idealista desiste de comprar Kyero

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idealista/Divulgação

O portal imobiliário idealista deixou cair a compra do britânico Kyero, acusando a Autoridade da Concorrência (AdC) de ter prejudicado os interesses da empresa. 

No comunicado enviado às redações ao início da tarde desta quarta-feira, o portal imobiliário considera que “a decisão da Autoridade da Concorrência portuguesa de levar a operação, notificada ‘ad cautelam’, a uma segunda fase apesar da escassa presença do portal Kyero nesse mercado, provocou um atraso material no fecho da operação, o que prejudicou os interesses do idealista, tendo levado a empresa a renunciar a esta aquisição”. O mesmo comunicado acrescenta que “o escrutínio da AdC” tornou a operação “inviável”. 

A compra tinha sido anunciada em dezembro passado. Tal como o largo. noticiou na altura, não foram divulgados os valores envolvidos. Contudo, a operação era vista como bastante positiva para as duas empresas, com o CEO do idealista Jesús Encinar a frisar que o futuro traria “melhores resultados, uma excelente experiência aos utilizadores e novas oportunidades de negócio”. 

Mas a operação não foi avante e o portal imobiliário chega mesmo a dizer que a posição da AdC pode ter outros objetivos: “Não descartamos que a AdC possa ter querido aproveitar a compra de um portal mais pequeno para pronunciar-se sobre a atividade do idealista no futuro“, acrescenta um porta-voz do portal. 

Em Espanha, a situação foi similar à portuguesa. Num comunicado em espanhol (mas muito similar ao português) publicado esta terça-feira no seu blogue oficial, o portal diz que “esteve a negociar com as autoridades espanholas durante vários meses para tentar encontrar uma solução razoável que acomodasse as exigências da CNMC (“Comissão Nacional de Mercado e Concorrência”, a entidade em Espanha

equivalente à AdC)”. Contudo, no entender do idealista, estas exigências “excediam o contexto da operação e limitavam de forma desproporcionada a atividade comercial do idealista, impedindo-o de operar normalmente no mercado”. 

“A atuação decorre da lei” – AdC

Do outro lado da barricada, a resposta veio ao final da tarde, com a AdC a dizer que o único responsável pelo fim do negócio é o próprio portal. Ao jornal digital ECO, a entidade portuguesa diz que foi o idealista que não apresentou os remédios para acautelar as “sérias preocupações concorrenciais” que a compra da Portal47 (gestora do Kyero) poderia levantar

Contrariamente àquilo que diz o idealista, a AdC considera o Kyero um “concorrente relevante no mercado” imobiliário e, por isso, a “absorção” do portal britânico foi considerado um “reforço do poder de mercado”, algo que não era bem visto pela entidade: “A atuação da AdC decorre exclusivamente da lei e tem como objetivo proteger a concorrência em benefício dos consumidores e das empresas“, frisa,  acrescentando que foram identificados “indícios” de que o negocio “poderia levantar sérias preocupações concorrenciais”

Por sua vez, os indícios foram comunicados à empresa, mas a AdC diz que nada foi feito: o “idealista não apresentou compromissos destinados a remediar as preocupações jusconcorrenciais”, sucinta. 

Fundado em 2003 no Reino Unido, o Kyero integra uma equipa de 33 pessoas e tem uma carteira de mais de 7 mil agentes e imobiliárias. Já o idealista é um dos portais imobiliários mais visitados em Portugal e Espanha, com mais de 38 milhões de visitantes mensais no sul da Europa.

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