Jornalista bielorrusso da RFE/RL Ihar Losik pode estar na solitária

“Ihar já suportou mil dias longe da sua filha pequena”, diz o CEO do órgão e comunicação social.
Jana Shnipelson/Unsplash
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Este artigo é uma tradução para português de Portugal dum artigo em inglês da Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).


O jornalista da RFE/RL Ihar Losik pode estar ainda em confinamento solitário, disseram fontes ao serviço da RFE/RL em bielorrusso, depois de uma denúncia duma ONG de que ele tinha sido levado para o hospital devido a se ter cortado com um instrumento afiado para protestar contra as ordens que lhe foram dadas pelos guardas prisionais.

Este segunda, o centro de direitos humanos Vyasna (em português, “Primavera”), sedeado em Minsk, Bielorrússia, referiu fontes que indicaram que Losik tinha sido levado para uma instalação médica prisional, depois de ter sido encontrado com “cortes nas mãos e no pescoço”, enquanto estava em greve de fome em confinamento solitário punitiva.

Os funcionários da cadeia não comentaram o tema e a família e o advogado de Losik disseram que estão a tentar obter informações sobre o seu estado, uma vez que não conseguem falar com ele há semanas.

O presidente e CEO da RFE/RL Jamie Fly reiterou o seu apelo à libertação de Losik.

“Estou profundamente angustiado com os relatos do estado de saúde do Ihar e do tratamento brutal na detenção. Estou de coração partido pelos pais, que nem sequer podem visitar o seu filho”, disse Fly numa declaração. “Ihar já suportou mil dias longe da sua filha pequena e deve ser libertado imediatamente”.

Fontes próximas dos serviços prisionais disseram à RFE/RL esta terça-feira que Losik cortou a sua mão e pescoço para protestar contra uma ordem de limpeza da sua ala. De acordo com as fontes, o incidente aconteceu a 15 de março e, como as feridas não eram graves, Losik pode ainda estar na solitária do campo de correção nº 1, na cidade de Navapolatsk, no nordeste do país.

O jornalista da RFE/RL Aleh Hruzdzilovich, que cumpriu pena nas instalações prisionais bielorussas, disse à RFE/RL que, em geral, os reclusos limpam as suas celas e as alas onde eles próprios vivem.

Mas, em situações em que os guardas ordenam a limpeza das instalações, especialmente dos sanitários, os reclusos optam, por vezes, por desobedecer a tais ordens ou, até, infligir danos corporais a si próprios para protestar contra a realização da tarefa.

“Seguir tal ordem coloca automaticamente um recluso entre os presos que têm o chamado ‘estatuto inferior'”, acrescenta Hruzdzilovich.

Losik foi condenado a 15 anos de prisão em dezembro de 2021 por várias acusações, incluindo “organização de motins em massa, incitamento ao ódio social”, entre outras acusações que permanecem pouco claras.

Ele continua a clamar inocência e diz que todas as acusações contra elte têm de motivação política.

Em janeiro, a esposa de Losik, Darya Losik, foi condenada a dois anos de prisão, tendo sido acusada de facilitar a atividade extremista. A acusação foi o resultado da sua entrevista ao canal de televisão polaco Belsat, que foi oficialmente classificado por Minsk como sendo um grupo extremista.

A 21 de março, o Supremo Tribunal da Bielorrússia rejeitou o recurso contra a sentença.

A filha de 4 anos do casal, Paulina, encontra-se atualmente à guarda dos pais de Darya Losik.

Os Estados Unidos apelaram à libertação imediata e incondicional de Ihar e Darya Losik.

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