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o largo.

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20.12.18

Phone-ix chega ao fim


Bruno Micael Fernandes

Divulgação

A "Phone-ix", a marca dos CTT para as comunicações móveis, chega ao fim a 31 de dezembro. 

A empresa comunicou à ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) a "cessação da prestação de serviços"  no passado dia 05 de de dezembro. A operar com o prefixo "922", os clientes da "Phone-ix" podem pedir, "desde já e até três meses após a data de cessação do serviço", a portabilidade dos seus números para outros operadores, ressalva o regulador. 

O serviço móvel dos CTT foi criado em 2007, utilizando a rede da TMN (atual MEO) para operar. Foi a primeira operação do género em Portugal. Apesar de querer afirmar-se como "a quarta rede móvel" no país, a percentagem de clientes era relativamente pequena, nunca tendo aparecido nas estatísticas da ANACOM. Na memória coletiva, ficam os anúncios de promoção do produto. 

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20.12.18

Der Spiegel despede jornalista por falsificar artigos e factos


Bruno Micael Fernandes

European Press Prize/Direitos reservados

A revista alemã Der Spiegel despediu um jornalista depois do profissional ter inventado fontes e notícias, anunciou a publicação esta quarta-feira

Claas Relotius terá "falsificado os seus artigos em grande escala e, até, inventado personagens, enganando tanto os leitores como os seus colegas". O jornalista admitiu que pelo menos 14 dos 60 artigos que ele escreveu para a publicação "têm uma parte de fabricação". A publicação está a verificar a veracidade dos outros artigos. 

As primeiras suspeitas surgiram em novembro com a publicação de um artigo sobre um grupo de vigilantes americanos que patrulhavam a fronteira entre o México e os EUA. Foi outro jornalista que deu o "alerta" para a fraude. Juan Moreno havia assinado um artigo com Relotious ("Jaeger's Border") e "ficou desconfiado", refere a revista no comunicado. 

Num artigo em alemão, a revista divulga que, antes, havia recebido uma denuncia sobre este artigo. "Jan" escreve à revista questionando Relotius "como poderia escrever artigos sobre o seu grupo sem uma entrevista?", para além de achar estranho que um jornalista escreva uma história sem ir ao local.

Moreno desce ao "inferno" (a expressão é da própria revista!) durante "três ou quatro semanas. A equipa em Hamburgo não acredita nas alegações do jornalista. "No final de novembro, princípios de dezembro, ainda era possível no Spiegel que Moreno fosse o verdadeiro patife desta história e Relotious vítima de uma calúnia". 

"Às suas custas" e aproveitando uma viagem aos EUA, para obter dados para outra reportagem, Moreno recolheu informações que incriminassem Relotius, ao mesmo tempo que tomava providências para se proteger. Afinal, o seu nome também vinha naquele artigo. O jornalista terá localizado algumas das pessoas que eram citadas no artigo, tendo descoberto que nunca falaram com Relotius. 

Refutando inicialmente, e "de forma inteligente" as acusações de que era alvo, acabou por confessar tudo a semana passada depois de ele "finalmente não conseguir dormir, perseguido pelo medo de ser descoberto" (novamente, expressão da própria revista!). Relotius, pressionado pela vice-presidente do departamento empresarial da Spiegel, Özlem Gezer, confessou que inventou todas as passagens do artigo, bem como de outras notícias.  

Como justificação, Relotius terá dito que fez isto não para perseguir a "next big thing" mas sim pelo medo de falhar. "A minha pressão para não falhar tornou-se maior que o sucesso em que me tornei", escreve a revista. 

Várias publicações podem ter sido afetadas

No seu extenso comunicado, a Der Spiegel indica que Claas Relotious cometeu este ato de forma "intencional" e "metódica", chegando mesmo a classificar como sendo com "intenção criminosa". A revista indica, a título de exemplo, que o jornalista incluiu, nos seus artigos, "indivíduos (...) que nunca conheceu ou com quem nunca falou", chegando a cita-los ou a contar as suas histórias (usando, para isso, vídeos ou reportagens de outros meios para obter o "cenário" para as reportagens) ou, mesmo, a inventar diálogos ou afirmações. "Fazendo isso, ele cria personagens compostas de pessoas que existem na realidade cujas histórias Relotious havia fabricado", indica. 

Ao todo, Relotious escreveu 60 artigos para a revista, tendo alguns artigos fabricados sido nomeados ou mesmo ganharam prémios no jornalismo como os artigos "Lion Children" (sobre duas crianças iraquianas raptadas e reeducadas pelo Daesh) ou "Number 440" (sobre prisioneiros em Guantánamo). 

A suspeita de que outros meios de comunicação social possam ter sido alvo das ações de Relotious prende-se com o facto de, antes de colaborar a tempo inteiro com a revista passou por outras publicações como freelancer, quer na Alemanhã, quer no estrangeiro. "Neste momento, isso não pode ser descartado", indica a Der Spiegel". A título de exemplo, a revista indica que o antigo editor também colaborou com os títulos Cicero,  Financial Times DeutschlandDie Welt ou Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung

Apesar desta situação, os artigos de Relotius manter-se-ão online e inalterados até que "as alegações sejam suficientemente clarificadas". No entanto, a revista irá colocar uma notificação sobre o caso. Além disso, a revista instaurou uma comissão de "pessoas experientes", internas e externas à publicação, para "investigar as indicações de falsificação". 

A revista está a considerar esta situação como "uma mancha negra" em 70 anos de história da revista. "Os objetivos impostos falharam, os valores foram feridos", indica. 

Claas Relotius começou a colaborar com a revista em 2011 como freelancer. Desde 2017 que fazia parte da equipa do Der Spiegel como editor. Foi eleito "Jornalista do Ano" pela CNN em 2014 e ganho ou Prémio Europeu de Imprensa em 2017. O editor "libertou o gabinete" no domingo e e foi despedido na segunda. 

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