João Alves/Unsplash

Investigadores propõem medidas para comunicar alterações climáticas

Os investigadores constataram que a comunicação tem um tom neutro e sem sugestões dos passos a tomar
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Investigadores do Interactive Technologies Institute (ITI) descobriram que a comunicação sobre alterações climáticas tem seguido várias tendências. Além disso, propõem orientações para envolver com sucesso as comunidades quando se aborda a temática. Os resultados do estudo foram publicados no 9º Congresso da Associação Internacional de Sociedades de Investigação de Design.

Marta Ferreira, estudante de Doutoramento e primeira autora do estudo, está a trabalhar numa melhor comunicação das alterações climáticas através de visualizações de dados. O seu estudo de revisão demonstrou que a comunicação sobre as alterações climáticas tem seguido diferentes tendências. “Os primeiros projetos, até 2016, estavam muito mais focados em temas relacionados com a energia, como as tecnologias de eco-feedback, mas, desde então, têm sido abordados temas relacionados com estilos de vida sustentáveis e biodiversidade”, acrescenta.

Sob a supervisão de Nuno Nunes e Valentina Nisi, investigadores do ITI e Professores do Instituto Superior Técnico, Marta constatou que a maioria dos projetos de comunicação sobre alterações climáticas têm um tom neutro. A maioria dos projetos analisados apresentaram elementos visuais neutros e sem de sugestões de passos de ação após a visualização. “No estudo, consideramos mensagens de “tom negativo” aquelas que se focam no que perdemos ou o que poderemos vir a perder como consequências negativas das alterações climáticas; no “tom neutro” estão aquelas que apenas comunicam os factos numa exposição neutra da questão; e “tom positivo” aquelas cujas interações se focaram no que se pode alcançar com a mudança”, explica Marta.

Com base na análise de 74 projetos, a equipa propôs um conjunto de recomendações de design que fazem uso de diversas estratégias de comunicação. Os autores acreditam que estas propostas podem ajudar a envolver melhor o público, levando-os a agir. “As nossas descobertas apontam para a existência de melhores efeitos quando o tema com é escolhido com base no impacto e no público. Por exemplo, o Projecto Drawdown aponta para soluções impactantes que normalmente recebem pouca atenção, como educação de alta qualidade, inclusiva, ou temas relacionados com o sistema alimentar e gestão dos solos”, esclarece a investigadora. Marta e os seus supervisores afirmam também que o envolvimento interativo é fundamental para o sucesso do das atividades de comunicação sobre alterações climáticas, principalmente quando realizada em locais do quotidiano, como nas estações de autocarros, em lojas ou na rua. Sugerem ainda usar uma abordagem positiva, utilizando uma narrativa adaptada ao público, e fornecendo ideias para ações a tomar. “Um dos grandes problemas que as pessoas enfrentam é não saberem como agir. As alterações climáticas são uma questão tão complexa que, por vezes, até os indivíduos preocupados têm dificuldade em saber o que fazer para além das ações mais discutidas, como a reciclagem. Fazer propostas concretas ligadas ao tema pode ajudar as pessoas a conectarem-se melhor com o assunto e sentirem-se empoderadas em vez de deprimidas com a tarefa assustadora que se avizinha”, acrescenta.

Algumas destas sugestões já estão a ser adotadas pelo Instituto de Tecnologias Interativas em projetos como Finding Arcadia, uma história de dados interativa relacionada com os ecossistemas oceânicos e baleias, com o objetivo de testar estas implicações para o design. A comunidade científica concorda que é fundamental reconectar o público com esta questão complexa por forma a vencer este desafio global.


Este texto é publicado n‘o largo. no âmbito do projeto “Cultura, Ciência e Tecnologia na Imprensa”, promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa. 

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