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o largo.

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04.05.18

#7DiasComOsMedia: Do ser fiável e nunca falhar...


Bruno Fernandes

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Quando começo um projeto novo na área da comunicação, normalmente, é por impulso.

Foi assim com uma rádio online que tive! Foi assim com um jornal onde colaborei! Foi assim na televisão lá da faculdade! 

Não concebo um mundo sem meios de comunicação! Não consigo imaginar robôs a escrever sobre as emoções de um jogo de futebol ou a visitar as pessoas que ficaram sem um subsidio por uma qualquer medida de austeridade tomada no tempo da outra senhora. 

Lamento: mas não consigo conceber.

Verdade seja dita: estamos no tempo das fake news ou dos "factos alternativos". Estamos no tempo em que já nos chateamos por ler mais do que três parágrafos. Estamos no tempo em que uma notícia é mercadoria vendável. Já não temos tempo de tratar os familiares do acidentado no IP23 condignamente. A pressão do imediatismo obriga-nos a estar lá. Em direto. Em permanência. A adaptarmo-nos a novas plataformas se queremos sobreviver com as migalhas da publicidade online. Se não estivermos lá, se não formos os primeiros a dar a notícia, já não seremos a primeira escolha. Se não formos a primeira escolha, menos pessoas nos leem. Se menos pessoas nos leem, menos migalhas da publicidade online veem ter até às redações. 

E depois vêm os títulos sensacionalistas, os clickbaits, os vídeos escabrosos de uma violação em horário nobre ou de um cadáver coberto por um lençol. 

Mas as redações continuam a encolher. O jornalista, agora, não é só jornalista: é também repórter de imagem, fotógrafo, editor e tem de fazer de bombeiro de vez em quando. 

Mas as redações continuam a encolher. E um país fica sem notícias às 02h porque um editor decidiu que se o primeiro-ministro já falou e ministra ainda não tinha ido de férias, a agenda do dia estava feita! 

Uma jornalista do ComUM dizia que "Nessa noite não houve jornalismo. Nessa noite não houve informação. Não tivemos representatividade, a centralização dos canais televisivos foi exposta a olhos públicos. Sim, o jornalismo também tem contribuído para o esquecimento do interior e centralização do país em Lisboa e Porto. O interior só tem voz em caso de desastres e, mesmo assim, as feiras de enchidos falaram mais alto num “Portugal com a melhor” charcutaria e vinhos". 

No dia 15 de outubro, o jornalismo falhou! Foram as redes sociais que deram as notícias! Nós, jornalistas, demitimo-nos da nossa função de informar! 

No dia 15 de outubro, caiu uma máscara que há muito tempo se aguentava: somos poucos para defender tanto. Muitos jornalistas já fazem jornalismo de secretária, jornalismo de agenda ou jornalismo do comunicado. Já não se vai ao fim do mundo e, para ir ao fim da rua, tens de ir a pé porque já se vendeu a viatura de serviço para pagar o telefone. 

O jornalismo que me foi ensinado nos bancos da universidade é aquele jornalismo que procura as melhores histórias, mesmo quando estamos de férias. Tive um professor que dizia que "se virem uma multidão a fugir de alguma coisa e virem uma pessoa a correr em sentido contrário, esse, de certeza, é jornalista!"

Neste tempo de fake news e da rapidez, o jornalismo pode sobreviver? 

O jornalismo pode sobreviver ao imediatismo, ao direto permanente, ao voyerismo? 

Talvez não sobreviva da forma como o conhecemos: talvez sobreviva nos blogues e nas redes sociais. Talvez sobreviva em novos moldes. De vídeo ou da análise aprofundada. Da informação glocal. Dos podcasts. 

O jornalismo precisa de encontrar o seu espaço: precisa de ser fiável e de nunca falhar. 

Talvez cheguemos ao concelho de Moldes onde um vaca brava andava a assustar a população. Mas temos de chegar aos milhões que confiam em nós para se informar sobre o país que os rodeia. 

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