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20.12.17

Club de Vila Real: Facebook, Comunicados e verdades de cada um


helena margarida
Três meses depois do encerramento do Club de Vila Real, a nova direção, “apesar de não pretender alimentar polémicas”, razão pela qual não se pronunciou até hoje sobre as falsas notícias vindas a público nos órgãos de comunicação social, vem agora dar a conhecer a sua versão dos factos num comunicado publicado na sua página de Facebook.

“A verdade sobre o centenário Club de Vila Real” refere que “os danos financeiros, de imagem, e patrimoniais causados pela anterior gestão do setor cultural, nomeadamente pelo Sr. Mário Pinto, e a contrainformação que se veio a verificar na imprensa, levou a atual direção a tomar ações preventivas por forma a proteger o Club, e salvaguardar os seus interesses”.

Luís Cardoso e João Rebelo, membros da atual direção, acrescentam ainda, no comunicado, que “serão criadas novas contas, para promover uma diferenciação face ao período anterior e as passwords serão sempre disponibilizadas às respetivas direções que vierem a tomar posse no futuro”. Informam ainda que “na eminência da possibilidade de utilização abusiva e indevida das contas online do Club de Vila Real por parte da anterior gestão cultural”, a atual direção “decidiu alterar as passwords, não tendo havido qualquer roubo ou usurpação, uma vez que essas contas sempre fizeram parte da associação e não de nenhum sócio em particular”.

Entretanto, usam a página do Facebook que já foi “Club de Vila Real” e agora é “Club de Portugal” e explicam a mudança do nome: “depois da alteração das passwords, a anterior gestão teve ainda a oportunidade, contra a vontade da atual Direção, de alterar o nome da página de facebook para “CLUB DE PORTUGAL”, e alterou a password da conta google, estando esta ainda na sua posse”, explicam no comunicado, salientando “que a nova direção nunca quis aproveitar-se do trabalho até aqui realizado, e que no futuro irá criar os seus próprios canais para divulgação de toda a informação”.

Sobre o facto de a anterior gestão cultural não ter sido informada antes da alteração das passwords, a atual direção considerou que “não estavam reunidas condições para isso, uma vez que esta deixou o Club, sem aviso prévio e com dívidas”.

Mário Pinto esteve seis anos à frente da dinamização cultural do Club de Vila Real, com um orçamento proveniente de quotas “irrisórias” pagas pelos associados (um euro mensal) e cerca de mil euros anuais atribuídos pela Câmara Municipal, e foi “com grande sacrifício que iniciei, que mantive e que encerro este capítulo”, desabafou na nota que publicou na sua página de Facebook a explicar e dar conhecimento do encerramento do espaço.

Agora, a nova direção informa também que “todas as pessoas que até ao momento se fizeram sócias do Club por intermédio da anterior gestão cultural liderada pelo Sr. Mário Pinto, não constam do registo de admissão efetivo dos mesmos, pois as cotas pagas nunca foram contabilizadas pelo Club”, acrescentando que todos os que pretendam obter esclarecimentos adicionais “se sintam livres para contactar o Club, que pretende de hoje em diante ser o mais transparente possível” e que “os esclarecimentos serão prestados na sede do Club, pelo que não alimentaremos esta polémica nas redes sociais".

A cultura, que há 124 anos habitava o edifício com cinco séculos de história, localizado na principal avenida da cidade, a avenida Carvalho Araújo, foi “despejada” daquele imóvel, no passado dia 7 de setembro. Na altura, Mário Pinto dizia serem "focos de resistência cultural contra os movimentos de capital e de interesses, arrasadores da Cultura e do urbanismo e oferta das cidades”.

Já a atual direção diz que “não há qualquer ação de despejo, até ao momento, apenas um oficio do senhorio dando conta dos valores em dívida, que não sendo pagos dariam origem a ação de despejo”.

A direção que estava em funções em setembro só teve conhecimento das rendas em dívida, e respetivos juros de mora, nesse mês que foi também o de saída da anterior gestão cultural que, para além de estar com as rendas em falta, não prestaria contas à associação.  A anterior gestão cultural, liderada por Mário Pinto, iniciou a sua atividade em 2011: “tinha o Club mais de 3000€ em caixa e deixou Associação com dívidas, e com cerca de 300€ em caixa”.

O comunicado da atual direção informa ainda que Mário Pinto “não entregou as contas por livre vontade, anunciou mentiras à comunicação social, e deixou a situação do Club deteriorar-se de tal forma que levou a que apenas com a iniciativa de um conjunto de pessoas e parcerias fosse possível repensar o Club, estruturar uma estratégia, resolver os problemas financeiros e encontrar um modelo de gestão que impedisse o seu encerramento”.

Quanto aos “murmúrios” de usurpação de funções ou posições dentro do Club, Luís Cardoso e João Rebelo salientam que “todos os sócios oficiais registados foram informados da intenção de se realizarem novas eleições, tendo a sua maioria integrado a nova lista, a qual foi eleita tendo em conta os estatutos do Club”. As eleições foram convocadas de acordo com os estatutos, publicitando nos locais e prazos previstos. Pela primeira vez, em mais de 15 anos existem órgãos sociais eleitos e não Comissão de Gestão, integrando vários elementos sócios efetivos do Club há mais de 40 anos.

Foi nas redes sociais que a indignação subiu de tom contra o encerramento do Club de Vila Real em setembro passado. Bandas, artistas, músicos, muitos dos que por lá passaram e até se estrearam naquele palco, deixaram testemunhos e homenagens e partilharam uma frase escrita num fundo preto onde se podia ler: “De luto pelo encerramento do Clube de Vila Real. Obrigado Márito pelo que nos proporcionaste”.

“A história desta Associação é maior do que qualquer pessoa individual que por ela tenha passado” diz a atual direção lamentando que a anterior que “saiu de livre vontade” esteja a tentar fazer tudo o que pode para impedir que o Club continue o seu caminho, e querendo encerrar 124 anos de história permanentemente.

E se para Mário Pinto “foi mesmo magia!” o ambiente que viveu no Club de Vila Real...
“O Club está vivo” garante a nova direção deixando o desafio: “Estamos a lutar por ele, juntem-se!”
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