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03.04.18

UPorto: Alunos protestam em frente à reitoria


Bruno Micael Fernandes

Bárbara Correia/direitos reservados

 

Cerca de 30 alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), acompanhados de baldes de água, protestaram, de forma silenciosa, desde a manhã desta terça-feira, dia 03, em frente à reitoria da universidade. 

Segundo apuramos, os estudantes não foram recebidos por nenhum elemento da reitoria mas esta mostrou-se disponível para uma marcação de uma reunião. A meio da tarde, através de um megafone, foi lido um manifesto. A Associação de Estudantes da FBAUP demarcou-se do protesto. 

Bárbara Correia, aluna da FBAUP, em declarações ao jornal académico JornalismoPortoNet, diz que a manifestação ocorre depois de já terem tentado falar com alguém pelos métodos tradicionais mas com respostas pouco satisfatórias: "Ou dizem que as condições na faculdade são suficientes ou dizem que há falta de verbas". "Houve inundações, houve trabalhos estragados, e foi uma espécie de gota de água para os alunos", diz a aluna. 

Em declarações à mesma publicação, Sancha Castro, outra aluna da FBAUP, deu exemplos das condições os edifícios da faculdade: "Na semana passada, por exemplo, houve uma ficha de eletricidade que explodiu e uma aluna ficou sem ouvir durante algum tempo" . A falta de um técnico de cerâmica já levou a que deflagrassem "dois incêndios num só ano letivo”."Nós convidamos a que vejam o estado da nossa faculdade e o perigo físico que corremos porque lidamos com máquinas muito perigosas e a falta de técnicos. Tudo associado, torna-se muito grave", alerta a estudante. 

A manifestação terminou por volta das 17h. 

Tal como o Largo do Beco já noticiou, os estudantes da FBAUP reclamam por melhores condições nas instalações da faculdade. No documento partilhado nas redes sociais, dizem que "a despreocupação da Reitoria da UP face às especificidades de faculdades no âmbito artístico e humanístico, como são a Faculdade de Belas Artes, Arquitectura e letras têm, ao longo dos tempos conduzido estes espaços à ruína do edificado, material e, sobretudo na qualidade do ensino". Na altura, tentamos entrar em contacto com a reitoria da UPorto e com a AE FBAUP que não responderam às nossas solicitações. 

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03.04.18

Polémica no Apoio às Artes


helena margarida

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Os Agentes Culturais criticam política de financiamento à cultura. Os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes foram conhecidos na sexta-feira e, desde então, que são muitos os protestos por parte de companhias e criadores.

O ministro da Cultura garantiu ontem, 2 de março, na RTP, de que não irá deixar cair companhias de teatro e dança. "Podemos dizer que, através de outras formas, certamente não deixaremos cair estruturas que, quer pela sua história, quer pelo seu passado, quer pela atividade que têm hoje e pela renovação que têm sabido fazer, merecem apoio".

Luís Filipe Castro Mendes diz estar disponível para rever um novo modelo de financiamento de apoio às artes que entrou em vigor este ano, não revelando, contudo, como tal será feito.

Em relação aos dois milhões de euros extraconcurso que foram avançados pelo primeiro ministro e pela Direção Geral das Artes, o ministro da Cultura assegura que mais de metade irão para o Teatro.

Hoje de manhã, no Teatro Rivoli, no Porto, 66 estruturas culturais da cidade marcaram presença num encontro convocado pelo presidente da Câmara, Rui Moreira, para que decidir o que fazer em relação às companhias de teatro da cidade que ficaram sem apoios do Estado. Foi aprovou um documento onde estão registadas as principais criticas ao programa de apoio. “Não chega apenas a correção de verbas e vamos falar com o Governo no sentido de dar nota da vontade de um novo concurso que de alguma maneira corrija estes erros”, garantiu Rui Moreira.

Os partidos com assento na Assembleia da República também já manifestaram o seu desagrado para com os resultados do programa de apoio da Direção Geral das Artes. O PCP quer o ministro da Cultura no parlamento. O CDS vai questionar o Governo e reunir com as companhias para discutir o modelo de financiamento. O BE diz que governo cometeu “erros graves” no programa de apoio da DG Artes defendendo a reposição do nível de financiamento que havia em 2009 para impedir o fecho de estruturas.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que vai falar com os autarcas. E adianta que só se irá pronunciar publicamente depois de conversar com o primeiro ministro, António Costa.

Hoje, às 18h00, haverá uma reunião, por parte da comunidade artística que se diz lesada pelo apoio às artes, na sede do Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculo, em Lisboa. O objetivo é preparar a concentração anunciado para várias cidades na próxima sexta-feira.

Os concursos ao Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 abriram em outubro, com um valor global de 64,5 milhões de euros para apoiar modalidades de circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro.

No sábado, o Governo anunciou um reforço do montante disponível até 2021, para 72,5 milhões de euros. De acordo com os resultados provisórios dos concursos comunicados aos candidatos, a que a agência Lusa teve acesso, 50 candidaturas das 89 avaliadas na área do teatro deverão receber apoio estatal, e várias estruturas que tiveram apoios no passado ficarão de fora, como o Teatro Experimental de Cascais, O Teatrão e Escola da Noite, de Coimbra, o Centro Dramático de Évora e o Teatro das Beiras, da Covilhã.

Igualmente excluídos ficarão o Teatro Experimental do Porto, a Seiva Trupe, o Festival Internacional de Marionetas e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), também do Porto, o Teatro de Animação de Setúbal, das 39 estruturas e projetos que ficam sem financiamento.

Entre as companhias mais apoiadas estão a Teatro Praga, Companhia de Teatro de Almada, Artistas Unidos, O Bando, Teatro do Noroeste, Companhia de Teatro de Braga, Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), a Comuna - Teatro de Pesquisa e Novo Grupo de Teatro, do Teatro Aberto, todas com um apoio para o quadriénio 2018-2021 superior a um milhão de euros.

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