TDT está “morta”, diz CEO da Media Capital

Pedro Morais Leitão considera que é preciso encontrar alternativas ao atual modelo de concessão.
Fran Jacquier/Unsplash
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A Altice Portugal quis renovar a licença de gestão da rede de Televisão Digital Terrestre (TDT), mas as vozes contra o estado atual da rede começam a surgir, com o grupo Media Capital à cabeça.

Depois de, no início do mês, Pedro Morais Leitão, CEO do grupo Media Capital, ter dito que, “no limite, “a TVI pode deixar de ser generalista para sair da TDT”, agora, em entrevista esta segunda-feira à Agência Lusa, citada em diversos órgãos de comunicação social, vem considerar que há dificuldades em fazer o funeral ao sistema: “Na minha opinião, ela [TDT] está morta”, considera o gestor.

Para Morais Leitão, é necessário parar de sustentar “um sistema de estradas nacionais que quem o paga são os privados” e lembrou os problemas económicos que a estação de Queluz de Baixo teve no final da década de 90 do século XX, quando decidiu montar a sua própria rede de emissão, na qual fez um grande investimento. Em setembro de 1997, o Expresso escrevia mesmo que a situação do canal era de “falência técnica” e que se “aguardava um plano de recuperação”. A empresa acabou por pedir insolvência no ano seguinte. Ainda assim, a TVI “tinha a sua própria rede de transmissão e fazia cobertura nacional com custos inferiores aos custos que paga agora”, diz o gestor.

O gestor pede assim mudanças na forma como a licença será renovada, alterando o prazo da concessão para um período mais curto, em vez dos quinze anos atuais: “Todas as dúvidas tecnológicas que existem sobre o próximo passo serão, em princípio, resolvidas nos próximos três ou quatro anos”, diz, acrescentando que Portugal já tem infraestruturas para sustentar um sistema universal de acesso a televisão por outra via. “Achamos que os oito milhões de euros que pagamos [as estações generalistas] anualmente chegam para pôr televisão por via digital em todas essas casas”, frisa.

A TDT cobre 100% do território nacional, através de sinal terrestre ou de satélite, sendo que a oferta de canais é baixa, quando comparada com outros países europeus. Segundo dados de março de 2023, 96,4% das famílias dispunham de algum serviço de televisão por subscrição. Atualmente, estão presentes na grelha RTP 1, RTP 2, RTP 3, RTP AçoresRTP MadeiraRTP Memória, SIC, TVI e AR TV.

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