Livros de ciência para o verão

Sempre defendi que o Verão é um bom tempo para leituras e estas não têm necessariamente de ser de obras ficcionais.
detailblick/Envato
Este artigo foi publicado há, pelo menos, 11 meses, pelo que o seu conteúdo pode estar desatualizado.

No meu podcast, com o David Marçal, «Mais lento do que a luz», assim como no outro meu podcast da Rádio Observador, com o João Miguel Santos, «Ciência Pop», propus alguns livros de ciência para as férias. Sempre defendi que o Verão é um bom tempo para leituras e estas não têm necessariamente de ser de obras ficcionais. Acrescento às listas desses podcasts uma outra, de livros mais recentes, especialmente para os leitores da imprensa regional desejosos de saber mais. A ordem é a alfabética do apelido do autor:

  • Feynman, Richard, “Uma tarde com o Sr. Feynman”, introdução, apresentação, notas e tradução de António Manuel Nunes dos Santos e Christopher Auretta. Gradiva.
    Textos do famoso físico norte-americano Richard Feynman, laureado com o Prémio Nobel da Física de 1965 pela sua teoria quântica da matéria e da luz (o texto da conferência Nobel encontra-se nesta obra). Trata-se da reedição na colecção «Ciência Aberta» de uma colectânea de textos e entrevistas de Feynman que já tinha saído há muitos anos, mas que se encontrava esgotada. Inspirador como os outros seus livros, como os recentemente reeditados “O que é uma Lei Física.” e “Está a Brincar Sr. Feynman?”
  • Hossenfelder, Sabine, “A Física e as Grandes Questões da Vida”, Bertrand.
    A autora é uma jovem física teórica e comunicadora de ciência alemã, natural de Frankfurt -am–Main, em cuja Universidade estudou (o sítio onde me doutorei). E que trabalha actualmente no Centro de Filosofia Matemática em Munique. Este livro entre a Física e a Filosofia sobre «Física Existencial» trata de grandes questões como o sentido do tempo e o livre arbítrio. Inclui entrevistas com físicos como Roger Penrose e David Deutch. Uma das teses da autora é que o conceito de beleza tem guiado mal a física fundamental.
  • Neves, Marco, “Atlas Histórico da Escrita”, Guerra & Paz.
    O autor, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e autor de vários livros sobre a língua portuguesa, dá-nos uma bela obra ilustrada que se integra na colecção de atlas da Guerra & Paz. Para além de bastante informativo, é visualmente muito atraente.
  • Nogueira, Bernardo Albuquerque, “A Ciência das Coisas”, ilustrações de Carlo Giovanni; Suricata (prefácio meu).
    Um jovem químico recém-doutorado na Universidade de Coimbra oferece-nos o seu primeiro livro, destinado a crianças e jovens, que explica de um modo muito simples não só como é o mundo, mas também como temos chegado a esse conhecimento. É uma bela prenda pela clareza da escrita e pela qualidade das ilustrações, mas tem de ser pedido à editora, por não estar nas livrarias.
  • Oliveira, Arlindo. “Ciência, Tecnologia e Sociedade”. Guerra & Paz, prefácio de Pedro Guedes de Oliveira.
    O engenheiro electrotécnico que dirigiu o Instituto Superior Técnico e o INESC de Lisboa e é autor de Mentes Digitais (ISTPress, 2017) e Inteligência Artificial (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2019) reúne aqui um conjunto de crónicas que publicou no jornal Público, agrupadas por temas que incluem os algoritmos e a sociedade, a inteligência artificial e grandes modelos de linguagem como o tão badalado ChatGPT.
  • Ottaviani, Jim e Myrick, Leland, “Feynman”, Gradiva (tradução minha).
    Novela gráfica que narra a biografia do famoso físico norte-americano Richard Feynman, que foi um dos participantes do projecto Manhattan, conducente às primeiras bombas atómicas, e que decifrou a causa do desastre do vaivém espacial Challenger da NASA. Foi um físico que protagonizou histórias muito divertidas que são aqui contadas em banda desenhada.
  • Waldinger, Robert e Schulz, “Uma Boa Vida. Lições do maior estudo científico de sempre sobre a felicidade”. Lua de Papel.
    Um professor de Psiquiatria e outro de Psicologia Clínica ligados ao estudo de Harvard sobre o Desenvolvimento Adulto, explicam quais são os caminhos da felicidade. O estudo começou em 1938, em Boston, seguindo dois grupos, um de jovens desfavorecidos e outro de jovens favorecidos, cujo percurso de vida foi sendo acompanhado assim como o dos seus filhos e netos. As conclusões, que privilegiam a qualidade das relações pessoais são muito interessantes e não tanto o dinheiro e o sucesso profissional.
  • White, Gary e Matt Damon, “O Valor da Água. A nossa história sobre a procura de soluções para o maior desafio mundial”, Bizâncio.
    O primeiro autor é o líder de uma Organização não governamental que tenta enfrentar a crise mundial da água, enquanto o segundo é o conhecido actor de cinema (desempenha o papel do general norte-americano Leslie Groves no filme eme exibição “Oppenheimer”, de Christopher Nollan), que se tem interessado por estes assuntos. A água é um bem essencial à nossa vida e temos de saber cuidar bem dele.

Este autor não escreve segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1990.

Este texto é publicado n’o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa“, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa

Total
0
Partilhas
Artigo anterior

Tondela: estudantes da UAveiro criam artefactos artesanais inspirados em peças tradicionais

Artigo seguinte

ELEVEN Portugal migra para plataforma DAZN

Há muito mais para ler...