfeição da sua pele, mas pela inteireza do seu carácter?</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451735\"} -->\n<p>A resposta está nas nossas mãos. E nas portas que decidimos abrir — ou não.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1782154451743\"} -->\n<p>A discriminação baseada em sequelas de doenças é uma realidade documentada e subnotificada em Portugal. Se já viveu ou testemunhou uma situação semelhante, partilhe. A visibilidade é o primeiro passo para a mudança.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:block {\"ref\":448104} /-->",
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            "author": {
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                   "Tribuna Livre",
                   "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa"
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            "date_published": "2026-06-22T19:59:26+01:00",
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            "title": "Morreu o ator João Barbosa",
            "summary": "Teve participações em teatro, cinema e televisão. Tinha 56 anos.\n",
            "content_html": "\n<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1780261875020\"} -->\n<p class=\"has-drop-cap\"><strong>O ator português João Barbosa faleceu este domingo, em Lisboa. </strong>A informação foi avançada pela companhia Teatro do Bairro nas redes sociais. </p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1780267293775\"} -->\n<p>No comunicado, a companhia descreveu a morte como sendo de \"uma profunda tristeza\": \"<strong>Mais, muito mais, do que um elemento da nossa companhia, o João foi presença, amizade, generosidade e coração\"</strong>, refere o grupo, acrescentando que o ator \"deixou marcas impossíveis de apagar [...]. A sua partida deixa um vazio imenso, mas também uma herança de afeto, dedicação e humanidade que continuará a inspirar-nos todos os dias\". </p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1780261953767\"} -->\n<p>Nascido em Bruxelas, Barbosa estreou-se na peça \"Ópera do Malandro\", em 2003, numa encenação para os finalistas da Escola Escola de Atores para Cinema e Televisão. Esteve também em peças do Teatro do Bairro como \"Ubu Rei\" ou \"Rei Lear\". Da sua carreira, contam participações em séries como \"Noite Sangrenta\" ou \"Até Amanhã, Camaradas\", além da presença em películas de João Canijo. </p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1780261920665\"} -->\n<p><strong>João Barbosa tinha 56 anos. </strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->",
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            "author": {
                "name": "Bruno Micael Fernandes"
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                   "Palcos",
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            "date_published": "2026-06-01T01:37:24+01:00",
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            "title": "Lego, hip-hop e deepfakes: como o Irão usa inteligência artificial para moldar a opinião ocidental",
            "summary": "<p>O conflito que envolve o Irão está a revelar novas lições sobre a forma como a inteligência artificial está a ser utilizada como arma na guerra moderna e na política internacional.</p>\n",
            "content_html": "<!-- wp:canvas/alert {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-alert-1709046350587\",\"canvasLocation\":\"root\",\"className\":\"is-style-default\",\"metadata\":{\"categories\":[2687],\"patternName\":\"core/block/457351\",\"name\":\"RFE/RL (Introdução)\"}} -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1709046340250\"} -->\n<p><em>Este artigo é uma tradução para <strong>português de Portugal</strong> de um <a href=\"https://www.rferl.org/a/lego-hip-hop-deepfakes-iran-ai-propaganda/33756098.html\" target=\"_blank\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  rel=\"noreferrer noopener\">artigo em inglês</a> da <strong>Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).</strong></em></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- /wp:canvas/alert -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779192680160\"} -->\n<p>Desde vídeos virais ao estilo Lego e faixas de hip-hop geradas por Inteligência Artificial (IA) até imagens fabricadas de campos de batalha, a guerra no Irão está a revelar como a IA tem sido convertida numa arma tanto na guerra como na diplomacia modernas.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779192696147\"} -->\n<p>Para analisar esta rápida mudança, a <em>RFE/RL </em>falou com Max Lesser, analista sénior de ameaças emergentes no Centro de Inovação Cibernética e Tecnológica da <em>Foundation for Defense of Democracies</em> (FDD).</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779192706310\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: Tem acompanhado de perto as operações de influência iranianas. Quão sofisticado se tornou o Irão no espaço online? Estamos a assistir ao desenrolar da primeira verdadeira guerra de IA do mundo no Irão?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779192731126\"} -->\n<p><strong>Max Lesser:</strong> O Irão tem-se tornado cada vez mais sofisticado nas suas operações de influência <em>online</em>. Houve, sem dúvida, uma mudança significativa. Os vídeos de Lego criados por IA são, provavelmente, um dos esforços de propaganda mais bem-sucedidos que já vi sair do Irão com o objetivo de atingir públicos estrangeiros. No entanto, este é apenas um tipo de operação de influência iraniana. Já realizaram operações de roubo e fuga de informação (<em>hack-and-leak</em>) bem-sucedidas, por exemplo, contra a campanha de Donald Trump na preparação para as eleições de 2024, e têm um longo historial de operações agressivas de influência direcionadas a públicos externos.<br>Não diria, pessoalmente, que esta é a primeira guerra de IA. Em conflitos anteriores, como durante a guerra de 12 dias [em junho de 2025], o Irão já criava e disseminava <em>deepfakes</em> nos meios de comunicação estatais e canais semelhantes.<br>O que distingue o momento atual é que, apesar do longo historial do Irão no uso da IA em operações de influência dirigidas ao exterior, creio que até agora não o tinham feito com particular sucesso. Neste momento, estão a ter um impacto maior porque descobriram como usar a IA para comunicar com os norte-americanos de formas que geram empatia, através de música <em>hip-hop</em> e vídeos Lego. Aparentemente, até existem americanos simpatizantes a sugerir-lhes o que devem incluir no próximo vídeo.<br>Portanto, não é a primeira vez que o Irão utiliza IA em propaganda e operações de influência, nem é a primeira vez que o faz em tempo de guerra. Contudo, considero que é a primeira vez em que vemos a sua utilização de IA causar um impacto tão evidente.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1779192922847\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\"A Guerra Psicológica é fundamental\"</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779192731224\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: Para compreendermos a real dimensão desta situação: quando as pessoas no Ocidente navegam nas redes sociais durante este conflito, que percentagem do que veem poderá ser efetivamente falsa?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196596991\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> É difícil quantificar, uma vez que o <em>feed</em> de cada pessoa é diferente, consoante as preferências e os algoritmos. Mas, no que toca a falsificações e <em>deepfakes</em> especificamente, sempre que as pessoas veem vídeos que alegam mostrar ataques ou imagens de combate, devem verificá-los antes de acreditarem. Por vezes, há imagens reais de ataques bem-sucedidos, mas há também muitas técnicas a ser utilizadas para fabricar ou manipular imagens.<br>E não é apenas o Irão que o faz. Na verdade, comecei a monitorizar este tipo de comportamento há anos, quando os Houthis, um grupo aliado do Irão, usavam imagens geradas por IA de navios em chamas durante os ataques no Mar Vermelho.<br>Existe, inequivocamente, um precedente para este tipo de comportamento. Isto acontece há anos. Sempre que as pessoas se deparam com esse tipo de imagens, devem ter cautela e procurar fontes de verificação fora das redes sociais.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597035\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: O Irão está a utilizar a IA maioritariamente para disseminar propaganda ou para criar, de forma deliberada, confusão e pânico no Ocidente? O que procuram, exatamente, comunicar através destas campanhas?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597044\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> Uma grande parte passa por contar a sua versão da história e espalhar narrativas, como a de que os EUA são imperialistas e de que o Irão representa a resistência a essa opressão. Muitas das mensagens tentam alinhar o governo iraniano e a sua luta contra a América com as causas progressistas nos Estados Unidos.<br>Num dos seus vídeos de Lego recentes, mostraram um homem iraniano à conversa com um ativista liberal anti-Trump em Portland. Também fizeram referências aos protestos do movimento <em>Black Lives Matter</em> e a manifestações anti-Trump.<br>Há um vasto volume de mensagens concebido para apelar a públicos específicos na América: pessoas que são contra a guerra e contra Trump. Surpreendentemente, viu-se até a utilização de imagens com as cores do arco-íris, apesar de o Irão ser um país que persegue fortemente a homossexualidade. Estão a usar narrativas e imagens de forma estratégica, as quais acreditam que irão ecoar junto dos públicos ocidentais.<br>Outro tema central é [o financeiro norte-americano e abusador de menores condenado, Jeffrey] Epstein. Frequentemente, referem-se às elites americanas e israelitas como a \"classe Epstein\" e tentam retratar-se como parte de um movimento global de resistência contra as elites corruptas. Mais uma vez, o fator mais poderoso é a narrativa. É isso que atrai os cliques.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597094\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: Sabe-se quem, dentro do sistema iraniano, está a coordenar estas campanhas? E até que ponto é que isto é automatizado, envolvendo <em>bots</em>, influenciadores sintéticos, contas geradas por IA, etc.?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597102\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> Um ator importante é a Basij, a força paramilitar voluntária do Irão. A Basij dispõe de unidades focadas especificamente em propaganda e operações psicológicas. Muito desse trabalho destina-se ao plano interno. A Basij utiliza as operações de influência como uma ferramenta de controlo interno contra a população iraniana.<br>Eles inundam as redes sociais iranianas e as plataformas ocidentais, como <em>o X</em>, com propaganda em língua persa dirigida aos iranianos e à sua diáspora. Na FDD, documentámos centenas destas contas, embora acreditemos que existam provavelmente milhares envolvidas nesta atividade.<br>Depois, existem diferentes unidades no interior [do Corpo da Guarda Revolucionária do Irão], bem como o Ministério de Informações e Inteligência do Irão, conhecido como MOIS. Todos estes grupos têm estado envolvidos em operações de influência, ciberataques e guerra de informação.<br>A emissora estatal do Irão, a IRIB, também desempenha um papel, semeando propaganda a nível interno que, mais tarde, se espalha para o estrangeiro. Porém, existe também uma zona cinzenta onde civis pró-regime participam de forma independente ou semi-independente.<br>Por exemplo, os criadores dos vídeos em Lego negaram, numa fase inicial, terem ligações ao governo iraniano, mas mais tarde admitiram que o executivo era um dos seus clientes. O que continua por esclarecer é se recebem ordens diretas de Teerão ou se produzem simplesmente conteúdos que o governo distribui posteriormente.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597163\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: Para além do <em>X </em>e do <em>TikTok</em>, existem plataformas específicas que o Irão esteja a usar como arma contra o Ocidente, como o <em>Telegram</em>, o <em>Instagram</em> ou outras?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597173\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> Sem dúvida. O <em>Telegram</em> é amplamente utilizado para coordenação, visto que é menos popular entre os americanos e oferece menos restrições. Temos observado operações de influência iranianas a recorrer ao <em>Telegram</em> para recrutar e coordenar participantes.<br>A Meta também divulgou um relatório no início do conflito a explicar que agentes iranianos se faziam passar por americanos no <em>Facebook</em> e no <em>Instagram</em> para interagirem diretamente com o público dos EUA.<br>Criavam também meios de comunicação e organizações noticiosas fictícias. Plataformas como a Meta tendem a aplicar as suas políticas de forma mais agressiva, sendo essa a razão pela qual o Irão recorre frequentemente a táticas mais dissimuladas nessas redes.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597204\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: Tem alertado para os ecossistemas de influência autoritária. Quão estreita é, atualmente, a colaboração <em>online</em> entre o Irão, a Rússia e a China?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597215\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> É muito difícil provar uma coordenação operacional direta. Pessoalmente, não vi provas concretas de que troquem mensagens nos bastidores e coordenem campanhas de propaganda em conjunto. No entanto, utilizam inequivocamente os conteúdos uns dos outros, refletem as mesmas narrativas e copiam táticas entre si.<br>A Rússia foi, na verdade, uma das pioneiras neste espaço com contas falsas, operações de pirataria e divulgação de dados, e campanhas de influência ocultas. O Irão e a China aprenderam com esses modelos e desenvolveram as suas próprias versões.<br>Por exemplo, a Rússia levou a cabo a [operação] <em>hack-and-leak</em> contra a campanha [presidencial] de [Hillary] Clinton em 2016, enquanto o Irão conduziu uma operação semelhante e de grande visibilidade, tendo como alvo a campanha de Trump em 2024.<br>Embora não possa afirmar que exista uma coordenação confirmada, estão claramente a aprender uns com os outros, a reproduzir-se e, por vezes, a copiarem-se diretamente.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597256\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: Os Estados Unidos estão preparados para este tipo de guerra psicológica impulsionada pela IA?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597263\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> Não me parece. Basta olhar para o que aconteceu com os vídeos em Lego. Não existiu uma resposta propriamente dita e significativa por parte dos Estados Unidos. Mas também é difícil saber qual deveria ser a resposta. Não podemos simplesmente retirar estes vídeos da Internet. Temos uma Internet livre e aberta, bem como leis que protegem a liberdade de expressão.<br>Mesmo que os eliminem de uma plataforma, reaparecerão noutro lado: no <em>Telegram</em> ou noutras plataformas com menos moderação. Portanto, a solução não passa apenas pela remoção de conteúdos. A América tem de educar a sua própria população sobre quem é o regime iraniano, como oprime a sua população e como utiliza a propaganda de forma estratégica. Em última análise, é isso que tornará as pessoas menos suscetíveis a estas campanhas.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597283\"} -->\n<p><strong>RFE/RL: As redes de influência iranianas estão a focar-se nos públicos americano e europeu de forma diferente de modo a explorarem a polarização política dentro das democracias ocidentais?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1779196597292\"} -->\n<p><strong>Lesser:</strong> Adaptam, sem dúvida, a mensagem. Por exemplo, promoveram narrativas de independência da Escócia através de contas encobertas que visavam o público escocês. Criaram igualmente meios de comunicação franceses falsos e campanhas direcionadas na Europa.<br>Mas muitas das narrativas que utilizam na América também geram eco na Europa: as mensagens anti-Trump, a retórica anti-guerra e as narrativas contra o sistema estabelecido. No fundo, o que estão a dizer é: “És contra o Trump? Nós também somos. És contra esta guerra? Nós também somos contra esta guerra.” Depois, embalam essas narrativas em vídeos de Lego emocionalmente envolventes e com músicas cativantes, o que faz com que as pessoas se comecem a sentir emocionalmente alinhadas com eles.<br>O governo norte-americano precisa de fazer um trabalho melhor na forma como informa o público sobre a real brutalidade do regime iraniano, como trata a sua própria população e há quanto tempo apoia o terrorismo e a repressão.<br>O Irão está a contar uma história. Os Estados Unidos precisam de responder, contando uma história mais forte e verdadeira.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:block {\"ref\":452479} /-->",
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            "title": "Os Millennials: das disquetes à Cloud",
            "summary": "\"Ao aprenderem a integrar as lições do passado com as inovações do presente, [os millenials] podem construir um caminho que não só honra as tradições, mas também acolhe a mudança. \"\n",
            "content_html": "\n<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480552195\"} -->\n<p class=\"has-drop-cap\">A geração dos <em>millennials</em>, aqueles que nasceram entre o principio dos anos 80 e a chegada aos anos 2000, encontra-se numa posição única e, muitas vezes, desafiadora. Eles são os intermediários entre dois mundos: o tradicional, marcado por valores e realidades pré-digitais, e o digital, onde a informação flui a uma velocidade vertiginosa. Este fenómeno, acrescido ao facto de ser a “geração sandwich” atual, carrega consigo uma série de responsabilidades e pressões que podem impactar profundamente o seu bem-estar psicológico.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1777480561997\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dupla Exposição: O Conflito de Gerações</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553168\"} -->\n<p>Na Antropologia, o conceito de “transição cultural” é fundamental para entender como as sociedades evoluem e se adaptam. Os <em>millennials</em> são, de certa forma, os arautos desta transição, vivendo num espaço onde as expectativas dos pais em relação ao sucesso e à estabilidade financeira se confrontam com a realidade incerta do mundo digital. Enquanto os seus pais, maioritariamente da geração X ou Baby Boomers, valorizam a segurança no emprego e a vida familiar convencional, os <em>millennials</em> são frequentemente empurrados para o empreendedorismo, a flexibilidade e a inovação. Esta discrepância gera um dilema: como equilibrar as expectativas familiares com as novas oportunidades e desafios que a era digital proporciona?</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553176\"} -->\n<p>A sobrecarga de informações é outra pressão significativa. Com acesso a um mundo de dados e opiniões a um clique de distância, os <em>millennials</em> enfrentam uma avalanche de perspectivas que podem ser confusas e contraditórias. Isso gera um estado de paralisia decisional, onde a dificuldade em escolher um caminho se torna um fardo emocional. A constante comparação com os outros, amplificada pelas redes sociais, pode levar a sentimentos de inadequação e ansiedade, criando um ciclo vicioso que afeta a saúde mental.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1777480573794\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sabedoria de Duas Realidades</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553190\"} -->\n<p>Apesar dos desafios, a geração <em>millennials</em> também possui um rico capital cultural. Crescendo em dois mundos, eles desenvolvem uma perspetiva única que combina a sabedoria das tradições com a inovação da era digital. Esta habilidade de transitar entre diferentes realidades permite que os <em>millennials</em> sejam mais adaptáveis e resilientes, características valiosas num mundo em constante mudança. Eles aprendem a navegar em ambientes complexos, conciliando o que aprenderam com os seus pais, com as novas práticas e tecnologias que emergem.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553196\"} -->\n<p>Além disso, a experiência de ser a “geração sanduíche” pode também fortalecer laços familiares. Os <em>millennials</em> encontram-se, frequentemente, a cuidar não apenas dos seus filhos, mas também dos seus pais, criando uma dinâmica de apoio mútuo que pode ser enriquecedora. Este papel de mediador entre gerações pode fomentar um diálogo intergeracional que enriquece ambos os lados, promovendo uma compreensão mais profunda das necessidades e desafios de cada grupo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1777480591805\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Consequências Psicológicas e a Necessidade de Apoio</h3>\n<!-- /wp:heading -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553222\"} -->\n<p>Entretanto, a pressão persistente pode levar a consequências psicológicas significativas. O <em>burnout</em>, a ansiedade e a depressão são problemas que afetam muitos <em>millennials</em>, resultantes da tensão constante entre as expectativas familiares e as realidades do mundo moderno. É crucial que haja uma maior compreensão e apoio, tanto a nível familiar como comunitário, para que esta geração possa encontrar um equilíbrio saudável.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553227\"} -->\n<p>Os <em>millennials</em> têm uma oportunidade única de moldar o futuro, aproveitando a riqueza das suas experiências. Ao aprenderem a integrar as lições do passado com as inovações do presente, podem construir um caminho que não só honra as tradições, mas também acolhe a mudança. A chave está em reconhecer que, mesmo sob pressão, a sabedoria de duas realidades pode ser uma força poderosa para a criação de um futuro mais inclusivo e sustentável.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553232\"} -->\n<p>Em última análise, os <em>millennials</em> devem ser vistos não apenas como a “geração sanduíche” e intermediaria do analógico para o digital, mas também como os arquitetos de uma nova era, onde a convergência de mundos pode gerar um inimaginável potencial.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:canvas/alert {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-alert-1777480606302\",\"canvasLocation\":\"root\"} -->\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1777480553283\"} -->\n<p>Nota: A propósito, esta imagem foi gerada por IA</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<!-- /wp:canvas/alert -->\n\n<!-- wp:block {\"ref\":448104} /-->",
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                "name": "Anna Kosmider Leal"
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            "title": "Quinze anos a construir um largo.",
            "summary": "<p>\"o largo. tentou ser demasiadas coisas ao mesmo tempo: gastronomia, moda, sustentabilidade, entretenimento. Perdeu-se na tentativa de agradar a todos e acabou por não ser reconhecível para ninguém.\"</p>\n",
            "content_html": "<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737703779\"} -->\n<p class=\"has-drop-cap\">Em 2010, criei a <em>rádio kapa</em>. Não havia plano, não havia orçamento, não havia audiência garantida. Havia música — muita música — e a vontade de a partilhar com quem quisesse ouvir.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660438\"} -->\n<p>Seis anos depois, quando fui despedido injustamente, a resposta natural foi criar. Não por terapia, não por impulso — mas porque sempre acreditei que era possível fazer jornalismo independente, sério e factual, sem pedir autorização a ninguém. O <em>Largo do Beco</em> nasceu assim, em agosto de 2017, numa plataforma de blogues que entretanto está para encerrar. Mais tarde passou a chamar-se <em>o largo.</em>. O ponto final era intencional.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660450\"} -->\n<p>Quinze anos depois, o projeto ainda existe. Isso não é pouco.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660462\"} -->\n<p>Nesse tempo, atravessei plataformas que encerraram, migrações forçadas, períodos de silêncio e de dúvida. Acumulei custos do meu próprio bolso, sem retorno financeiro. Mantive uma rádio a emitir 24 horas por dia com uma grelha de programação que inclui nomes como Robin Schulz, DJ Chus e Ori Uplift — e que todas as semanas leva aos ouvintes o Airplay40, o top 40 europeu apresentado pelo locutor britânico Spencer James. Estabeleci parcerias formais.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660475\"} -->\n<p>Fiz tudo com diversas pessoas sensacionais que se foram cruzando no meu caminho e fizeram dos vários projetos uma experiência única e intensa. Mas muito do trabalho foi solitário, com noites mal dormidas ou com um trabalho permanente e dedicado a resolver problemas que surgiam, enquanto o tempo que tinha se foi esvaindo para outras necessidades.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660487\"} -->\n<p>Não escrevo isto para impressionar. Escrevo porque só recentemente percebi que o problema nunca foi o projeto — foi a clareza. <em>o largo.</em> tentou ser demasiadas coisas ao mesmo tempo: gastronomia, moda, sustentabilidade, entretenimento. Perdeu-se na tentativa de agradar a todos e acabou por não ser reconhecível para ninguém.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660503\"} -->\n<p>Em janeiro de 2026, o <em>SAPO Blogs</em> anunciou o encerramento. <em>o largo.</em> regressou à sua plataforma própria — o endereço mantém-se: olargo.pt. E dessa vez, em vez de apenas migrar o conteúdo, decidi migrar também o foco.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660514\"} -->\n<p>A partir de agora, <em>o largo.</em> organiza-se em torno do que sempre foi o seu coração: música, media e cultura portuguesa. O menu está a ser simplificado. As categorias que não faziam sentido estão a ser removidas. A rádio passa a ter mais destaque — porque é o elemento que mais nos distingue de qualquer outro projeto independente português.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660522\"} -->\n<p>Não faço promessas sobre o que vai ser <em>o largo.</em> amanhã. Quinze anos ensinaram-me que os projetos não se constroem com declarações — constroem-se com consistência. Com a honestidade de dizer o que somos e o que não somos.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660534\"} -->\n<p>O que somos: uma publicação digital independente com foco em música, media e cultura portuguesa, com uma rádio que emite 24 horas por dia.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660546\"} -->\n<p>O que não somos: um meio de comunicação generalista, uma redação com recursos ou um projeto que cresce depressa.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774737660554\"} -->\n<p>O que queremos ser: uma voz reconhecida. Com tempo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774739373671\"} -->\n<p>Mas mantenho uma certeza: queremos continuar a ter <strong>o mundo num blogue.</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->",
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            "author": {
                "name": "Bruno Micael Fernandes"
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            "date_published": "2026-03-28T23:18:14+00:00",
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            "title": "A guerra no Irão, os protestos e o futuro do regime",
            "summary": "Em entrevista à Agência Pública, a ativista iraniana Parvin Ardalan, exilada na Suécia, fala sobre as camadas de conflitos internos e externos e avalia desafios para redefinir futuro do Irão. Lê aqui um excerto e escuta a entrevista na íntegra.\n",
            "content_html": "\n<!-- wp:canvas/alert {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-alert-1709045662825\",\"canvasLocation\":\"root\",\"metadata\":{\"categories\":[2684],\"patternName\":\"core/block/458234\",\"name\":\"Agência Pública _ Cabeçalho\"}} -->\n<!-- wp:canvas/row {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-row-1697734034348\",\"canvasLocation\":\"default\"} -->\n<!-- wp:canvas/column {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-column-1697734034600\",\"canvasLocation\":\"default\",\"size\":3,\"verticalAlign\":\"center\"} -->\n<!-- wp:image {\"id\":454338,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"custom\",\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-image-1695186902387\"} -->\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https://www.apublica.org\" target=\"_blank\"   rel=\"noreferrer noopener\"><figure class=\"wp-image-454338\"><img loading=\"lazy\" src=\"https://olargo.pt/media/posts/3960/selonovo1.png\" alt=\"\"  sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https://olargo.pt/media/posts/3960/responsive/selonovo1-xs.png 300w ,https://olargo.pt/media/posts/3960/responsive/selonovo1-sm.png 480w ,https://olargo.pt/media/posts/3960/responsive/selonovo1-md.png 749w ,https://olargo.pt/media/posts/3960/responsive/selonovo1-xl.png 1200w\"></figure></a></figure>\n<!-- /wp:image -->\n<!-- /wp:canvas/column -->\n\n<!-- wp:canvas/column {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-column-1697734034607\",\"canvasLocation\":\"default\",\"size\":9} -->\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1695186902397\"} -->\n<p><strong>Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um <a href=\"https://apublica.org/2026/03/parvin-ardalan-guerra-do-ira-eua-novo-regime-e-o-futuro-do-pais/#_\" target=\"_blank\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  rel=\"noreferrer noopener\">artigo</a> da autoria de Andrea DiP, Sofia Amaral, Recardo Terto, Stela Diogo e Thaís Santana e disponibilizado originalmente no site da <em>Agência Pública</em>.</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<!-- /wp:canvas/column -->\n<!-- /wp:canvas/row -->\n<!-- /wp:canvas/alert -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480402495\"} -->\n<p class=\"has-drop-cap\">No último 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram um <a href=\"https://apublica.org/nota/ira-eua-e-israel-atacam-pais-por-ordens-de-donald-trump/\" target=\"_blank\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  rel=\"noreferrer noopener\">ataque militar</a> contra o Irã, na chamada “Operação Fúria Épica”. O ataque deixou centenas de mortos e ampliou o risco de uma escalada regional e até de uma nova corrida nuclear. Em meio aos ataques militares, as narrativas também entraram em disputa. Enquanto parte da imprensa e da população global acredita no objetivo de “libertar” o povo iraniano, dentro do país o conflito envolve disputas mais amplas e interesses que vão além da retórica de liberdade.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480404849\"} -->\n<p>Para falar sobre os conflitos internos e avaliar os desafios para redefinir o futuro do país, o <strong>Pauta Pública</strong> conversou com Parvin Ardalan, jornalista, escritora e ativista feminista. Cofundadora do Centro Cultural das Mulheres Iranianas e da Campanha “Um Milhão de Assinaturas”, Parvin vive hoje exilada na Suécia. Ela fala sobre sua trajetória pessoal, perseguições enfrentadas dentro do regime e como os Estados Unidos e aliados representam apenas mais uma forma de dominação, mas destaca que “nessa situação de fragmentação social, algumas pessoas passaram a concordar até com a guerra, porque pensavam que essa seria a única maneira de provocar uma mudança de regime”.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480404858\"} -->\n<p>Ardalan ainda destaca que o discurso dos Estados Unidos e Israel, de liberar o povo iraniano, não corresponde ao que acontece na realidade: “A guerra continua, muitas pessoas foram mortas e outras se espalharam pela região. […] A situação atual é muito difícil porque, de um lado, somos contra os países usarem o povo para seus próprios interesses. Por outro lado, enfrentamos a ditadura no Irã, que há muito tempo oprime, mata e reprime a população. Encontrar uma solução é extremamente difícil. Mas precisamos nos posicionar contra essa forma de dominação vinda de ambos os lados.”</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480404950\"} -->\n<p>Confira os principais pontos da conversa e ouça o podcast completo abaixo:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:html {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-html-1774480505088\"} -->\n<div class=\"post__iframe\"><iframe loading=\"lazy\" allow=\"autoplay *; encrypted-media *; fullscreen *; clipboard-write\" frameborder=\"0\" height=\"175\" style=\"width:100%;max-width:660px;overflow:hidden;border-radius:10px;\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-same-origin allow-scripts allow-storage-access-by-user-activation allow-top-navigation-by-user-activation\" src=\"https://embed.podcasts.apple.com/us/podcast/guerra-no-ir%C3%A3-protestos-e-o-futuro-do-regime-com-parvin/id1533328395?i=1000755064860\"></iframe></div>\n<!-- /wp:html -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480506407\"} -->\n<p><strong>Com ataques dos EUA e de Israel, mudança de regime, massacres. Temos visto muita desinformação na imprensa e nas redes sociais, inclusive entre pessoas da diáspora. Você poderia contextualizar para o público brasileiro o que realmente está acontecendo?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480514270\"} -->\n<p>Não é fácil nem para nós. Primeiro, é importante dizer que olhar os acontecimentos à distância, da diáspora, sempre envolve riscos e possíveis mal-entendidos. Isso significa que estou olhando de fora para dentro. E tentando analisar o que está acontecendo.<br>Para entender o que acontece hoje no Irã, precisamos ver isso como parte de um ciclo mais longo de protestos que vem se desenvolvendo há anos. Desde 2009, tivemos muitas manifestações populares. E com o tempo a distância entre elas foi ficando menor. Por exemplo, protestos de 2017 a 2020. Também houve protestos de professores, aposentados e trabalhadores. Todos relacionados a crises econômicas, ambientais e à perda de legitimidade da República Islâmica. Um dos maiores foi em setembro de 2022. Depois do assassinato de Gina Mahsa Amini,uma jovem curda morta por causa do hijab, que é obrigatório por lei. Depois que a polícia moral a atacou e ela morreu no hospital, começaram grandes protestos.<br>Foi quando também criamos a rede “Feminists for Gina”. As mulheres passaram a tirar o hijab nas ruas. Isso não significa que a lei mudou. Mas mostra que as mulheres estão tentando mostrar autonomia e agência sobre como elas querem se vestir e como querem ocupar o espaço público.<br>Nós temos essa história do passado no Irã, e a mais recente onda de protesto, desta vez, começou em dezembro de 2025. Foi no fim de dezembro de 2025 que parte de Teerã protestou na rua. E foi por causa do aumento de preços de tudo. Os protestos começaram nos bazares de uma das áreas importantes de Teerã e se espalharam para centenas de cidades, envolveram grupos sociais diferentes, especialmente jovens, e a escala de participação parece ter sido maior do que muitos protestos anteriores que tivemos durante a última década.<br>E, ao mesmo tempo, este protesto também revelou novas dinâmicas políticas e tensões dentro da oposição. Então, a situação no Irã hoje é formada por várias realidades que se sobrepõem. Uma sociedade que tem tido um ciclo contínuo de protestos, um Estado que responde principalmente com repressão e a oposição fragmentada, com diferentes visões para o futuro do país.<br>E, ao mesmo tempo, o Irã estava entrando em outro movimento sensível internacionalmente, com a renovação da tensão e as negociações em torno do programa nuclear do país. E, no meio da situação, com a internet já frágil, os ataques militares pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, adicionaram uma nova e muito perigosa dimensão para a crise e complicaram a situação.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480579822\"} -->\n<p><strong>Apesar das diferenças locais claras, as ações de Trump no Irã são muito semelhantes às que ele tomou na Venezuela. Em nome de libertar o povo, ele invade, ataca, sequestra, derruba governos e já não esconde seus interesses, como o petróleo. Agora ele está dizendo que precisa participar da escolha de um novo líder. Como você escuta essa narrativa de Trump de se posicionar como um salvador que vem de fora para resolver os problemas do país? E o que deve acontecer agora no Irã?</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774480598669\"} -->\n<p>Na verdade, a narrativa de que um poder externo pode salvar o país por meio de intervenção militar é algo que vimos muitas vezes em nossa história. Ela costuma aparecer na linguagem da libertação ou da democracia. Mas, na realidade, geralmente está profundamente conectada a interesses geopolíticos e econômicos. Por isso, muitos iranianos escutam essa narrativa com grande ceticismo. Ao mesmo tempo, também precisamos entender o nível de frustração e exaustão dentro da sociedade iraniana.<br>Na última década, as pessoas foram repetidamente às ruas. Cada vez que esses movimentos surgiram, foram respondidos com repressão e violência, sem qualquer mudança política significativa. Essa longa experiência de repressão criou um sentimento de desespero em muitas pessoas. Nesse contexto, algumas começam a acreditar que qualquer força externa poderia ajudá-las a mudar o sistema atual.<br>Às vezes se ouve dentro do Irã a frase: “qualquer coisa seria melhor do que isso”. Mas esse tipo de pensamento geralmente vem de um lugar de exaustão, e não de uma visão política clara para o futuro. Ao mesmo tempo, a própria oposição permanece profundamente fragmentada.<br>Por exemplo, alguns grupos apoiam a monarquia em torno de Reza Pahlavi, enquanto outros, incluindo muitos grupos democráticos, republicanos e da sociedade civil, além de movimentos de mulheres e feministas, defendem mudanças que venham de baixo para cima, e não impostas de cima.<br>Durante as manifestações de 2025, quando Reza Pahlavi convocou as pessoas, e mais de um milhão foram às ruas, tivemos uma situação ambígua. Por um lado, foi a primeira vez que mais de um milhão de pessoas participaram de uma manifestação desse tipo. Naquele período, a internet estava completamente desligada e não podíamos fazer quase nada. Nos dias 8 e 9 de janeiro de 2026 houve um massacre, quase um genocídio, contra manifestantes. Mais de mil pessoas foram mortas pelo governo em apenas dois dias.<br>Esse sentimento de exaustão aumentou ainda mais. Quando Reza Pahlavi convocou as pessoas, muitas estavam pensando que não havia outro caminho. Para muitos, parecia que um “salvador” estava chegando, porque os Estados Unidos diziam que queriam negociar sobre o programa nuclear com o governo iraniano e estavam enviando forças militares para a região. Israel também dizia que estava tentando salvar o povo.<br>Ao mesmo tempo, existe um grupo monarquista cujo apoio tem aumentado. Nessa situação de fragmentação social, algumas pessoas ficaram tão revoltadas que passaram a concordar até com a guerra, porque pensavam que essa seria a única maneira de provocar uma mudança de regime. Assim, a ideia de mudança de regime tornou-se mais presente e mais forte do que outros debates, especialmente entre pessoas dentro do Irã.<br>Essa situação tornou-se ainda mais paradoxal quando Ali Khamenei, líder do Irã, foi morto em um ataque israelense. Em 28 de fevereiro houve ataques ao Irã e muitos membros do aparato militar foram mortos, especialmente da Guarda Revolucionária (IRGC), além do próprio Khamenei. Esse clima fortaleceu ainda mais a ideia de que talvez os Estados Unidos pudessem intervir e mudar o regime.<br>Mas, infelizmente, isso não corresponde ao que acontece na realidade. A guerra continua, muitas pessoas foram mortas e outras se espalharam pela região. Os Estados Unidos não estão pensando nas pessoas, nem no bem-estar do país. Há muitos fatores que ainda vão aparecer gradualmente.<br>No dia 8 de março foi anunciado que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo Ali Khamenei, se tornou o <a href=\"https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/03/12/novo-lider-supremo-do-ira-faz-primeiro-pronunciamento.htm\" target=\"_blank\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  rel=\"noreferrer noopener\">novo líder</a>. Ou seja, eles estão tentando reproduzir algo semelhante ao que ocorre no debate monarquista em torno de Reza Pahlavi, o filho do antigo xá assumindo o poder. Agora querem colocar Mojtaba, o filho do líder supremo, no lugar do pai. Isso significa uma espécie de nova forma de monarquia, mas em forma clerical. Estamos vivendo um momento muito incerto.<br>O Irã enfrenta agitação social interna, pressão militar externa e profunda fragmentação política. A verdadeira questão é se uma transição democrática pode surgir de dentro da sociedade iraniana, por meio de alianças amplas e resistência civil, ou se o futuro será moldado por grupos militares, pela guerra ou por interesses geopolíticos de diferentes potências. Nada disso está claro para nenhum de nós.<br>No debate feminista, especialmente na rede Feminists for Jina, sempre afirmamos que não concordamos com a guerra. Somos contra a guerra. Não queremos a volta da monarquia nem outra forma de ditadura. A situação atual é muito difícil porque, de um lado, somos contra os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel, que tentam usar o povo para seus próprios interesses. Por outro lado, enfrentamos a ditadura no Irã, que há muito tempo oprime, mata e reprime a população. Encontrar uma solução é extremamente difícil. Mas precisamos nos posicionar contra essa forma de dominação vinda de ambos os lados.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:block {\"ref\":454341} /-->",
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            "author": {
                "name": "Agência Pública"
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                   "Artigo 38.º"
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            "title": "O Caos com o Max, o Telegram e não só: a paciência dos russos posta à prova pelos problemas online",
            "summary": "<p>As autoridades passaram anos a testar ferramentas, a desenvolver aplicações e a tentar restringir a forma como os russos utilizam a Internet. As falhas generalizadas na rede e a confusão em torno das aplicações de mensagens estão a testar a paciência da população.</p>\n",
            "content_html": "<!-- wp:canvas/alert {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-alert-1709046350587\",\"canvasLocation\":\"root\",\"className\":\"is-style-default\",\"metadata\":{\"categories\":[2687],\"patternName\":\"core/block/457351\",\"name\":\"RFE/RL (Introdução)\"}} -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1709046340250\"} -->\n<p>Este artigo é uma tradução para <strong>português de Portugal</strong> de um <a href=\"https://www.rferl.org/a/russia-mobile-internet-outages-messenger-apps-telegram-whatsapp-max/33713633.html\" target=\"_blank\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  rel=\"noreferrer noopener\">artigo em inglês</a> da <strong><em>Radio Free Europe/Radio Liberty</em> (<em>RFE/RL</em>).</strong></p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- /wp:canvas/alert -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"dropCap\":true,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348899529\"} -->\n<p class=\"has-drop-cap\">O WhatsApp está a sofrer fortes limitações de velocidade. O Telegram está prestes a ser bloqueado. Os soldados estão furiosos. O Max, uma aplicação de mensagens com o apoio do Estado, está a ser imposto a todos. Os comandantes alertam que o Max não é seguro. O cidadão russo comum tenta evitá-lo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900658\"} -->\n<p>Ah! E, como se não bastasse, a Internet móvel está a ser desligada em todo o lado, pelo que, na moderna Moscovo do século XXI, não é possível chamar um táxi, encomendar entrega de comida ou sequer consultar um mapa <em>online</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900674\"} -->\n<p>Na capital russa, uma cidade hiperconectada e dependente das redes móveis — para não falar de muitas outras vilas e cidades pelo país fora —, a Internet, juntamente com as aplicações de que os russos dependem para o seu quotidiano, está a colapsar.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900683\"} -->\n<p>Se perguntarmos ao Kremlin como está a lidar com a situação:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900691\"} -->\n<p>\"Estamos a usar telefones fixos\", afirmou o porta-voz Dmitry Peskov.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900702\"} -->\n<p>Mas se perguntarmos ao cidadão russo comum:</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900712\"} -->\n<p>\"Eles têm todos carros com luzes prioritárias da polícia e nós nem sequer conseguimos chamar um táxi ou reservar um veículo partilhado\", desabafou Maksim, que pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome, referindo-se aos pirilampos intermitentes, amplamente detestados pela população, que os governantes utilizam para contornar o infame trânsito de Moscovo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900724\"} -->\n<p>No início deste mês, contou Maksim, chegou atrasado ao trabalho na sua deslocação desde o subúrbio de Zelenograd, devido aos cortes de Internet no centro de Moscovo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900731\"} -->\n<p>\"Não havia absolutamente qualquer rede. Por isso, apanhei um comboio suburbano, depois o metro, e ainda tive de andar quase dois quilómetros a pé até ao nosso armazém\", relatou à <em>RFE/RL Siberia.Realities</em>. \"Nem sequer consegui pagar o aluguer de uma trotineta elétrica.\"</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900743\"} -->\n<p>O mundo digital russo está a ser agitado por uma série de tensões cruzadas, na sua maioria resultantes da tentativa dos reguladores governamentais e das principais agências de segurança do país em impor um controlo mais apertado sobre os cidadãos comuns: o que leem, o que veem, o que partilham, o que encomendam, como pagam.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900752\"} -->\n<p>Basicamente, tudo o que fazem <em>online</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900760\"} -->\n<p>\"Uma parte significativa dos moscovitas está habituada a uma experiência de Internet muito confortável, habituada a viver em canais acolhedores do Telegram e a comunicar através de uma aplicação de mensagens muito prática. Agora, os moscovitas estão a ser expulsos desse ambiente bastante confortável\", explicou Igor Yakovenko, sociólogo russo, ao Serviço Russo da <em>RFE/RL</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900770\"} -->\n<p>\"O Kremlin está a tentar transformar a Internet russa num ecossistema fechado, em que todos os serviços importantes são controlados e acessíveis\" ao Serviço Federal de Segurança (FSB), escreveu a comentadora russa Maria Kolymchenko num artigo para o <em>Carnegie Russia Eurasia Center</em>, com sede em Berlim. \"Se existem plataformas estrangeiras que ainda não foram bloqueadas, é apenas porque ainda não há uma alternativa nacional viável.\"</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1774349151560\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que se passa?</strong></h3>\n<!-- /wp:heading -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900788\"} -->\n<p>Estas convulsões derivam de uma série de medidas políticas lideradas pelo regulador estatal de tecnologia, o Roskomnadzor, com o apoio do Kremlin.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900796\"} -->\n<p>A primeira está relacionada com as aplicações de mensagens.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900806\"} -->\n<p>Há vários anos que os reguladores têm vindo a trabalhar com líderes da indústria tecnológica russa para desenvolver alternativas às duas aplicações de mensagens mais populares entre os russos: o <em>WhatsApp</em>, detido pela empresa-mãe do <em>Facebook</em>, e o <em>Telegram</em>, propriedade de Pavel Durov, empresário tecnológico exilado.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900814\"} -->\n<p>O Roskomnadzor tem vindo a estrangular gradualmente as duas aplicações, reduzindo a sua velocidade para as tornar inutilizáveis. A agência tem adotado medidas semelhantes com o <em>YouTube</em>, o serviço de transmissão de vídeo mais popular no país, detido pela empresa-mãe da <em>Google</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900821\"} -->\n<p>A imprensa russa avança que o <em>Telegram</em> poderá ser totalmente bloqueado no país a partir de 1 de abril.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900828\"} -->\n<p>Paralelamente, as autoridades têm promovido uma aplicação de mensagens alternativa desenvolvida pela <em>VK</em>, a gigante das redes sociais cujos quadros superiores incluem figuras ligadas ao Kremlin.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900836\"} -->\n<p>Essa aplicação, batizada de <em>Messenger Max</em>, foi lançada no ano passado com o apoio público do presidente Vladimir Putin. Desde então, os órgãos de comunicação estatais e alinhados com o Estado têm feito uma promoção agressiva da mesma.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900845\"} -->\n<p>As autoridades locais também têm exercido uma forte pressão sobre os russos para fazerem a transição. A partir de setembro, os novos dispositivos móveis adquiridos na Rússia terão de trazer o <em>Max</em> pré-instalado. Na semana passada, uma universidade de Moscovo anunciou que não entregaria os diplomas aos alunos finalistas a menos que estes instalassem o <em>Max</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900852\"} -->\n<p>\"A Rússia está a restringir o acesso ao <em>Telegram</em> para forçar os seus cidadãos a aderirem a uma aplicação controlada pelo Estado, criada para a vigilância e censura política\", acusou Durov numa publicação na rede social <em>X</em> no mês passado.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900860\"} -->\n<p>Porém, os russos estão a resistir à mudança e a procurar formas criativas de evitar a sua instalação nos telemóveis.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900867\"} -->\n<p>Por seu turno, o <em>Telegram</em> é amplamente utilizado não só pelos civis russos, mas também pelos soldados destacados para a Ucrânia, bem como pelos chamados <em>Z Bloggers</em>, que utilizam o <em>Telegram</em> para amplificar a propaganda de guerra e angariar fundos para si próprios e para as unidades militares.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900874\"} -->\n<p>O estrangulamento do <em>Telegram</em> — agravado pelas notícias de que os comandantes ordenaram a sua eliminação total dos telemóveis dos soldados — provocou um descontentamento aberto entre as tropas e os seus apoiantes públicos.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900881\"} -->\n<p>\"Quem é que está a abrandar o <em>Telegram</em>?\", questionou Sergei Mironov, um proeminente deputado, num discurso indignado no mês passado. \"Vão para a frente de batalha, para a [guerra]. Os rapazes que estão a derramar sangue — a única ligação que têm com as suas famílias e amigos é através do <em>Telegram</em>. O que é que estão a fazer, idiotas? Eu chamo os bois pelos nomes. Idiotas! O que é que estão a fazer?\"</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900889\"} -->\n<p>Aumentando ainda mais a frustração, os comandantes russos proibiram a utilização do <em>Max</em> nos telemóveis dos soldados, invocando preocupações de segurança com a aplicação, de acordo com vários canais pró-guerra proeminentes do <em>Telegram</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900897\"} -->\n<p>\"Toda esta cacofonia em torno do <em>Telegram</em> é ridícula. Ridícula. Estamos simplesmente a trabalhar contra o nosso próprio povo, a piorar-lhes a vida\", afirmou Andrei Bezrukov, um conhecido ex-agente \"adormecido\" das secretas russas que agora leciona numa universidade de Moscovo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900906\"} -->\n<p>\"Durante um período bastante difícil para o país, estamos a tentar — como poderei dizer? — aborrecer uma grande percentagem da nossa população, que naturalmente está a favor da vitória [na guerra da Ucrânia] e só quer o melhor\", considerou numa entrevista em vídeo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900915\"} -->\n<p>Em fevereiro, os legisladores aprovaram nova legislação que confere ao FSB e a outras agências policiais e de segurança o poder de ordenar aos operadores móveis o corte do serviço a qualquer cliente, caso seja necessário.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:heading {\"level\":3,\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-heading-1774349514587\"} -->\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>\"Eu nem sequer consigo contactar os meus entes queridos\" - utilizador russo</strong></h3>\n<!-- /wp:heading -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900935\"} -->\n<p>Para agravar todo este cenário, somam-se as falhas na internet móvel, que começaram a causar transtornos a milhões de moscovitas por volta de 6 de março.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900947\"} -->\n<p>Noutras regiões fronteiriças, as autoridades justificaram os cortes temporários como medidas necessárias para travar os drones ucranianos, que frequentemente dependem das redes móveis locais para se orientarem. Vários dias após o início das perturbações em Moscovo, Peskov afirmou que as medidas foram tomadas \"no interesse da segurança\", sem adiantar detalhes.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900958\"} -->\n<p>Alguns russos desabafaram a sua indignação com os cortes no Dia Internacional da Mulher, publicando diretamente na página da VK do Roskomnadzor, abaixo das felicitações da agência para o feriado que é amplamente celebrado na Rússia.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900970\"} -->\n<p>\"Obrigado por desligarem a Internet no dia 8 de março — que belo presente! Nem sequer consigo contactar os meus entes queridos para os felicitar\", escreveu um utilizador.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900978\"} -->\n<p>O impacto económico das falhas foi considerável, de acordo com o jornal <em>Kommersant</em>, que estimou perdas para as empresas de Moscovo entre os 3 e os 5 mil milhões de rublos (cerca de 32 a 53 milhões de euros) durante os primeiros cinco dias de cortes. Os mais afetados foram os retalhistas, os serviços de entrega de comida e estafetas e as empresas de <em>carsharing</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900986\"} -->\n<p>Noutras grandes cidades, os russos já sofrem cortes nas redes móveis há meses. Em Petropavlovsk-Kamchatsky, uma cidade numa península da costa do Pacífico que fica a mais de 7 200 quilómetros da Ucrânia, registaram-se falhas em junho passado, tal como em Irkutsk, na Sibéria, onde os habitantes locais demonstraram pouca simpatia para com os moscovitas.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348900993\"} -->\n<p>\"Bem, agora vão sentir a nossa dor\", atirou uma mulher de Irkutsk que se identificou apenas pelo primeiro nome, Natalya.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348901000\"} -->\n<p>\"Em junho, começaram a abrandar a nossa Internet, no final do ano houve um bloqueio total, e agora a situação é tal que pode ser bloqueada a qualquer momento, durante vários dias ou semanas\", disse à <em>RFE/RL Siberia.Realities</em>. \"Mesmo quando a rede está a funcionar, a velocidade é muito lenta — não conseguimos enviar vídeo ou áudio.\"</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348901008\"} -->\n<p>A confusão e a frustração suscitaram reações irónicas por parte da Ucrânia, onde o <em>Telegram</em>, o I e a Internet não sofrem restrições.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348901016\"} -->\n<p>O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, antigo ator de comédia na sua carreira anterior, provocou Putin por causa dos apagões na Internet.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1774348901098\"} -->\n<p>\"Isto é, sabem, um passo atrás, um recuo de 100 anos\", disse aos jornalistas na semana passada. \"Qualquer dia, mais vale passarem para o correio em papel, telegramas e cavalos. É este o tipo de civilização que eles têm. Talvez o Putin até goste. Talvez seja assim que ele se volta a sentir jovem.\"</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n<p> </p>\n<!-- wp:block {\"ref\":452479} /-->",
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Numa cidade tecnologicamente avançada e que concentra grande parte da riqueza da Rússia, as vendas de artigos analógicos, como pagers e mapas em papel, dispararam.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840545965\"} -->\n<p>Desde o início de grande parte dos cortes, a 7 de março, a situação tem vindo a agravar-se. Até mesmo as páginas incluídas na \"lista branca\" do governo — plataformas alinhadas com o Estado que, em teoria, estariam isentas destas restrições — ficaram inacessíveis.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840545977\"} -->\n<p>Oficialmente, o Kremlin atribui estas falhas a um reforço das medidas de segurança, sem, no entanto, adiantar grandes pormenores.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840545987\"} -->\n<p>\"Kiev está a utilizar métodos de ataque cada vez mais sofisticados, pelo que a Rússia necessita de medidas de proteção com uma exigência tecnológica crescente\", <a href=\"https://tass.ru/obschestvo/26744371\" type=\"link\" id=\"https://tass.ru/obschestvo/26744371\" class=\"extlink extlink-icon-1\"  >justificou</a> o porta-voz da presidência russa Dmitry Peskov a 12 de março. A declaração surge no contexto das retaliações ucranianas à invasão russa em grande escala, um conflito que entrou agora no seu quinto ano.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840545995\"} -->\n<p>Os críticos do regime alertam que as autoridades estatais invocam frequentemente questões de segurança como pretexto para restringir a vida e as liberdades dos cidadãos.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546005\"} -->\n<p>\"A liderança da Rússia é, pura e simplesmente, muito cobarde. Tão cobarde que as liberdades civis, a economia ou o bem-estar das pessoas lhe são indiferentes. Não se importa absolutamente nada com isso\", acusa Mikhail Klimarev, ativista e diretor da organização Internet Protection Society.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546015\"} -->\n<p>Embora outras regiões do país já sofram interrupções há vários meses, os bloqueios na capital estão a gerar maior repercussão.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546023\"} -->\n<p>\"A internet móvel tem sido cortada na Rússia desde junho de 2025. E só agora é que tudo isto chegou a Moscovo\", <a href=\"https://www.currenttime.tv/a/utro-hamenei-obeschaet-otomstit/33704395.html\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  >explicou</a> Klimarev à <em>Current Time</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546034\"} -->\n<p>De acordo com os residentes, a rede móvel tem estado inoperacional em praticamente toda a cidade de Moscovo, afetando tanto as zonas centrais como os bairros periféricos.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546044\"} -->\n<p>\"Trabalho como freelancer e preciso de uma boa ligação à internet. Tive de fazer um desconto a um cliente porque não consegui cumprir o prazo de entrega\", relatou Alina, habitante de Moscovo, à <em>RFE/RL Siberia.Realities</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546053\"} -->\n<p>Há anos que o governo de Putin procura controlar e limitar o acesso dos russos à internet. As autoridades têm visado gigantes ocidentais como o <em>Facebook</em>, a <em>Google</em>, a <em>Apple</em> e a <em>Amazon,</em> impulsionando simultaneamente alternativas nacionais, sobre as quais exercem maior controlo.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546063\"} -->\n<p>Ativistas e outros observadores suspeitam que o bloqueio da rede em Moscovo esteja a servir como balão de ensaio para o sistema de \"listas brancas\" de páginas autorizadas.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546072\"} -->\n<p>Este diretório restrito de recursos, disponível durante os apagões digitais, começou a ser testado no verão passado. A lista inclui sites de operadoras de telecomunicações, órgãos de comunicação social pró-Kremlin, agências governamentais, plataformas de comércio eletrónico e redes sociais como a <em>Odnoklassniki</em> e a <em>VK</em> (ex-<em>VKontakte</em>).</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546085\"} -->\n<p>O <em>Telegram</em>, a aplicação de mensagens mais popular na Rússia, também tem registado problemas de acesso, à semelhança do que acontece com o <em>WhatsApp</em>.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546095\"} -->\n<p>\"A acessibilidade ao <em>Telegram</em> caiu 80%\", escreveu Klimarev a 16 de março, numa comparação com o dia anterior.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546104\"} -->\n<p>No ano passado, a Rússia lançou o <em>Max</em>, a sua própria aplicação de mensagens com o apoio do Estado, mas a iniciativa enfrenta forte contestação por parte dos críticos, que a encaram como uma ferramenta de vigilância estatal. A imprensa oficial desvaloriza estas preocupações, garantindo que se trata de uma plataforma segura e independente.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546115\"} -->\n<p>A 20 de fevereiro, Putin <a href=\"https://www.sibreal.org/a/ne-budet-ni-cherta-funktsionirovat-kak-moskva-i-regiony-perezhivayut-poteryu-interneta/33704525.html\"  class=\"extlink extlink-icon-1\"  >assinou</a> uma lei que obriga as operadoras de telecomunicações a suspenderem os serviços a pedido do Serviço Federal de Segurança (FSB). Paralelamente, as autoridades isentaram as empresas de qualquer responsabilidade perante os clientes caso a interrupção decorra do cumprimento das exigências dos serviços de informações.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph {\"canvasClassName\":\"cnvs-block-core-paragraph-1773840546180\"} -->\n<p>A censura de conteúdos online para reprimir a oposição, a monitorização do tráfego na internet em nome da segurança e o controlo apertado sobre os meios de comunicação social são práticas antigas do governo russo. A repressão estatal sobre a liberdade de expressão, de reunião e outras garantias fundamentais ganhou força com o regresso de Putin à presidência em 2012, e sofreu um novo agravamento desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022.</p>\n<!-- /wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:block {\"ref\":452479} /-->",
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