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o largo.

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Em 1986, os meus pais deviam estar a preparar tudo para se casar. Cerca de 7 anos depois, nasci eu.

Os anos 80 nunca foram a minha época preferida. Sempre me fascinei mais pela música dos anos 60 e o psicadelismo dos anos 70. A verdade é que a realidade dessa década sempre me entrou pelos olhos dentro sem me dar conta. Quase todos os fins de semana ia rebuscar os inúmeros álbuns de fotografia dos meus pais para ver que roupas usavam e como eram os lugares que eu conheço hoje em dia, naquela altura.

A RTP estreou uma série chamada 1986, escrita por Nuno Markl, que procura fazer com que os espectadores viajem para o tempo em que “Mário Soares era fixe” e os casacos de ganga eram “a cena”. Para quem, como eu, não existia nos anos 80, a série pode até passar ao lado, mas digo já que não devia. Até ao momento assisti a quatro episódios que me fizeram sentir um saudosismo que não sei explicar. Se eu não era nascida em 1986, como é que posso sentir saudades daqueles tempos?

Tudo nesta série parece muito puro e verdadeiro. Há uma inocência nos personagens, principalmente nos adolescentes, de quem ainda não foi manipulado pela rede mundial de computadores e pelo Grande Irmão que são as redes sociais. Desde o primeiro episódio nota-se logo uma grande diferença para os dias de hoje: os miúdos naquela altura eram mais interessados em política nem que fosse porque os pais também o eram e impingiam-lhes isso. O pai do Tiago (personagem principal) lembra-me muito o meu pai. Talvez seja por isso que simpatizei logo com aquele senhor comunista que acredita nas suas convicções até ao fim e lá tem de “engolir um sapo” e votar no Soares para que o “facho do Freitas” não ganhasse as eleições.

Até agora o meu personagem preferido é o metaleiro Sérgio, réplica quase perfeita dos meus amigos metaleiros em 2018. A proximidade que este personagem me traz faz-me ficar presa a esta série e querer saber mais e mais sobre o que eram os anos 80. Há detalhes em 1986 – a série que saltaram para os dias de hoje e são moda. Naquela altura compravam-se discos de vinil e toda a gente tinha um gira-discos. Hoje em dia a malta “alternativa” também tem. É isso e as doctor martens. Salvou-se o papel de parede e aqueles cortinados com padrões um tanto ao quanto… kitsch?

Cada época tem a sua beleza. De certo que, daqui a 30 anos, vamos olhar para 2018 e pensar “ah, naquele tempo é que era!”. Mas a verdade é que dou por mim a querer ter vivido naqueles dias em que as pequenas coisas importavam e não havia a alienação que hoje há. Quem me dera ter começado uma rádio pirata como o Tó, ou ir todos os dias ao videoclube alugar uma cassete VHS diferente para ver em família naquela noite. O Nuno Markl não me pagou para dizer isto mas, se ainda não viram 1986, ide ao site da RTP e vejam. É muito interessante ver como as coisas mudam ao longo do tempo. Se és jovem e achas que agora é que és fixe e calças de bombazina é parolo, dá uma oportunidade à série.

Aposto que, daqui a uns anos, vais andar com um walkman a sentires-te o maior da tua zona.

Sim, eu acredito que as cassetes vão voltar e tudo vai voltar ao analógico.

Depois, o mundo vai implodir e ficar do tamanho de uma noz.

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