Este artigo é uma tradução para português de um artigo da Radio Free Europe/Radio Liberty, a partir do original em inglês.
Quando a Rússia lançou a sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, a maestrina Keri-Lynn Wilson sentiu que tinha de responder.
“Quis transformar o meu horror em ação”, disse a maestrina, que se descreve como uma orgulhosa canadiana-ucraniana, à RFE/RL. “Então, pensei em criar uma orquestra com os melhores músicos da Ucrânia para representar a sua força, a sua arte, e para mostrar a Putin que não se pode silenciar os ucranianos. Não se pode matar a sua cultura.”
O grupo fundado por Wilson, a Orquestra da Liberdade Ucraniana (“Ukrainian Freedom Orchestra”) reúne músicos clássicos ucranianos de todo o país, onde a guerra devastou um cenário musical vibrante.
A oquestra encerrou a sua temporada de verão com uma atuação em Londres a 29 de agosto. Isto sucede-se a paragens em festivais de música e salas de concerto por toda a Europa, no que o grupo chama de digressão “Resilience Tour 2025”.
“A nossa missão é lutar na frente cultural”, disse Wilson.
Em Bucareste, a orquestra atuou no Festival Internacional George Enescu, onde Wilson falou ao Serviço em Romeno da RFE/RL sobre os desafios enfrentados por este grupo invulgar.
Dos 70 músicos, diz, “cinquenta por cento da orquestra ainda vive na Ucrânia, de Kiev a Lviv [e] Odessa. Por isso, temos de obter uma autorização especial para que os homens possam sair, porque todos estão a ser recrutados agora.”
O projeto recebeu o apoio da primeira-dama da Ucrânia Olena Zelenska que ajudou a conseguir o adiamento do serviço militar e a autorização para viajar para o estrangeiro para os músicos do sexo masculino da orquestra.
O Presidente Volodymyr Zelenskyy também reconheceu o trabalho de Wilson, concedendo-lhe a Ordem da Princesa Olga, uma condecoração civil atribuída a mulheres pelas suas contribuições para a cultura ucraniana.
“Da Tragédia à Esperança”
Juntamente com composições clássicas já consagradas de Beethoven, Wagner e Dvorak, a orquestra está a interpretar novas obras de compositores ucranianos que se inspiram nos acontecimentos da guerra como tema.
“The Mothers of Kherson”, uma ópera de Maksim Kolomiyets, conta a história de duas mulheres que partem para resgatar os seus filhos que foram raptados pelas forças russas.
Outra obra, intitulada “Bucha Lacrimosa”, foi composta por Victoria Poleva em resposta aos massacres de civis na cidade ucraniana de Bucha no início da invasão.
Wilson explicou que Poleva atravessou Bucha enquanto fugia da sua casa em Kyiv e testemunhou os horrores do massacre: “Ela colocou toda essa emoção nesta bela obra, que é, simultaneamente, poderosa e nos dá uma sensação de luz — da tragédia à esperança”, diz Wilson.
Wilson também deu as suas próprias contribuições para o repertório da orquestra. Na sua interpretação da “Ode à Alegria”, de Beethoven, a palavra “alegria” é trocada por “slava”, que em ucraniano significa “glória” e é um popular grito de guerra pela vitória.
A maestrina vê um futuro para a Orquestra da Liberdade Ucraniana que se estende até ao momento em que os músicos possam retomar as suas carreiras no seu país de origem.
“Depois da guerra, planeamos uma digressão da vitória, em primeiro lugar, e fazer uma digressão pela Ucrânia”, acrescenta. Contudo, planeia continuar a levar a música ucraniana a um público mais vasto: “Continuaremos para sempre como um símbolo, como um símbolo da grandeza e [do triunfo] do bem sobre o mal”, diz.
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