Psicologia Comunitária para melhorar as oportunidades dos jovens da Europa rural

Cerca de 26% dos jovens europeus vive em zonas rurais.
Psicologia Comunitária para melhorar as oportunidades dos jovens da Europa rural
Jed Owen/Unsplash
Este artigo foi publicado há, pelo menos, 12 meses, pelo que o seu conteúdo pode estar desatualizado.

Um novo estudo oferece um pequeno guia sobre a forma como profissionais de Psicologia Comunitária podem contribuir para melhorar as oportunidades dos jovens que vivem em zonas rurais na Europa.

Francisco Simões, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) e primeiro autor deste trabalho, explica que “a percentagem de jovens europeus que vivem em zonas rurais diminuiu ligeiramente de 27,40% em 2011 para 26,34% em 2020, mas há diferenças entre países”. Segundo o investigador, nos países do Leste e do Sul, como a Estónia ou a Espanha, o número de jovens nas zonas rurais diminuiu, mas, em contrapartida, aumentou em países como a Dinamarca ou a França.

No artigo, a equipa de investigação destaca quatro grandes desafios que os jovens que vivem em zonas rurais enfrentam na Europa, nomeadamente a sua emigração (jovens que se deslocam para as zonas urbanas), o acesso limitado à educação (oportunidades educativas reduzidas nas zonas rurais), o acesso limitado a um trabalho digno e significativo (as atividades no sector primário são por vezes precárias) e o aumento das disparidades de género nos jovens de zonas rurais (existe um desequilíbrio entre a percentagem de homens e mulheres). Maria Fernandes-Jesus, professora da Universidade de York St. John e investigadora do CIS-Iscte, explica que “os dados mostram que as zonas rurais tendem a carecer de infraestruturas e de recursos humanos, o que pode comprometer as oportunidades de educação e de trabalho e pode explicar algumas das atitudes negativas que os jovens têm em relação ao campo, bem como a sua deslocação para as grandes cidades”.

Se faltam oportunidades nas zonas rurais e os jovens evitam envolver-se na agricultura e noutras atividades do sector primário, o que pode ser feito para resolver o problema? A equipa de investigação salienta que iniciativas europeias como o Pacto Ecológico (Green Deal), juntamente com uma Política Agrícola Comum renovada, podem mudar gradualmente este panorama. Elena Marta (Università Cattolica del Sacro Cuore; CERISVICO) afirma que “as atividades tradicionais tornar-se-ão cada vez mais complexas, combinando a produção com serviços, como a agricultura e o ecoturismo. Isto exigirá uma mão de obra mais sofisticada em termos de formação e de conhecimentos tecnológicos, que podem ser as oportunidades perfeitas pelas quais as gerações jovens de zonas rurais esperam”.

Além disso, de acordo com a equipa de investigação, a Psicologia Comunitária pode ter um papel crucial na melhoria das oportunidades dos jovens de zonas rurais. “Baseámos estas orientações em estudos de caso anteriores que, de acordo com a literatura, se mostraram eficazes”, afirma Cinzia Albanesi (Alma Mater Studiorium Universidade de Bolonha). Nicholas Carr (Hospital Universitário de Haukeland) acrescenta: “Em suma, a nossa recomendação é que os psicólogos comunitários adotem uma abordagem de Investigação-Ação Participativa (PAR, do inglês Participatory Action Research) para a investigação e a prática, a fim de enfrentar estes desafios”. Esta abordagem implica trabalhar em colaboração com os jovens em meios rurais para identificar as suas necessidades, pontos fortes e aspirações e desenvolver intervenções adaptadas aos seus contextos. A equipa de investigação sugere potenciais funções de intermediação para o contributo dos psicólogos comunitários. Estas incluem a promoção do diálogo entre gerações, o incentivo da participação comunitária, a melhoria do acesso à educação e formação e o apoio ao desenvolvimento de economias rurais sustentáveis.

“Ao adotar uma abordagem PAR, profissionais de Psicologia Comunitária, mas também decisores políticos e educadores, podem tirar partido das atuais transições digital e ecológica para promover a participação e o envolvimento dos jovens de zonas rurais como agentes ativos de mudança, em toda a Europa”, conclui Francisco Simões. Para além de ajudar a melhorar as suas oportunidades, esta abordagem tem o potencial de contribuir para comunidades rurais mais sustentáveis e inclusivas.

Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa“, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa

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