Israel e Hamas: Musk perdido no nevoeiro da desinformação

O multimilionário foi um dos que participou no caos de informação precipitado pelo conflito entre Israel e o Hamas.
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Este artigo é uma tradução dum artigo em árabe da Al-Hurra, a partir de uma versão em inglês.


Apenas 48 horas depois do ataque surpresa por parte de militantes do Hamas a Israel, a desinformação já se espalhou na plataforma da rede social X (ex-Twitter).

No site de mensagens curtas, propriedade do multimilionário Elon Musk, ativistas partilharam informações falsas e enganosas sobre o conflito e o próprio Musk direcionou os utilizadores para um perfil conhecido por divulgar informações falsas.

Entre os exemplos de notícias falsas, ao longo do fim de semana, muitos utilizadores partilharam um comunicado à imprensa falso da Casa Branca, que indicava que, como resposta ao ataque, os Estados Unidos da América estava a enviar milhares de milhões de dólares em ajudas para Israel.

Rapidamente, contas na rede social X com centenas de milhares de seguidores partilharam em larga escala o comunicado falso, depois deste ter aparecido online no sábado.

Um dos influenciadores digitais que partilhou o falso comunicado, Jackson Hinkle, disse mesmo que se tratava de uma bofetada de luva branca à Ucrânia, que tinha pedido a Washington mais dinheiro para se defender de uma invasão russa.

Uma conta falsa que se fazia passar pela publicação israelita The Jerusulem Post partilhou uma notícia falsa que afirmava que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu tinha sido hospitalizado, antes da conta ser suspensa.

O próprio Musk foi um dos que participou no caos de informação: no domingo recomendou aos utilizadores da sua plataforma que acompanhassem o conflito entre Israel e o Hamas seguindo uma conta conhecida por difundir informações incorretas, incluindo uma notícia falsa sobre uma explosão no Pentágono no início deste ano, por exemplo.

Musk e Hinkle acabaram por apagar as mensagens. Musk escreveu então: “Como sempre, por favor, tentem manter-se o mais próximos possível da verdade, mesmo em coisas de que não gostem”.

Elon Musk (@elonmusk) no Twitter: “Como sempre, por favor, tentem manter-se o mais próximos possível da verdade, mesmo em coisas de que não gostem. Esta plataforma procura aumentar o sinal/ruído do coletivo humano.”

Além disso, muitos vídeos fraudulentos, também se espalharam nas redes sociais.

Um desses vídeos, que já conta com mais de 1,7 milhões de visualizações, alegadamente mostra os líderes do exército israelita depois de terem sido detidos por membros do movimento Hamas. Mas o que o vídeo mostra, de facto, são separatistas a serem detidos no Azerbeijão.

Musk despediu os funcionários que se dedicavam à deteção de informações falsas, como parte do despedimento coletivo de milhares de funcionários após a compra da plataforma, que era conhecida como Twitter. Em vez disso, o multimilionário confia no feedback da comunidade para moderar os conteúdos.

Este feedback permite que os utilizadores do X verifiquem se existem mensagens falsas ou enganosas. Mas, em alguns casos, é feito um aviso de que o vídeo, por exemplo, não é verdadeiro depois de ter sido visto por milhares ou, talvez, milhões de pessoas.

A plataforma X desempenha há muito tempo um papel fundamental na troca de informações durante conflitos armados, desde a Primavera Árabe, em 2014, até à invasão da Ucrânia, em 2022, e durante a violência anterior em Israel e Gaza.

Especialistas acreditam que a desinformação viral esteve sempre na plataforma, mas tornou-se especialmente notória após a compra por parte de Musk.

“Em tempo de guerra, as redes sociais tornam-se um campo de batalha de propaganda”, diz o investigador Emerson Brooking, do Laboratório de Investigação do Conselho do Atlântico. “Atualmente, o X é a principal plataforma online em que esta batalha tem lugar”, acrescenta.

“Na última década, todos os conflitos criaram um “nevoeiro de guerra digital”, à medida que as partes em conflito e os seus apoiantes tentam utilizar as redes sociais a seu favor”, diz, por seu turno, o jornalista especializado em informações open source Joe Galvin à CNN Internacional.

Mas Galvin salienta que, “atualmente, a escala e o alcance da desinformação ultrapassam largamente o que víamos anteriormente no arranque da era das redes sociais, e isto é agravado por plataformas como a X, que removeram as barreiras e permitiram que os mais horríveis tipos de desinformação se espalhassem”.

O Hamas, que consta na lista de terrorismo dos EUA, lançou uma operação surpresa contra Israel no passado sábado, e que resultou na morte de mil israelitas.

Israel respondeu com bombardeamentos aéreos e de artilharia contra “alvos do Hamas” na Faixa de Gaza que, até ao momento, causaram a morte de cerca de 800 pessoas.

De ambos os lados, a maioria das mortes são civis.


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