Estudo identifica riscos da contaminação simultânea de nanoplásticos e metais para bom funcionamento dos ecossistemas de água doce

“Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente em compreender os efeitos combinados dos poluentes”, diz uma das autoras.
Universidade de Coimbra
Este artigo foi publicado há, pelo menos, 8 meses, pelo que o seu conteúdo pode estar desatualizado.

Um estudo internacional liderado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com Harcourt Butler Technical University (Índia) e a Konkuk University (Coreia do Sul), identificou os principais riscos que a ocorrência simultânea de nanoplásticos e metais representa para o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce.

O estudo “Does functionalised nanoplastics modulate the cellular and physiological responses of aquatic fungi to metals?”, publicado na revista Environmental Pollution, apresenta os possíveis impactos causados por esta co-contaminação de águas doces devido a concentrações realistas destes materiais, concluindo ainda que a funcionalização da superfície dos nanoplásticos facilita a adsorção de metais, modulando assim os impactos causados pelos metais nos fungos aquáticos.

«Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente em compreender os efeitos combinados dos poluentes nos organismos, uma vez que sua coexistência é uma realidade inevitável» revela Juliana Barros, primeira autora do estudo e doutoranda em Biociências na FCTUC, orientada por Seena Sahadevan, coautora e investigadora no Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e Rede de Investigação Aquática (ARNET), do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, esclarecendo que «os nanoplásticos são fragmentos de plástico com menos de 1000 nanómetros (nm), aproximadamente o tamanho de um vírus, habitualmente utilizados pelas indústrias farmacêutica, cosmética e de produtos de limpeza».

Segundo as autoras do estudo, as águas doces são particularmente vulneráveis a contaminantes, uma vez que servem de interface primária entre os compartimentos terrestres e aquáticos. Portanto, são frequentemente mais suscetíveis aos efeitos adversos dos contaminantes emergentes do que outros compartimentos.

«As atividades mineiras contribuem para a ocorrência de metais nos sistemas de água doce, levando à coexistência de metais com contaminantes emergentes, como os nanoplásticos. Em pequenos cursos de água a decomposição da matéria orgânica é um processo crucial, responsável pela transferência de energia e nutrientes através dos níveis tróficos da cadeia alimentar. Os hifomicetes aquáticos são os principais mediadores deste processo. Estes fungos são capazes de modificar os componentes recalcitrantes da folha, melhorando assim a sua palatabilidade e qualidade nutricional para consumo pelos invertebrados», refere a dupla do DCV.

Durante a investigação realizou-se um ensaio laboratorial com concentrações realistas de nanoplásticos, com dois tipos de nanoplásticos (poliestireno regular e carboxilados) e estudaram-se os seus efeitos combinados com o cobre nos processos celulares e crescimento de um hifomicete aquático comum e muito difundido (Articulospora tetracladia)», explica Juliana Barros.

«Os nanoplásticos, o cobre e a sua co exposição ao hifomicete aquático A. tetracladia podem levar ao stress oxidativo e à rutura da membrana plasmática. Na maioria dos casos, a exposição a tratamentos contendo nanoplásticos funcionalizados combinados com cobre mostrou uma maior resposta celular e suprimiu o crescimento do fungo», conclui Seena Sahadevan.

Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa“, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa

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