Plataforma cruza inteligência artificial com programas eleitorais.
por Bruno Micael Fernandes
O mote parece simples, mas engenhoso: três personagens criados através de inteligência artificial, mas com curadoria humana, que permitem conhecer os programas eleitorais dos 8 partidos e coligações com assento no Parlamento português. Este é o ponto de partida do novo projeto editorial do portal português SAPO e que já está disponível.
Incluído no dossier sobre as eleições de 10 de março criado pelo portal, o "POL(AI)TÓLOGOS" foi criado a partir do ChatGPT, treinando a plataforma com 22 perguntas sobre diversos temas e os programas eleitorais de todos os partidos com assento parlamentar. Enquanto isso, a equipa submetia também à plataforma a criação a "personalidade" de três robots.
Tudo isto originou 528 respostas e três robots com as suas especificidades peculiares: "O Catraio, uma inocente criança de 5 anos, o Piadolas, humorista e crítico mordaz, e o Velho do Restelo, resmungão e pessimista, são as personagens que vão analisar as diferentes propostas e dar resposta rápida, também ela gerada por AI, fazendo assim um mapeamento dos principais temas da atualidade nacional", refere a Altice Portugal, detentora do SAPO, em nota enviada às redações, reforçando que a aboradagem dos robôs incide sobre todos os temas importantes "numa abordagem que pretende conjugar a utilidade da informação em causa e o humor que está presente na forma caricatural como personagens, programas e argumentos políticos são apresentados".
A iniciativa faz parte da cobertura do SAPO para as eleições e junta-se aos conteúdos dos mais de 150 parceiros do portal: "Enquanto maior player na agregação, produção e curadoria de conteúdos e ativos digitais em Portugal, o SAPO procura em mais um momento significativo da atualidade portuguesa dar um contributo relevante para uma sociedade globalmente mais informada, esclarecida e participativa", frisa.
Estações estão em protesto contra políticas para o setor dos media.
por Bruno Micael Fernandes
São 83. É este o número de rádios locais que aderiram até esta quarta-feira ao boicote à cobertura das eleições legislativas em Portugal, no próximo dia 10 de março.
Segundo a Rádio Alto Ave, uma estação de Vieira do Minho que também aderiu ao protesto, as rádios generalistas e temáticas associadas da Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) estão em protesto devido às políticas para o setor da comunicação social e da radiodifusão.
Assim, as rádios locais decidiram que não vão acompanhar ou dar destaque ao ato eleitoral, não dando destaque a atos de campanha ou promovendo debates entre os candidatos de cada círculo eleitoral.
Ainda na semana passada, em declarações à SIC, o presidente da APR Luís Mendonça queixava-se das dificuldades sentidas pelos meios locais: "[O Estado] impõe taxas e obrigações, mas depois não dá nada em contrapartida pelo trabalho promovido pelas rádios", refere, dando como exemplo os tempos de antena das legislativas, que só são atribuídos a estação de rádio e televisão de abrangência nacional: "Eram valores interessantes para nos ajudar a viver o dia-a-dia", sustenta.
O boicote arrancou com a Cadeia de Informação Regional (CIR), que junta as redações de sete rádios dos distritos de Vila Real e Bragança, sendo que se está a estender, de forma gradual a outras zonas do país.
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O canal britânico BBC Entertainment vai sair da grelha da MEO. A informação está a ser divulgada pela própria operadora aos clientes através de uma nota nas faturas de fevereiro.
Segundo a informação disponibilizada, o canal sairá da grelha de canais a partir do dia 31 de março.
A saída do canal tem a ver com o seu encerramento. A divisão de entretenimento da BBC, a BBC Studios, emitiu uma nota no início deste ano dando conta do encerramento da estação inaugurada em 2006, prometendo continuar a servir a Europa com conteúdos de entretenimento através de de canais locais, canais FAST ou através do serviço de streaming britânico BBC Player.
A operadora para o mercado residencial da Altice Portugal era a única que disponibilizava o canal temático da estação pública britânica.
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Tecnologia será implementada num protótipo no próximo ano
por Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
No seu conjunto, equipamentos como frigoríficos, ar condicionado e bombas de calor, representam mais de 20% do consumo de eletricidade em todo o mundo, segundo dados do Instituto Internacional de Refrigeração. Numa altura em que é imperativa a eficiência energética e a redução de gases com efeito estufa, uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) deu mais um passo em frente, com uma tecnologia que abre portas à refrigeração mais eficiente, limpa e sustentável.
A refrigeração magnética é uma das tecnologias alternativas mais promissoras para a indústria de aquecimento e arrefecimento do futuro. Em vez de utilizar a expansão e compressão de gases, esta solução usa materiais sólidos não-poluentes (materiais magnetocalóricos) cuja temperatura varia através da aplicação e remoção de campos magnéticos.
Atualmente, um dos entraves para que a refrigeração magnética seja uma realidade no mercado são os materiais utilizados. Matérias-primas capazes de criar campos magnéticos intensos, como os magnetes das turbinas eólicas, provenientes de terras raras pesadas, são caras e correspondem a mais de 50% do valor de um refrigerador magnético. No trabalho da equipa da FCUP, que já tem um pedido de patente, reduz-se a sua necessidade de utilização e também se aumenta a eficiência energética daqueles que podem ser os frigoríficos do futuro.
“Criámos uma variante desta tecnologia: um campo magnético rotativo que leva ao aquecimento e arrefecimento do material magnetocalórico. Descobrimos, com este efeito, que a temperatura atinge o seu pico para valores de campo magnético menos intensos”, explica João Horta Belo, investigador do Instituto de Física de Materiais Avançados, Nanotecnologia e Fotónica da Universidade do Porto (IFIMUP).
Desta forma, detalha o investigador, é possível, com esta tecnologia, “reduzir o custo, tamanho e peso geral do dispositivo e assim aumentar a viabilidade da sua produção em massa”. “É mais um passo em direção à transição energética”.
Tecnologia será implementada num protótipo no próximo ano
Até janeiro do próximo ano, a equipa de investigadores estará a trabalhar num protótipo à macro escala de uma bomba de calor, que implementa esta tecnologia.
Esta inovação foi publicada em artigo na revista Journal of Physics: Energy e é o resultado do trabalho de doutoramento em Engenharia Física da Universidade do Porto de Rafael Almeida, que é orientado por João Horta Belo.
O trabalho, em colaboração com a Universidade de Aveiro (UA), está a ser realizado no âmbito do projeto “Refrigeração magnetocalórica por efeito desmagnetizante”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
A equipa integra ainda os investigadores da FCUP, Cláudia Rodrigues Fernandes, Sara Freitas, João Ventura, João Pedro Araújo e Daniel Silva e também Rodrigo Kiefe e João Amaral, do Laboratório Associado CICECO, da Universidade de Aveiro.
De acordo com as projeções da página Verified Market Research, estima-se uma taxa de crescimento anual de 104,24% para o setor da refrigeração magnética, com o volume do mercado a alcançar o valor de 3724,04 milhões de dólares em 2030.
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Visita será uma “experiência visual única”, diz o centro comercial.
por Bruno Micael Fernandes
É mais uma ação do espaço "Cultura no Centro" do Coimbra Shopping e promete revelar "um mundo oculto, com uma perspetiva que vai além da perceção visual tradicional". A exposição "Paisagens Invisíveis - Fotografia com Infravermelhos" está patente no piso 1 do centro comercial coimbrão.
A exposição tem a assinatura do artista local José L. Dias e "apresenta uma coleção de imagens" de "territórios visuais menos comuns e de natureza" captadas com recurso a "uma técnica que envolve a remoção do filtro low pass, e que se complementa, na maioria das situações, com a utilização de um filtro colorido", refere a gestora do centro Sonae Sierra.
A ação resulta de uma parceria com a associação local "Um Ponto Dois": "A colaboração com a associação sem fins lucrativos de Coimbra, dedicada a destacar e promover a fotografia nas suas diversas técnicas, processos e linguagens, e divulgar os trabalhos dos seus associados, pretende impulsionar e dar a conhecer o talento dos artistas locais, proporcionando visibilidade e reconhecimento através dos seus projetos únicos", frisa.
A exposição estará patente até 07 de março, sendo visitável todos os dias das 08h às 23h. A entrada é gratuita.
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O Município de Viana do Castelo arrancou com um projeto de plantação de 570 árvores na zona urbana da cidade minhota.
Segundo a autarquia, o projeto prevê a "plantação de 570 árvores em ambiente urbano", sendo que serão privilegiadas "espécies autóctones como os carvalhos, tílias, choupos, entre outras de cariz mais ornamental".
O objetivo é combater as emissões de dióxido de carbono: "Uma árvore pode eliminar cerca de 10 kg de CO2 por ano e a temperatura por baixo da copa pode atingir -4º em relação a zonas expostas à luz solar", acrescenta. Ao todo, estão inventariadas 6500 árvores na cidade: "Entre si, eliminam cerca de 65 mil quilos de CO2 por ano", sustenta o município.
Os novos exemplares serão plantados "maioritariamente em relvados amplos", permitindo assim que a população usufrua "da amigável sompra" e da "privilegiada paisagem que a cidade possui", conclui.
A plantação dos exemplares será feita pelo Setor de Jardins do município.
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O ator português José Pinto morreu esta quinta-feira. A informação foi avançada pela família na página de Facebook do artista.
Pinto faleceu "calmamente em sua casa na passada noite", sendo que as cerimónias fúnebres iniciam-se já esta sexta-feira, com o velório às 14h na Igreja do Candal, em Vila Nova de Gaia. O funeral será este sábado, 17, a partir das 10h.
Nascido em 1929, participou em diversos projetos de televisão e cinema como "Amanhecer" (TVI), "Conta-me Como Foi" (RTP) ou "Perfeito Coração" (SIC), além de filmes como "Vale Abraão". Colaborou também com a companhia de teatro Seiva-Trupe.
José Pinto tinha 95 anos.
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“Há um grande receio sobre o impacto que a mineração pode ter nos ecossistemas", diz investigad
por Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) lidera um projeto que está a avaliar os potenciais impactos da mineração do mar profundo, tendo como área de referência os Açores, região rica em recursos com potencial para a transição energética, pela existência de vários minérios com interesse económico.
“Há um grande receio sobre o impacto que a mineração pode ter nos ecossistemas e por outro lado existem muitas pressões internacionais para haver exploração”, contextualiza Miguel Santos, docente do Departamento de Biologia da FCUP e investigador no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR-UP).
Tendo em conta esta preocupação, os investigadores estão a desenvolver modelos numéricos e ecológicos e a efetuar ensaios ecotoxicológicos para prever como os sedimentos no mar profundo serão transportados e para avaliar os seus efeitos em organismos marinhos.
A consequência mais imediata e esperada da mineração de mar profundo é a presença de plumas de sedimentos libertadas durante o processo de mineração. Estas plumas podem potencialmente dispersar-se por grandes distâncias, conduzidas pelas correntes, aumentando a turbidez da coluna de água e afetando, potencialmente, organismos a vários quilómetros da fonte inicial de contaminação.
Para testar este impacto, uma das abordagens envolve a realização de testes com recurso a uma câmara hiperbárica que simula as condições do oceano profundo de pressão e de temperatura.
“O nosso objetivo é perceber, por exemplo, o impacto ao nível da destruição de habitat e dos efeitos da pluma de sedimentos, para auxiliar as autoridades a desenvolver ferramentas mais adequadas de gestão e avaliação de risco”, salienta o investigador, que lidera, no CIIMAR-UP, uma equipa dedicada aos Disruptores Endócrinos e Contaminantes de Preocupação Emergente (EDEC).
Estudar e prevenir antes da mineração
O foco do estudo é a região dos Açores, muito procurada pelos seus recursos, nomeadamente nas crostas oceânicas e na proximidade de fontes hidrotermais, que possuem uma grande biodiversidade e ecossistemas únicos com potenciais biomoléculas com interesse biotecnológico. Mas, antes de se partir para a mineração, são necessários estudos de impacto e ferramentas de modelação no suporte à gestão de risco ambiental.
Para evitar o início precipitado da mineração em mar profundo, têm sido apresentadas moratórias para impedir estes procedimentos até que seja concluída uma análise dos riscos ambientais, sociais e económicos.
A última moratória foi proposta e aprovada em outubro do ano passado, na Assembleia da República, e trava, até 2025, a mineração em mar profundo. Tanto o governo Regional dos Açores como o governo central têm apoiado os esforços internacionais de vários países de forma a garantir uma moratória na exploração destes recursos até que exista mais informação sobre os riscos e melhores práticas para mitigar os potenciais impactos.
O projeto, em colaboração com a Universidade dos Açores, com o Instituto Português do Mar e Atmosfera, e com o CIIMAR-UP, é financiado em 250 mil euros pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e irá decorrer até ao final do ano.
Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa", promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.
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É esta segunda-feira, 12, que iniciam as votações da segunda fase do concurso "Instantes Criativos". Promovida pela Biblioteca Municipal Raul Brandão, a iniciativa quer estimular a criatividade e expressão artística dos alunos vimaranenses.
Numa nota enviada às redações, o município refere que a iniciativa é destinada aos "estudantes do 1.º Ciclo do Ensino Básico ao Ensino Secundário, e divididos em quatro escalões", sendo que os alunos podiam submeter "trabalhos nas categorias de microconto e ilustração, respeitando temas relacionados com símbolos do 25 de Abril, como "Canção", "Bandeira", "Rua" e "Uniforme"", acrescenta.
Agora, após a seleção interna de cada escola, os trabalhos estarão a votação na página de de Facebook da Biblioteca até ao próximo dia 22 de fevereiro. "Os três trabalhos mais votados de cada escalão/categoria serão premiados, numa iniciativa que visa não só incentivar a criatividade dos jovens, mas também reconhecer o seu talento artístico", refere o município.
Os vencedores serão conhecidos a 04 de março.
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A história do ano bissexto é uma jornada fascinante que nos leva aos primórdios da civilização
por António Piedade
No nosso calendário moderno, a cada quatro anos, encontramos um dia extra em fevereiro, um intruso que desafia a ordem dos dias usuais. Esse dia, 29 de fevereiro, marca um ano bissexto, um ajuste crucial para sincronizar nosso tempo com a dança complexa da Terra ao redor do Sol.
A história do ano bissexto é uma jornada fascinante que nos leva aos primórdios da civilização, onde a contagem do tempo era uma batalha constante contra a natureza.
A Dança Cósmica e o Desafio da Medição:
A Terra gira em torno do Sol em um ritmo constante, completando uma volta a cada 365,2422 dias. Essa jornada, conhecida como ano solar, define o ritmo das estações e a base de nosso calendário.
No entanto, a matemática nem sempre se encaixa na vida prática. Um ano com 365 dias completos não acompanha a dança celestial com precisão. A cada ano, acumulamos um atraso de cerca de 6 horas, o que, ao longo de 4 anos, se transforma em quase um dia inteiro.
O Calendário Romano e a Busca por Equilíbrio:
No antigo calendário romano, a contagem do tempo era caótica. Meses lunares, baseados nos ciclos da Lua, misturavam-se com meses artificiais, criando um sistema irregular e inconsistente.
Em 46 a.C., Júlio César, procurando um calendário mais preciso, implementou o Calendário Juliano. Inspirado em modelos egípcios e gregos, o sistema juliano definiu um ano com 365 dias e adicionou um dia extra a cada quatro anos, criando o ano bissexto.
O Equinócio Perdido e a Reforma Gregoriana:
Embora o Calendário Juliano fosse um avanço significativo, ainda não era perfeito. O dia extra adicionado a cada quatro anos resultava em um acúmulo de tempo extra ao longo dos séculos.
Com o tempo, o equinócio da primavera, que marca o início da primavera no hemisfério norte, começou a se deslocar do dia 25 de março, data em que era originalmente fixado no calendário juliano.
Para corrigir essa discrepância, o Papa Gregório XIII, em 1582, introduziu o Calendário Gregoriano, que ainda usamos hoje. A reforma gregoriana manteve a estrutura do ano bissexto, mas com algumas modificações para ajustar a precisão do calendário.
O Ano Bissexto e a Sincronia com a Natureza:
O ano bissexto é um ajuste crucial para sincronizar nosso tempo com o ritmo natural da Terra. Ao adicionar um dia a cada quatro anos, corrigimos o acúmulo de tempo extra e garantimos que as estações e datas importantes do calendário coincidam com os eventos celestes.
O Legado do Ano Bissexto:
O ano bissexto é mais do que um dia extra no calendário. É um símbolo da nossa busca incessante por precisão e da nossa fascinação com a dança celestial da Terra. É um lembrete de que estamos conectados ao cosmos, e que nosso tempo é moldado pela coreografia cósmica.
Reflexões e Considerações:
Embora o ano bissexto seja uma solução prática, ele ainda apresenta algumas imperfeições. O acúmulo de tempo extra, mesmo com as modificações gregorianas, ainda pode levar a descompassos ao longo de séculos.
Cientistas e astrónomos continuam a procurar soluções para aperfeiçoar a contagem do tempo. Novas propostas para ajustar o calendário bissexto estão em estudo, buscando um sistema ainda mais preciso para sincronizar nosso tempo com a dança eterna da Terra.
A história do ano bissexto é uma história de adaptação e busca por harmonia com o cosmos. É a história da nossa luta para compreender e sincronizar o nosso tempo com a dança celestial da Terra, uma dança que continuará a nos inspirar e desafiar por muitas eras.
Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa", promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.
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Loja online de fitness quis assinalar dia de São Valentim.
por Bruno Micael Fernandes
"Nesta 'Dança', o Amor é a linguagem universal" é o mote do vídeo do Dia dos Namorados, lançado esta quarta-feira pela loja online de fitness BOOMFIT.
Desenvolvido pela empresa em conjunto com a agência DRIBLE e a academia de dança Gimnoarte, o vídeo, de cerca de 40 segundos, quer "assinalar a universalidade no amor" e apelar à "quebra de preconceitos": "O vídeo demonstra o compromisso enquanto sociedade para que todos possam ser livres de amar, seja qual a forma", diz o CEO da BOOMFIT Vítor Brandão em nota enviada às redações.
Com quatro bailarinos, o vídeo pretende refletir os "desafios da sociedade" para os jovens, enquanto estes se mantêm como "indivíduos únicos e capazes de encontrar o Amor, independentemente da sua forma", refere a empresa. Por seu turno, o CEO acrescenta que o objetivo foi o de "transmitir uma mensagem poderosa, incitando ao diálogo entre gerações e na própria sociedade", frisando que a dança é "o veículo ideal para esse diálogo. Tal como amor, a dança é uma linguagem universal".
Este é o segundo vídeo institucional sobre problemas societais, depois de ter lançado um vídeo de Natal em que se debruçou sobre o tema do burnout: "Não esquecemos a nossa responsabilidade social. Queremos quebrar preconceitos, seja na área do fitness, seja no aspeto social, abrindo caminho para celebrar cada indivíduo e celebrar a diversidade", conclui.
O vídeo está disponível nas redes sociais.
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Portugal vai conhecer os adversários na competição.
por Bruno Micael Fernandes
O Canal 11 vai transmitir em direto o sorteio da fase de grupos da Liga das Nações da UEFA.
Segundo a estação da Federação Portuguesa de Futebol, a transmissão acontecerá durante o programa informativo "11 Na Hora", a partir das 17h. O sorteiro "vai ditar quem joga com quem na fase de grupos da competição", acrescenta.
Recorde-se que Portugal vai participar na competição e conhecer os seus adversários, estando no pote 2 da Liga A. Espanha é a atual detentora do troféu.
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Este trabalho analisou a monitorização da diversidade genética na Europa, identificando o que cada p
por Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
A diversidade genética é crucial para que as espécies se adaptem às alterações climáticas. Um estudo internacional no qual participou Paulo Célio Alves, docente do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos(BIOPOLIS-CIBIO), mostra que os atuais esforços de monitorização da diversidade genética na Europa são incompletos e insuficientes. Os investigadores têm-se centrado particularmente nas regiões que serão especialmente relevantes para a adaptação ao aumento do calor e da seca.
Publicado recentemente na prestigiada revista Nature Ecology & Evolution, este trabalho analisou a monitorização da diversidade genética na Europa, identificando o que cada país o faz e quais e quantas espécies são abrangidas. O estudo foi realizado por 52 cientistas que representam 60 universidades e institutos de investigação de 31 países.
Cada ser vivo do nosso planeta distingue-se dos seus semelhantes por pequenas diferenças no seu material hereditário. Assim, quando o ambiente muda e se torna desfavorável para as populações de organismos, esta variabilidade genética pode permitir-lhes adaptarem-se às novas condições, em vez de se extinguirem ou terem de migrar para outros habitats. Em termos simples, a diversidade genética é, portanto, uma das chaves para a sobrevivência das espécies.
Neste estudo, para além da falta de trabalhos de monitorização genética, os cientistas concluíram que os que existem são fortemente enviesados do ponto de vista taxonómico: “Como era de esperar, encontrámos projetos de monitorização principalmente dirigidos a grandes carnívoros, como o urso pardo ou o lobo, espécies icónicas que também têm relevância política. Não há praticamente informação sobre espécies de outros grupos animais, como por exemplo aves, anfíbios, insetos, moluscos, bem como de plantas. Esta situação de quase total ausência de informação é principalmente preocupante em locais com extremos climáticos e com elevada biodiversidade, como acontece em Portugal”, concretiza Paulo Célio Alves.
Informação crucial para a conservação das espécies
Esta informação e análise da diversidade genética e das suas alterações ao longo do tempo em populações periféricas do ponto de vista climático é especialmente importante para a conservação, pois permite a tomada de medidas para proteger as populações. As espécies que têm populações nos limites climáticos da sua área de distribuição têm maior probabilidade de albergar variantes genéticas favorecidas pela seleção natural para lidar com estas condições adversas. Por isso, estas regiões ecologicamente periféricas podem funcionar como reservatórios a partir dos quais, através do fluxo genético, as variantes adaptativas se podem disseminar para as populações da área de distribuição principal que serão afetadas mais tarde pelas alterações climáticas. Desta forma, segundo os investigadores, é possível aumentar a resiliência global das espécies.
Os resultados, como enfatiza o BIOPOLIS-CIBIO na sua página, mostram que as atividades de monitorização são incompletas e precisam de ser complementadas. Em especial no sudeste da Europa (Turquia e Balcãs), são necessários mais esforços, uma vez que esta região está sub-representada, mas, ao mesmo tempo, é fortemente afetada pelas alterações climáticas e, por conseguinte, alberga muitas populações reservatório de elevado potencial de adaptação.
Uma estratégia de monitorização menos enviesada do ponto de vista geográfico e taxonómico, bem como a focalização sistemática de todos os gradientes ambientais e regiões de elevada biodiversidade, constituiriam um contributo importante para a proteção das espécies ameaçadas, muitas das quais prestam também serviços inestimáveis ao homem, como a polinização das culturas ou o controlo de pragas.
Tendo em conta os recentes acordos para travar o declínio da biodiversidade, de que Portugal é um dos países signatários, o estudo salienta também que é urgente a implementação de sistemas de monitorização das espécies em geral, e da sua diversidade genética em particular, a nível regional, nacional e internacional. Tal permitirá um melhor ordenamento do território e um melhor apoio às ações de conservação e recuperação dos ecossistemas, que contribuem para assegurar a persistência das espécies e dos serviços que prestam.
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Há novidades para a 14.ª edição do Sumol Summer Fest. A promotora Música no Coração anunciou esta quarta-feira mais duas confirmações para o festival.
"Aos já anunciados Offset, Morad, Teto, WIU e Lon3r Johny, juntam-se a estrela ascendente YEИDRY e a promessa do hip-hop português King Bigs", refere a promotora em comunicado.
Os dois artistas subirão ao palco Sumol no dia 06 de julho.
O festival Sumol Summer Fest acontece junto à praia de São João, na Costa da Caparica, nos dia 05 e 06 de julho. Os bilhetes estão à venda.
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Site surgiu no pós-pandemia e quer reunir num só lugar uma agenda com todos os eventos e festas de c
por Bruno Micael Fernandes
Assume-se como um "espaço centralizado" onde é possível consultar as diferentes festas e arraiais programados para todo o país: chama-se "Festas & Arraiais" e é uma plataforma digital com abrangência nacional.
Surgido no pós pandemia em junho de 2022, a plataforma pretende reunir "toda a informação relevante e atualizada sobre as festas populares e arraiais em Portugal, tradições ricas e reconhecidas por nos unirem em celebração", explica o portal em nota. No site, é possível pesquisar uma festa ou evento por data e localidade, podendo consultar todas as informações relevantes sobre o evento, incluindo o cartaz e o programa. "Percebemos que a falta de uma fonte centralizada e confiável de informações sobre festas e arraiais em Portugal era de facto um problema", até porque "a informação estava dispersa pelas redes sociais e outros canais online, o que dificultava o acesso e tornava o planeamento muito mais difícil", sublinha.
A plataforma tem um caráter colaborativo, sendo que os utilizadores podem submeter informação no portal, com a equipa a rever e aprovar o conteúdo, "assegurando a atualidade e a qualidade" dos conteúdos.
"Estamos comprometidos em fornecer aos nossos utilizadores uma experiência de navegação intuitiva e agradável, tornando assim mais fácil do que nunca encontrar e participar nas festas e arraiais de Portugal", acrescenta o portal.
A promotora Vibes & Beats anunciou mais três confirmações para o North Festival: Cláudia Leitte, Bell Marques e o grupo Menos é Mais atuam no dia 26 de maio.
Numa nota enviada às redações, a empresa promete um encerramento do festival portuense com "ritmos quentes e batidas fortes. Além dos nomes já confirmados, estão previstas muitas novidades", assegura.
O evento, que se muda para o Parque de Serralves, no Porto, acontece de 24 a 26 de maio. Myke Towers, Keane e Tom Odell são já algumas das confirmações.
Os bilhetes estão à venda.
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Está a chegar a 14.ª edição do concurso "Sardinhas". Promovido pela EGEAC, o concurso convida todos a inventarem novas sardinhas para a comunicação da empresa municipal.
As inscrições arrancam esta sexta-feira, dia 06 de fevereiro: "Para esta 14.ª edição convidamos todas as pessoas, portuguesas ou estrangeiras, residentes ou não em Portugal e de todas as idades", diz a empresa em nota enviada à imprensa.
As candidaturas podem ser feitas até dia 05 de março no site da EGEAC, podendo cada candidato, que pode ser indidivual ou coletivo, submeter três propostas de sardinha: "Qualquer técnica digital ou manual é válida para a conceção de propostas, desde que estas obedeçam a alguns requisitos obrigatórios, como a originalidade, o respeito pela silhueta base da forma de sardinha, a ausência de qualquer elemento identificativo do seu autor ou referência publicitária, comercial e institucional", acrescenta.
Ao todo, serão selecionadas cinco sardinhas, sendo que cada vencedor receberá 1500 euros. As sardinhas vencedoras serão anunciadas até 31 de maio.
O "Sardinhas" é um concurso já habitual promovido pela entidade municipal com vista a criar sardinhas que serão usadas em diversos suportes de comunicação, desde exposições a spots: "O Concurso de Sardinhas é um desafio à participação, à surpresa e ao encanto, aos risos e aos riscos. Risca e arrisca!", conclui a empresa.
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Letícia Cesarino conversou com a Agência Pública sobre os impactos do virtual no mundo real
por Agência Pública
Esta é uma republicação integral em português do Brasil de um artigo da autoria de Andrea DiP, Clarissa Levy e Ricardo Terto, com colaboração de Ana Alice de Lima, e disponibilizado originalmente no site da Agência Pública.
Teorias da conspiração, vídeos manipulados com inteligência artificial e campanhas de difamação na internet. Quais os impactos desses conteúdos online no mundo real? No episódio 104 do podcast Pauta Pública, a antropóloga Letícia Cesarino, autora do livro O mundo do Avesso, explica que as plataformas digitais criam um ambiente de crise permanente.
De acordo com Cesarino, o modo como as plataformas construíram ambientes digitais converge para uma lógica de guerra e favorece a circulação de conteúdos de forças da extrema-direita, que vivem de pânico moral. “As teorias da conspiração também vivem de pânico. As pessoas se agarram àquelas crenças pelo fator do afeto ou insegurança. E esses atores políticos representam para o usuário uma configuração de segurança, por exemplo: ‘somos todos patriotas’, ‘somos todos pessoas de bem e esse inimigo precisa ser combatido’”, explica.
“O modo que a digitalização da democracia acontece hoje, substituindo mediações da democracia liberal tradicional que tínhamos com os partidos, sindicatos e debates pelas novas mídias, esse modelo se parece mais com a lógica de guerra do que com a lógica democrática”, diz a antropóloga.
Leia os principais pontos da entrevista e ouça o podcast completo abaixo.
[Clarissa Levy]Eu já vi e li algumas vezes, você escrevendo sobre como hoje a internet acaba sendo quase uma “mente estendida” dos usuários. Como se parte da consciência humana agora estivesse localizada no mundo online. Você pode explicar como isso funciona?
É uma abordagem a partir da antropologia. Toda a sociedade: o humano, a cultura, é complementado por artefatos técnicos, tipos de comunicação que excedem o domínio do individual. Isso também é verdade para o mundo altamente tecnológico que a gente vive hoje. Principalmente as tecnologias de mídia, que na verdade são como se fossem extensões do nosso corpo nessa captura e compreensão do ambiente que nos cerca. Porém as mídias cibernéticas, propriamente ditas, que embasam a indústria tecnológica que temos hoje, que estão nos smartphones e computadores regidas pelos algoritmos, são tecnologias de mídia um pouco diferentes. Eu costumo dizer que elas não são tecnologias triviais, porque são máquinas que foram criadas para mimetizar um certo nível da cognição animal. Os algoritmos são máquinas que fazem procedimentos básicos de percepção do ambiente e tomada de decisão, que claro não esgotam tudo que o humano pode fazer, mas substituem o ser humano numa camada mais ‘elementar’ da tomada de decisão. Então, por exemplo, quando estamos navegando nas mídias sociais, o nosso comportamento é complementado pelo algoritmo que responde às decisões que tomamos com suas próprias escolhas. Ou seja, ao fazer uma busca no Google, ou navegar no Instagram ou Twitter o que recebemos do ambiente digital não faz parte das decisões que tomamos, o peso decisório é muito maior do lado dos algoritmos. Essa tecnologia está a todo o tempo calibrando um tipo de conteúdo que segue um desenho feito pela indústria e todo o modelo da economia da atenção, isso está por trás do desenho desses algoritmos. As câmaras de eco, viés de confirmação e bolhas, são programações feitas para que os algoritmos tendam a nos entregar um ambiente que converge mais com a trajetória que nos encontramos. Ou seja, o tipo de conteúdo que o algoritmo decide através dos seus cálculos que a pessoa vai ter um interesse maior. Isso é naturalizado pelo usuário. Tomamos o que é entregue como um dado da realidade, mas sabemos que seleções estão sendo feitas e, às vezes, essas seleções são muito diferentes entre si. A ponto de ter às vezes realidades que são trazidas pela internet altamente contraditórias entre si. Essa é a ideia do mundo ao avesso que eu trago no título do meu livro, que seria uma situação de diferenciação um pouco mais radical. São identidades distintas entre dois grupos, e entre esses dois grupos há um grau de diferença tão grande, o outro é igual a mim, mas ao contrário, o mundo invertido. Então, o livro trata dos casos extremos que embasam, por exemplo, públicos da teoria da conspiração, das ciências alternativas, e também os públicos do extremismo político através do estudo de caso da extrema-direita. A mente estendida é nesse sentido. A ideia de que o homo sapiens, por ter um certo tipo de cultura que diferente de outros animais, é mais dependente de até fatos técnicos. Esse ‘homem’ tem muito pouco acesso direto ou real. É tudo mediado pela língua, pela cultura e artefatos técnicos. Nesse sentido principalmente com os artefatos cibernéticos desempenhando o papel de artefato, pois foram desenhados para isso.
[Andrea Dip] Semana passada, no dia 19 de janeiro, entrevistamos Christian Dunker e ele comentou um pouco sobre a eficiente estratégia da extrema-direita em gerar o pânico moral. Ao comentar sobre as redes, de que maneira elas facilitam e amplificam essas narrativas de pânico moral? Como os algoritmos entram neste discurso?
É uma questão relativamente complexa porque não é só o modo como os algoritmos privilegiam o juntar igual com igual, e não igual com diferente. A indústria poderia ter optado por estar fazendo algoritmos que fazem mais com que a diferença conviva com a diferença, ou que a diferença conviva com mais aleatoriedade. Mas foi definido, por questão do modelo de negócios, que os algoritmos juntem igual com igual. Tem um outro ponto do viés de programação das plataformas que é a questão dos algoritmos cronológicos, que é bastante importante. A velocidade do ambiente no qual a gente recebe a realidade também poderia ser diferente, quando lembramos da “web 1.0” ou da “primeira web 2.0”, onde já havia algoritmos, mas ainda não tinha essa velocidade tão grande. A cognição humana tem um limite para isso, temos esse ‘hardware’ de caçadores-coletores, porém estamos vivendo num ambiente completamente diferente de 50 mil anos atrás. Então, existe um sentido em que a afinidade eletiva, entre o modo que as plataformas produzem o nosso ambiente, nos entregam realidade e o tipo de política que uma força como a extrema direita propõe, por exemplo. As plataformas criam um ambiente de crise permanente, por causa da grande velocidade, e com conteúdos díspares, isso causa no usuário um modo de crise na cognição. Há afinidade no caso das teorias da conspiração, por exemplo, o medo se torna um afeto muito sobressalente no animal neste modo de crise. Não só o ser humano (sem entrar em detalhes), mas a semiótica conspiratória, espelha um modo semiótico de quando o ambiente que do animal o desagregou e ele precisa migrar para outro. A cognição deste animal e o seu comportamento entra num modo diferente do que seria o comportamento linear. O modo que as plataformas construíram esses ambientes tende mais para esse modo de crise. E fica claro que essa característica infraestrutural converge com os conteúdos que são circulados por forças como a extrema-direita, que basicamente vivem de pânico moral. As teorias da conspiração também vivem de pânico, as pessoas se agarram àquelas crenças pelo fator do afeto ou insegurança. E esses atores políticos representam para o usuário uma configuração de segurança, por exemplo: “somos todos patriotas”, “somos todos pessoas de bem e esse inimigo precisa ser combatido”. Esse ‘modo crise’ converge fortemente com uma lógica de guerra. O modo que a digitalização da democracia acontece hoje, substituindo mediações da democracia liberal tradicional que tínhamos com os partidos, sindicatos e debates pelas novas mídias, esse modelo se parece mais com a lógica de guerra do que com a lógica democrática. A lógica democrática é a lógica do debate, do programa, do planejamento. O que vemos hoje é como a contaminação dessa lógica de guerra na política, isso é muito mais visível em contextos eleitorais que são contextos de exceção. Porque tem um momento onde tem alguém saindo do poder e o próximo ainda não entrou, estes são momentos de perigo, como o 8 de janeiro foi aqui no Brasil e o 6 de janeiro de 2021 foi lá nos Estados Unidos. Essa foi a expressão mais contundente a que isso chegou porque saiu do ambiente ‘online’ para resvalar no offline. Porém, não foi repentinamente, no caso do Brasil tivemos o monitoramento dos canais no Telegram, feitos desde 2021, lá dava para reparar uma gramática conspiratória relativa à pandemia. O conteúdo dos canais varia, mas eles mantém os usuários naquele modo de crise e mobilização. Isso foi se arrastando desde a pandemia e esses públicos foram transformando seu conteúdo, porém ainda mantendo a sua gramática conspiratória. A ponto da crise explodir e ser a vitória do inimigo, era como se fosse inevitável que algo daquela forma acontecesse. É complexo porque é um ambiente não-linear, onde não tem uma cadeia de comando e controle clara comparado a um golpe de estado clássico. Então, a corrosão das mediações da democracia vai sendo feita gradualmente, muitas vezes no subterrâneo. Ao dizer subterrâneo, quero dizer os públicos mais fechados como estes públicos monitorados no Telegram, onde havia um discurso conspiratório mais explícito que ficam menos visíveis para o público convencional. Mas esses públicos mais extremos tem as saídas para a superfície, como o YouTube e o Instagram, que são plataformas mais abertas. Ao olhar computacionalmente está tudo conectado com o Telegram, com o Rumble e com os grupos fechados de WhatsApp. Ou seja, foi tudo fermentado um pouco abaixo da superfície ao longo de um tempo até o momento que isso explode. E eu digo com segurança, que uma outra arquitetura algorítmica seria possível, porque essa ecologia de mídia agora está fazendo com que esses públicos mais extremos comecem a alcançar pessoas que normalmente elas não alcançariam, isso é bastante preocupante.
[Clarissa Levy] Em um ponto que vem diretamente do seu livro, olhando para o negacionismo, extremismo, fake news e ascensão das figuras populistas a partir de um olhar da cibernética e além dos elementos da conjuntura política e econômica que podem estar na raiz desses fenômenos. Você pode explicar por quê partir do ponto de vista deste olhar a partir da cibernética e quais são suas conclusões sobre isso?
Eu trabalho com a teoria do paradigma cibernético, e a vantagem disso primeiramente é que ela vem da mesma genealogia histórica que a indústria tech. Essa que, por sua vez, pensa ciberneticamente, nós não. A maioria das teorias sociais dentro da academia e da opinião pública pensam de formas mais lineares, então já é um paradigma que tem uma afinidade estrutural. Além disso, é uma teoria boa para trabalhar em contextos de crise, porque neste contexto, numa lógica de guerra, as mediações que compartimentalizavam o social não funcionam tão bem. Então, eu acho bastante didático, por exemplo essa separação entre política e religião. Se pegarmos a extrema direita, o modo como eles pensam e atuam na política não existe essa separação, não há a contradição entre defender a liderança que eu quero, eu ganhar dinheiro com isso, eu trazer o pastor para falar junto ou eu agenciar temas. É tudo misturado, que é o que a literatura sobre novas mídias chama de colapso de contexto, característico da plataformização.
Um outro colapso de contexto transversal é a diferença entre público e privado. Se repararmos o modo como a extrema-direita agencia o que eles chamam de meta-política. Olavo de Carvalho e Alexander Dugin trabalham com a ideia de meta-política, eles falam de uma política transversal a todas as esferas sociais. Uma política que não disputa só as eleições, mas no fundo disputa o todo na democracia, eles tem uma proposta global de substituição desse inimigo que eles querem derrotar. No caso do bolsonarismo, por exemplo, ficava muito claro pra mim como eles viam a Constituição de 1988. Porque eles não dizem ser contra a Constituição, mas essas pessoas têm uma visão invertida do documento, onde o centro dela seria o Artigo 142.
Como se fosse um ponto cego da constituição, onde eles poderiam virar tudo aquilo do avesso, nas famosas “quatro linhas”. Quando o Bolsonaro falava que ele não saía das “quatro linhas” era no sentido do Artigo 142, mas para eles estar está ‘dentro das quatro linhas’ é ter o direito de pedir intervenção militar para impedir um candidato legitimamente eleito de tomar posse, o que justifica (na minha interpretação) os atos violentos por parte de boa parte daquelas pessoas que invadiram e depredaram a Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro .
Quando falamos da influência da tecnologia na política, as pessoas tendem a cair em duas posições: o determinismo tecnológico ou ao contrário ao falar que, na verdade, a tecnologia não tem nada a ver com aquilo. Mas na verdade está no meio do caminho, temos uma confluência entre a agência técnica tecnológica e a agência humana/animal. A ecologia da mente abre novas questões, permite que olhemos para o mesmo fenômeno e veja ele de uma forma completamente diferente, na minha opinião, mais próximo. Falando como antropóloga, a gente sempre tenta ver o fenômeno do ponto de vista do sujeito que você está estudando.
Este artigo foi originalmente publicado no site da Agência Pública e republicado na íntegra n'o largo. ao abrigo da licença Creative Commons CC BY-ND 4.0.
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