Comunidade é convidada a participar “na circulação de histórias e saberes”.
por Bruno Micael Fernandes
A Biblioteca Municipal Tomaz Ribeiro, em Tondela, vai assinalar o dia internacional da Doação de Livros com uma iniciativa que pretende envolver toda a comunidade.
Numa nota enviada às redações, o município tondelense afirma que o mote é dar uma vida nova aos livros usados: "'Se tens em casa livros que sabes que não vais voltar a ler, convidamos-te a participar na circulação de histórias e saberes' é o desafio que está a ser lançado", acrescenta.
Os livros podem ser entregues até ao dia 14 de fevereiro na Biblioteca Municipal, sendo depois oferecidos "a crianças e adultos mais desfavorecidos".
A efeméride foi instituída em 2012 para "ampliar o aesso ao slivros e estimular hábitos de leitura", acrescenta a autarquia.
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Filme marca regresso de Jennifer Lawrence à comédia.
por Bruno Micael Fernandes
Bem recebido pela crítica, chega agora ao pequeno ecrã: "Tudo na Boa!" estreia esta sexta-feira no TVCine Top.
Protagonizada por Jennifer Lawrence, esta "cringe comedy" conta a história de Maddie, uma mulher de 32 anos que está prestes a perder a casa onde cresceu. Um dia, ela descobre uma vaga de emprego, no mínimo, curiosa: "pais "galinha" procuram alguém para “andar” com o seu introvertido e desajeitado filho de 19 anos, Percy [Andrew Barth Feldman], antes de este ir para a universidade", indica o canal premium de televisão. Agora, Maddie só tem um objetivo: "tem um verão para fazeer dele um homem ou morrer a tentar". No entanto, para sua surpresa, Percy "tem muito que se lhe diga..."
Realizado por Gene Stupnitsky, "Tudo na Boa!" marca o regresso de Lawrence à comédia, conta também com Matthew Broderick, Laura Benanti e Natalie Morales no elenco.
O filme será exibido a partir das 21h30.
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Iniciativa quer “despertar o potencial” destas áreas do concelho.
por Bruno Micael Fernandes
Um workshop, sessões de observação de aves e percursos pedestres são apenas algumas das atividades incluídas no programa da Semana das Zonas Húmidas, na Praia da vitória, Açores.
A iniciativa, que arranca no próximo dia 27 de janeiro, vai ser promovida pelo município e tem como objetivo "despertar para o potencial das zonas húmidas" do concelho. A primeira atividade do program é promovida pela comunidade escolar do municipio e Escuteiros: será uma feira sustentável que tem como mote "Pensar e Agir por um Planeta Saudável". O município descreve a ação como "uma espécie de feira da tralha", decorrendo ao longo de toda a manhã. Da parte da tarde, haverá uma atividade ligada ao desenho, promovida pela Associação Urban Sketchers da Ilha Terceira.
O programa ainda inclui um percurso interpretativo na baía da Praia da Vitória, três palestras e sessões guiadas de observações de aves.
Todas as atividades são gratuitas, sendo necessária inscrição prévia pelo email cia@cmpv.pt ou pelo telefone +351 913 671 687. O programa pode ser consultado no site do município.
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British Council considera mesmo que o conceito de “nativo” tem evoluído para algo mais flexível.
por Bruno Micael Fernandes
As transformações na aprendizagem do inglês foram alvo de um estudo pela organização britânica British Council. "The Future of English. Global Perspectives" é o nome da análise que está disponível online.
Numa nota enviada às redações, a British Council Portugal nota que o estudo reuniu as "conclusões tiradas em mesas redondas com 92 especialistas e legisladores de políticas educativas de 49 países e territórios em todo o mundo, incluindo Portugal".
"Nativo" do idioma já é um conceito "diluído"
A alterações no ensino e aprendizagem do inglês têm acontecido a diversos níveis, centrando-se mais no dia-a-dia e menos na forma: "O foco é muito mais a comunicação e a oralidade, em vez da gramática e do vocabulário", diz o instituto, acrescentando que são eliminadas "as discrepâncias detetadas por empregadores e funcionários entre o inglês que é ensinado e o inglês que é de facto necessário no local de trabalho".
O que também tem mudado é o conceito de "nativo" de inglês. A aprendizagem personalizada tem tornado esta ideia algo mais "diluído": "Tem passado para uma conceção mais flexível de língua, baseada nas competências linguísticas", explica o instituto. Esta nova visão tem também alterado a própria forma de ensinar: "A aprendizagem é agora mais contextualizada, personalizada e individualizada, respondendo assim às necessidades atuais, mais ligadas às exigências práticas das vidas pessoais e profissionais dos estudantes".
Além do emprego ou da própria formação, o entretenimento através das redes sociais tem ganhado espaço como forma de aprendizagem da língua. Esta mudança surge com a entrada de players internacionais no setor que têm abordagens fortes à inteligência artificial, criando "propostas muito mais individualizadas de aprendizagem" e que trazem vantagens como o ensino particular inteligente ou o feedback automático. Este tipo de aprendizagem é "menos intrusiva e mais diversa": "Facilita-se o acesso à aprendizagem para alunos neuro-diversos e para os que apresentam disparidades entre o inglês falado e escrito", considera.
Trabalho apresenta as áreas de vegetação mais estáveis e menos perturbadas da cidade Invicta ao long
por Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
“As áreas de vegetação no Porto diminuíram drasticamente desde 1947, particularmente as áreas de vegetação herbácea.” Quem o diz é Filipa Guilherme, estudante do Programa Doutoral em Arquitetura Paisagista e Ecologia Urbana na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), que, no âmbito da sua tese, acaba de publicar um estudo com uma equipa multidisciplinar da Universidade do Porto, na revista Landscape and Urban Planning.
Este trabalho apresenta, a uma escala fina, as áreas de vegetação mais estáveis e menos perturbadas da cidade do Porto ao longo das últimas sete décadas, as quais deverão ser prioritárias para a conservação da biodiversidade.
A gestão da biodiversidade fica frequentemente limitada por informações espacialmente pouco precisas e sem perspetiva histórica. No caso da biodiversidade urbana, aquela mais próxima dos cidadãos, esta falta de dados a uma escala (temporal e espacial) adequada, assim como num formato espacialmente explícito, impede uma boa integração em políticas e planos de ordenamento e gestão territorial a nível local.
“As áreas de vegetação arbórea-arbustiva mais antigas são reduzidas, mas encontram-se relativamente preservadas e protegidas em parques e jardins, especialmente de acesso público; as áreas de vegetação herbácea persistente são muito escassas, enfrentam problemas de degradação e são altamente suscetíveis à expansão urbana”, continua a detalhar Filipa Guilherme.
A título de exemplo de áreas antigas de vegetação herbácea, pode mencionar-se a zona das ribeiras de Nevogilde e da Ervilheira, onde se prevê a construção da futura Avenida Nun’Álvares/D. Pedro IV e urbanizações associadas; os campos agrícolas da antiga Quinta da Prelada, onde está prevista a construção de uma academia de futebol em terrenos apontados no PDM como espaços fundamentais para a estrutura ecológica municipal; e também antigos campos agrícolas na zona de Ramalde do Meio-Viso-Requesende, onde uma mancha significativa de habitat herbáceo identificada no estudo foi recentemente destruída.
Para chegar a estas conclusões, esta equipa multidisciplinar da Universidade do Porto, que integra também os docentes da FCUP e investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (BIOPOLIS-CIBIO) da Universidade do Porto, Paulo Farinha Marques e Miguel Carretero, orientadores de Filipa Guilherme, e também com a participação do professor da FCUP, José Alberto Gonçalves, investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da U.Porto, mapeou a cobertura do solo através da interpretação visual de fotografia aérea antiga e de fotografia de satélite, de 1947 a 2019. Desta forma, a equipa conseguiu determinar as trajetórias temporais de cobertura do solo em toda a extensão da cidade.
“A identificação, a uma escala fina, do valor ecológico de cada parcela urbana, com base no princípio de que as áreas menos perturbadas ao longo do tempo apresentam níveis de biodiversidade mais elevados, facilita a tomada de decisão em políticas de planeamento urbano e projetos urbanísticos, tanto à escala da cidade, como à escala de cada parcela urbana”, explica Paulo Farinha Marques.
Os resultados obtidos podem ser robustecidos com o afinamento da resolução temporal (ou seja, incluir intervalos de tempo mais curtos) para melhor capturar a dinâmica acelerada de transformação urbana. Do mesmo modo, devem ser complementados sobre informação recolhida no terreno, particularmente sobre as comunidades de flora e fauna existentes em cada local.
A mesma equipa vai brevemente publicar os resultados de várias inventariações de vertebrados na mesma área, que vêm corroborar e confirmar as áreas aqui identificadas como prioritárias para a conservação da biodiversidade.
Miguel Carretero, do BIOPOLIS-CIBIO, salienta que “no futuro, a conservação e gestão da biodiversidade nas muitas zonas onde ela sofre perturbação deverá estar baseada em evidência numa escala espacial fina e não poderão ignorar a componente histórica da paisagem”.
Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa", promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.
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É já a quinta edição do evento que debate o envelhecimento. O Laboratório das Artes do Teatro da Vista Alegre é o palco do "Encontro de Políticas Públicas na área Envelhecimento", que acontece já no próximo dia 06 de fevereiro.
Nesta edição, o mote será os "Desafios do Envelhecimento: Oportunidades Territoriais", contando com diversas atividades. Segundo o programa divulgado pela autarquia, serão mais de 16 oradores em palestras e sessões ao longo de todo o dia.
O programa também inclui também a apresentação do Programa de Preparação para a Reforma, promovido pela autarquia, a exibição da curta-metragem "Laboratório de Envelhecimento: Uma Nova Visão" sobre aquele equipamento municipal e, ainda, cinco oficinas.
As inscrições acontecem através de um formulário online ou junto da autarquia através do telefone +351 234 329 636 ou do email maioridade@cm-ilhavo.pt.
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Taylor Swift é a artista mais ouvida em Portugal. Drenchill é o artista português mais ouvido no es
por Bruno Micael Fernandes
Sexta-feira é o dia favorito pelos portugueses para ouvir música e preferem ouvir Coldplay e o Panda e os Caricas no carro. Estes são alguns dos dados revelados esta semana pelo Spotify sobre o consumo de música em Portugal durante o ano passado.
Na iniciativa "Wrapped 2023", a plataforma de streaming diz que o rapper português Van Zee foi o "artista emergente em 2023", entrando mesmo para o top 20 dos artistas mais ouvidos pelos portugueses.
Por outro lado, Taylor Swift foi a artista mais ouvida em Portugal, liderando em cidades como Albufeira, Aveiro, Coimbra, Lisboa ou Porto, mas não liderou em todos os segmentos etários nem em todas as cidades: "Apenas liderou na faixa etária dos 13 aos 34 anos", precisa a plataforma, acrescentando que, nas cidades de Braga e de Matosinhos, a liderança coube à artista brasileira Juliette e à dj iATM11 (também conhecida como ZANOVA), respetivamente.
Também no carro há diferenças. Enquanto que Swift lidera as preferências de escuta no computador, no telemóvel, smart speakers, tablers e smart tvs, os Coldplay são os mais ouvidos no carro, seguido dos Calema, The Weeknd e do Panda e os Caricas. Aliás, os três primeiros lideram várias faixas etárias: os Calema são os mais escutados na faixa dos 35 aos 44 anos, The Weeknd na faixa dos 45 aos 54 e Coldplay na faixa dos mais de 55 anos.
O consumo de música portuguesa em Portugal registou um crescimento de 42% face a 2022.
Outro dado revelado tem a ver com as horas e dias em que os portugueses escutam música. A plataforma diz que "a sexta-feira foi o dia preferido pelos portugueses para ouvirem música em 2023. Já a nível horário, a madrugada, mais concretamente as 03h da manhã, é a hora eleita".
Já no estrangeiro, Portugal também está em grande. Drenchill volta a ser o artista português mais ouvido no estrangeiro numa tablea que conta com Eugene lopin, Elvis Drew, Avivian e MARO.
O Spotify é um serviço de streaming musical surgido em 2008 com mais de 574 milhões e presença em mais de 180 mercados. O seu catálogo tem mais de 100 milhões de faixas.
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É uma minissérie premiada e com interpretações de Jessica Chastain e Michael Shannon: "George & Tammy" estreia esta quinta-feira, dia 11, no TVCine Emotion.
Segundo o canal premium de cinema, a minissérie de seis episódios centra-se na história conturbada das estrelas de música country George Jones (Shannon) e Tammy Wynette (Chastain): "Um olhar sobre a história dos reis do country George Jones e Tammy Wynette, "George & Tammy" recorda uma parceria que, embora conturbada, inspirou músicas icónicas", diz a estação, acrescentando que "o legado de George e Tammy, tanto musical como romanticamente, continua a ser uma das maiores histórias de amor alguma vez contadas", reunindo "mais de 30 canções country número um entre eles, incluindo os duetos "We're Gonna Hold On", "Golden Ring" e "Near You"".
A série de Abe Sylvia baseia-se nas memórias de Georgette Jones, filha do casal, e traz "uum retrato íntimo de duas estrelas e da sua marcante história de amor".
A série tem estreia marcada a partir das 22h10, indo para o ar todas as quintas-feiras. Os episódios ficarão disponiveis depois da sua transmissão no serviço TVCine+.
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Concerto conta com a participação de sete músicos e de um coro.
por Bruno Micael Fernandes
São "25 Anos para Cantar o Natal". Este é o mote do próximo concerto para bebés que acontece no Teatro Stephens, na Marinha Grande, já no próximo sábado, dia 13.
Segundo a autarquia marinhense, o concerto debruça-se sobre a época natalícia: "No Natal alguém ouviu uns pastores a cantar. Houve quem dissesse que eram de anjos as vozes, e os pastores só ouviam. Mas nós sabemos bem que eram mesmo pastores que cantavam. Eram ainda pastorinhos e pastorinhas, mas era entre murtas e rosmaninho, ovelhas e piscos que eles passeavam no alto da serra e de lá faziam ouvir a sua voz. Cresceram, e há ainda quem deles se lembre de pantufas nos pés e rosário nos fatos. Estão de volta e rebentamos de felicidade, porque só quem os ouviu imagina como vai ser este concerto de Natal", descreve a sinopse.
O concerto conta com a participação de sete músicos e do coro Schola no Coração como solistas convidados.
O início está previsto para as 16h. Os bilhetes estão à venda.
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Projeto tem o objetivo de fazer a ponte entre a industria, o ensino e a sociedade e a redução de res
por Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Uma equipa de arquitetos paisagistas da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) vai explorar e testar um conjunto de biomateriais e materiais biomiméticos (que simulam sistemas vivos) que possam ser alternativas aos materiais tradicionais de origem fóssil ou a emissores de CO2 no seu processo de fabrico. O foco é avaliar o seu potencial para uso na construção e assim contribuir para uma maior sustentabilidade. O mote é dado pelo projeto Erasmus + Co-Coon – Co-creating greener futures.
Um dos 16 materiais em estudo é o biobetão, uma mistura de cimento tradicional com bactérias na sua constituição, capazes de, em poucas semanas, reparar as fissuras. Estas bactérias podem viver neste material durante mais de 100 anos.
“O papel da FCUP é o de ajudar na identificação destes biomateriais, mas sobretudo o de fazer a ponte com a possível aplicação no projeto de espaços exteriores. Iremos trabalhar no desenho das várias soluções e de protótipos”, conta José Miguel Lameiras, arquiteto paisagista e docente da FCUP responsável pelo projeto na Faculdade de Ciências. Será então missão da FCUP, que integra ainda na equipa Paulo Farinha Marques, Teresa Portela Marques e David Campos, testar o uso destes materiais, por exemplo, em ambientes urbanos como parques, jardins, praças e ruas arborizadas.
Este projeto tem como objetivos fazer a ponte entre a indústria, o ensino e a sociedade e a redução de resíduos, uma vez que se pretende que estes materiais apoiem processos de economia circular. É esta, aliás, a lógica do biodesign que será o grande foco deste projeto, no âmbito do qual serão desenvolvidos módulos e aplicados em projetos-piloto.
A equipa é multidisciplinar, envolvendo pessoas das áreas da gestão, design, arquitetura, arquitetura paisagista, economia circular, tecnologias criativas e educação.
Liderado pelo ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, este projeto Erasmus+ tem um financiamento no valor de 1 milhão de euros e integra também como parceiros também a Universidade de AALTO, na Finlândia, o FABLAB Reykjavikk, na Islândia e o Instituto Avançado de Arquitetura da Catalunha (IAAC), em Espanha. Há ainda duas instituições afiliadas: a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil, e a Universidade de Newcastle, no Reino Unido.
Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa", promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.
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Diferenças com base nos papéis tradicionais de género são observadas em várias profissões “genderiza
por CIS-Iscte
Um conjunto de estudos realizados no Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) identifica diferenças de género em diversos espaços sociais, incluindo em contexto de teletrabalho, parecendo perdurarem durante a reforma.
Efetivamente, a equipa de investigação composta por Maria Cecília Eduardo (Universidade Federal do Paraná), Maria Helena Santos (CIS-Iscte) e Ana Lúcia Teixeira (CICS.NOVA) publicou também em 2023 um estudo que apresenta uma análise descritiva e comparativa dos estatutos dos partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados, no caso do Brasil, e no Parlamento, no caso de Portugal. O principal objetivo foi avaliar a inclusividade dos textos partidários e o compromisso de partidos políticos com a promoção da igualdade de género e da participação política das mulheres nos seus quadros organizacionais, em Portugal e no Brasil. De uma forma geral, as investigadoras observaram que os partidos de esquerda têm sido historicamente mais encorajadores do envolvimento das mulheres, em ambos os países, pelo menos nas suas regras estatutárias. Maria Helena Santos concretiza: “Em termos percentuais, no caso brasileiro, três dos quatro partidos centristas e cerca de 66% dos partidos de esquerda têm pelo menos uma menção à questão da não discriminação e/ou da igualdade de género. Em contraste, menos de metade dos partidos de direita apresenta esta questão nos seus textos partidários. Já em Portugal, nenhum partido de direita menciona este princípio, que aparece em mais de metade dos estatutos dos partidos de esquerda”. O estudo também informa que apesar da presença de estatutos inclusivos em muitos partidos brasileiros, não parece haver uma influência direta no número de mulheres por si eleitas, sugerindo uma discrepância entre as disposições estatutárias e os resultados reais em termos de representação das mulheres. Por último, embora tanto o Brasil como Portugal tenham quotas eleitorais para as mulheres, as percentagens específicas e os sistemas eleitorais diferem, o que pode ter um impacto na eleição das mulheres em cada país.
Maria Helena Santos reconhece que, nas últimas décadas, têm sido feitos esforços para criar condições que promovam uma maior igualdade entre homens e mulheres. Contudo, considera que há ainda muito por fazer. “Um dos fatores que salientou e, em certos casos, agravou estas diferenças foi a pandemia e o contexto de teletrabalho”, explica a investigadora. Dados de um estudo publicado em 2023 sugerem, efetivamente, que a pandemia de COVID-19 levou a um aumento significativo da divisão do trabalho não remunerado entre as figuras parentais, com as mulheres a assumirem uma maior parte das tarefas domésticas e de prestação de cuidados à família. A equipa de investigação, composta por investigadoras do Iscte (Maria Helena Santos, Miriam Rosa, Jéssica Ramos e Ana Catarina Carvalho) e do ICS-ULisboa (Rita Correia), notou que, apesar dos avanços pré-pandémicos, em matéria de igualdade entre homens e mulheres, persistiram desigualdades de género significativas na divisão do trabalho não remunerado, em especial para os casais com crianças pequenas. As mulheres, especialmente as que trabalhavam em regime de teletrabalho, registaram uma menor satisfação profissional devido à falta de partilha das tarefas de prestação de cuidados. “Estes resultados sublinham a necessidade de uma divisão mais equitativa do trabalho não remunerado entre os pais, em especial em tempos de crise, e realçam a importância de disposições laborais que permitam uma divisão mais equilibrada do trabalho não remunerado para aumentar a satisfação profissional.”, conclui Maria Helena Santos.
“Para além das diferenças de género serem observadas ao longo da vida ativa, estas parecem afetar as trajetórias individuais e estender-se ao período da reforma”, acrescenta Maria Helena Santos. A investigadora fez parte de uma equipa de investigação do Iscte, composta também por Maria Carolina Pereira e Miriam Rosa, que explorou as perspetivas e experiências de homens e mulheres na sua reforma. Os resultados revelaram uma grande variabilidade na forma como homens e mulheres planeiam a sua reforma, por exemplo, nas perspetivas face à reforma, mas também nas atividades em que se envolvem. Especificamente, durante a reforma as mulheres relataram estar mais ocupadas com tarefas domésticas, cuidados familiares e exercício físico, enquanto os homens relataram dedicar mais tempo a passatempos e atividades de socialização. “Os nossos dados indicam uma continuidade dos papéis de género na reforma”, afirma Miriam Rosa (CIS-Iscte), realçando que as preocupações que caracterizam a vida ativa das mulheres se mantiveram inalteradas na reforma. Além disso, as mulheres estavam menos satisfeitas com as suas pensões do que os homens, refletindo o impacto das diferentes trajetórias de vida e de trabalho nos resultados das pensões. As investigadoras sublinham a importância de compreender a reforma no contexto das diferentes trajetórias de emprego e de vida de homens e mulheres, destacando a sua influência nas experiências de reforma.
Maria Helena Santos espera continuar a explorar as questões psicossociológicas relacionadas com o género, com o objetivo último de informar as decisões políticas com base em dados científicos. “Se compreendermos as complexidades das experiências ao longo da vida, não só na fase ativa de trabalho, mas também na reforma, podemos trabalhar para promover a igualdade entre homens e mulheres e melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas”, conclui.
Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto "Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa", promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa.
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